Descubra porque a energia termelétrica é tão cara no Brasil

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Geração de energia por termelétricas só neste ano pode chegar a 9 bilhões de reais

A produção de energia termelétrica, em uma visão global e mais ampla, sempre foi mais barata do que a de uma usina hidrelétrica, que é a que utilizamos em maior escala no Brasil.

Diferentemente da hidrelétrica, uma usina termelétrica tem gastos menores, como com a estrutura de distribuição por exemplo. A hidrelétrica nem sempre estará tão próxima do consumidor e tampouco pode ser construída em qualquer lugar.

As usinas termelétricas também produzem uma quantidade de energia muito maior e superior às hidrelétricas, elas ocupam menos espaço e são obras relativamente mais simples.

No entanto, quando se ouve que há estiagem e as termelétricas serão ligadas para suprir a demanda energética, o brasileiro já sabe que terá que colocar a mão no bolso pois a conta de luz virá bem mais alta que o comum. Então, por quê?

Como é produzida a energia termelétrica

É definida como usina termelétrica qualquer instalação que produza energia a partir da geração de calor. Se está gerando calor para produzir energia, podemos chamar de termelétrica. E, por assim dizer, a atual forma de energia nuclear também é termelétrica.

A usina termelétrica, que geralmente queima combustível fóssil, produz calor através desse processo. Esse calor irá aquecer caldeiras de água que irão produzir vapor de alta pressão.

Uma vez gerado o vapor, este é redirecionado com precisão e move as pás das turbinas do gerador, produzindo, deste modo, a energia elétrica. 

Por que é tão cara

No Brasil, a energia termelétrica é produzida principalmente a partir do petróleo, com o óleo diesel e óleo combustível, e a partir do carvão mineral e do gás natural.

Combustível caro

Notavelmente, esses combustíveis são muito mais caros do que um reservatório de água de uma hidrelétrica. Uma vez utilizada a água de uma hidrelétrica, essa mesma poderá ser reaproveitada.

No caso do combustível fóssil, ele é um recurso natural não renovável. Ou seja, uma vez usado, não poderá ser utilizado novamente. Isso faz com que as usinas sempre tenham que 

comprar o combustível para manter a operação ativa.

Além disso, fatores nacionais e internacionais influenciam no preço dos combustíveis fósseis, como é o caso do petróleo. Qualquer instabilidade internacional pode modificar o valor da commodity e, consequentemente, seus derivados.

Fatores ligados à logística de transporte desses combustíveis também devem ser agregados ao preço final para a produção da energia.

Estruturas antigas

Outra questão importante é que a grande maioria das usinas termelétricas brasileiras são da década de 50 e 60 e já deveriam estar fechadas. Por uma série de fatores, principalmente políticos, isso ainda não ocorreu.

Essas estruturas, embora operantes, geralmente são arcaicas e usam tecnologia arcaica. Isso faz com que o potencial energético explorável dos combustíveis, que poderia ser explorado com uma tecnologia mais moderna, não seja aproveitado.

Dessa forma, uma usina que poderia gerar mais consumindo menos, acaba por ter sua operação menos eficiente e com maiores gastos. Todos esses fatores citados são causa da energia termelétrica ser cara no Brasil.

Como influencia na conta de luz

Com a estiagem no ano de 2021 e os reservatórios em baixa, as termelétricas foram acionadas e as consequências, como é óbvio, uma hora ou outra, chegam ao consumidor final – pessoas e empresas. 

O que já havia surpreendido a todos, a bandeira tarifária vermelha fase 2 – uma novidade que entrou em vigor desde julho deste ano -, já dará lugar a uma nova taxa de cobrança, que foi anunciada no dia 31 de agosto.

Chamada de “bandeira tarifária crise hídrica”, ela acrescentará uma cobrança na fatura dos brasileiros de R$ 14,20 a cada 100 kW/hora que for consumido. Isso representa um aumento de quase 50% em relação à bandeira anterior. 

Segundo o governo, essa medida ficará vigente até 30 de abril de 2022. Tudo isso, tem por objetivo custear o valor do acionamento e operação dessas usinas, que já pode chegar, ainda neste ano, a estonteantes 9 bilhões de reais.

Dicas de economia

Há algumas saídas para evitar o consumo excessivo e desnecessário. Para pessoas físicas, a recomendação é sempre muito prática.

Retirar da tomada aparelhos que não estejam em uso, diminuir o tempo sob o chuveiro – isso também ajudará em relação à crise hídrica -, e procurar manter seu sistema doméstico de energia sempre em ótimas condições devem ajudar a economizar.

Para aqueles que são donos de empresas, indústrias ou atuam no agronegócio, procurar sempre tecnologias de ponta, com menor consumo energético, trará excelentes economias a médio e longo prazo. 

Outra solução poderá ser investir na compra ou no aluguel de gerador elétrico, em painéis solares e turbinas eólicas para reduzir os gastos enquanto as termelétricas estiverem em operação.

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