O projeto de instalação do Museu da Diáspora e dos Povos Originários da Paraíba, que está em fase de levantamentos e diagnósticos, ganhou destaque no evento “Conexões Afro-Atlânticas: História Pública e Memória da Escravidão”, realizado pelo Arquivo Nacional no Rio de Janeiro, nessa quinta-feira (23), para debater a memória da escravatura no Brasil e nas Américas, reunindo diversas autoridades e especialistas.

A iniciativa da instalação do referido projeto por parte do Governo da Paraíba, por meio da Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana (Semdh), foi o que motivou o convite ao Estado para participação no evento.  A diretora-geral do Arquivo Nacional, Ana Flávia Magalhães Pinto, Lonnie Bunch III, secretário do Instituto Smithsonian, e Keila Grinberg, historiadora do Projeto Passados Presentes e da Universidade de Pittsburgh e representantes da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, estiveram presentes entre os notáveis participantes do evento.

Na ocasião, a secretária da Mulher e da Diversidade Humana, Lídia Moura, participou de um evento reservado com representantes do Smithsonian, durante o qual apresentou detalhes do pré-projeto e informações sobre as etnias indígenas, ciganas, comunidades quilombolas e as políticas públicas direcionadas a essas comunidades na Paraíba. Este encontro contou com a presença de representantes do Ibase, da EBC, do Instituto Marielle Franco, da UFRJ e de importantes personalidades como Elisa Larkin, Wania Santana, Ivanir dos Santos, Helena Thedoro, professora da UFRJ e Raquel Barreto, curadora-chefe do Museu de Arte Moderna.

“Participar do evento ‘Conexões Afro-Atlânticas’ reforça a importância de parcerias internacionais para o desenvolvimento de projetos culturais e históricos no nosso estado. A possibilidade de apoio e colaboração com instituições como o Smithsonian pode ser um grande impulsionador para a concretização do Museu da Diáspora e dos Povos Originários da Paraíba, fortalecendo a preservação e valorização da nossa herança cultural”, afirmou a secretária Lídia Moura.

Um dos temas debatidos no Conexões Afro-Atlânticas foi a continuação das buscas por mais vestígios do navio “O Camargo”, embarcação escravista que trouxe 500 africanos ao Brasil e foi afundada pelo próprio capitão próximo a Bracuí, na região de Angra dos Reis, Rio de Janeiro. Atualmente, as buscas pelo barco são realizadas por mergulhadores. Caso a embarcação seja encontrada, os pesquisadores poderão aprofundar os estudos sobre sua história.

Para a coordenadora-geral de Articulação de Projetos e Internacionalização do Arquivo Nacional, Mônica Lima, o Arquivo Nacional tem uma longa trajetória de divulgação científica, possibilitando que outras histórias sejam contadas. “A história pública é uma luta por direitos. Estamos vivendo um momento de compartilhar reflexões sobre história pública no processo de reconhecimento da luta pelo direito à fala, à escuta, à escrita, à memória e à história, sobretudo por parte de um público longamente invisibilizado. Ela é produzida não para o público, mas com o público e, mais recentemente, reconhecida pelo público. Essa é a chave que estamos virando nessa construção histórica”, afirmou.

Além das discussões sobre a importância da memória da escravidão e da reparação histórica, o debate também abordou o papel do negro no comando de institutos históricos. Lonnie Bunch III, primeiro afro-americano e historiador a dirigir o Instituto Smithsonian, destacou suas perspectivas ao liderar e coordenar um dos mais renomados complexos de pesquisa histórica no mundo. “Sou o primeiro negro a comandar o Smithsonian, que, por algum tempo, concordava com teorias racistas e não contava a história afro-americana. Quero mostrar que, atualmente, somos um lugar diferente. Também sou o primeiro historiador a comandar o instituto e isso traz uma nova visão para contextualizar que a história não é sobre o passado, mas sobre o presente e o futuro. O meu objetivo é fazer a instituição ajudar o país a confrontar seu passado e encarar essa questão daqui para frente”, explicou.

Assim como Lonnie, Ana Flávia Magalhães Pinto, diretora-geral do Arquivo Nacional, também é a primeira mulher negra a comandar a instituição. Ela falou das dificuldades dessa posição e dos trabalhos coletivos do Arquivo Nacional para abranger as populações minoritárias. “Precisamos fazer um processo de mudança. Eu estou em um país acostumado com o subdimensionamento e a subvalorização de populações negras, povos indígenas, mulheres e comunidade LGBT, e isso tem gerado resistência. Por isso, aposto na ação coletiva, já que ainda precisamos de muitas ações para superar o vício do racismo como patrimônio nacional”, disse.

O evento também contou com a participação de Martha Abreu, pesquisadora do Passados Presentes, da Universidade Federal Fluminense e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro; Marilda de Souza Francisco, líder do Quilombo Santa Rica do Bracuí; Paul Gardullo, diretor do Centro de Estudos sobre Escravidão do Smithsonian; Luís Felipe Freire Dantas Santos, pesquisador do AfrOrigens, e Aline Montenegro Magalhães, historiadora do Museu Paulista da Universidade de São Paulo.

 

 

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Com informações do Governo do Estado de Paraíba

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