A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo sediou, na tarde desta sexta-feira (24), um ato solene que homenageou o projeto Kids Save Lives Brasil, que ensina crianças, adolescentes e adultos a lidar com emergências de saúde. Formado por professores e estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), o grupo atua, principalmente, em escolas públicas no estado e capacita pessoas a encarar situações de Acidente Vascular Cerebral (AVC), infarto agudo do miocárdio e engasgo.

“É um trabalho que salva vidas, que defende a saúde pública e que deve ser incorporado pelo Estado, precisa virar uma política pública. Vamos trabalhar para que esse projeto de vocês seja incorporado na política educacional do estado. Vocês precisam de um orçamento robusto de tal forma que o projeto seja implantado em todas as escolas estaduais e municipais”, defendeu o deputado Carlos Giannazi (Psol).

Solicitante do evento, o parlamentar é também autor do Projeto de Lei 310/2019, que institui, no Estado de São Paulo, a “Semana Crianças Salvam Vidas – Kids Save Lives Brasil”, de capacitação em situações de infarto, AVC e engasgo nas escolas do Estado. Giannazi ainda destacou a existência da Lei Federal n° 13.722, que obriga a capacitação em noções básicas de primeiros socorros de professores e funcionários de estabelecimentos de ensino.

O projeto

Iniciado em 2017, o projeto Kids Save Lives Brasil já capacitou mais de 12,7 mil pessoas em oito municípios diferentes do estado. A professora da FMUSP e coordenadora nacional do programa, Naomi Kondo Nakagawa, destaca que a existência de um cidadão treinado em ressuscitação aumenta em 2 a 4 vezes a chance de sobrevida do paciente.

“É um treinamento, uma capacitação, uma difusão de conhecimento para a sociedade. É um serviço público que a USP presta para o estado, então é a concordância entre a Educação, a Saúde e o Poder Legislativo. É a importância de trazer a educação em saúde para as escolas públicas e para os nossos estudantes”, disse Naomi, que é representante do Brasil no Comitê Internacional de Ressuscitação Cardiopulmonar.

Ainda segundo a professora, entre 20% a 30% das mortes podem ser associadas a paradas cardiorrespiratórias, AVCs e engasgos fora do ambiente hospitalar. Isso motivou um grupo de professores a levar esses conhecimentos de suporte básico de vida para as escolas do estado.

“Alguns professores, funcionários ou alunos da escola vão à Faculdade de Medicina e, lá, é treinada. Em seguida, essas pessoas, junto com estudantes da Faculdade, serão os instrutores dos colegas dentro da escola. É o ensinar para aprender”, completou Naomi.

Tempos depois de sua criação, o projeto virou uma disciplina dentro da FMUSP. “Envolvemos os alunos da graduação de Fonoaudiologia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Enfermagem, que participam desse projeto, aprendendo como ensinar as crianças a fazerem o suporte básico de vida. Ensinamos os alunos a treinar a população”, contou a também professora da FMUSP e coordenadora do projeto, Maria Carmona.

Confira mais imagens do evento:

Resultado

“O essencial é o treinamento da população para que ela saiba, primeiramente, reconhecer a situação de emergência e, depois, saber o que fazer até que chegue o serviço médico de emergência ou um serviço médico especializado”, explicou Naomi Kondo. Esse reconhecimento da situação foi essencial para que seis pessoas treinadas pelo Kids Save Lives Brasil pudessem salvar a vida de um familiar.

A professora e diretora Benedita Azevedo compareceu ao evento e deu seu relato de como salvou a vida de sua neta. Ela contou que percebeu, ao ver o rosto avermelhado de sua neta de apenas dois anos, que ela havia engolido um objeto e estava ficando sem ar.

“Nós que fomos treinados pelo projeto temos tanta segurança, que, na hora, eu olhei e percebi que ela estava engasgada. O treinamento é tão potente, que tudo que aprendemos vem à mente muito rápido e, imediatamente, coloquei ela em meu braço e fiz as manobras que fizeram com que ela cuspisse o objeto”, relatou Benedita.

Ao final do evento, professores e alunos que construíram o projeto ao longo dos seis anos de existência receberam placas de homenagem. No decorrer da reunião, ainda foi feita uma simulação de treinamento para uma situação de parada cardiorrespiratória.

Assista ao evento, na íntegra, na transmissão feita pela TV Alesp:

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