Os desafios enfrentados por mulheres que ocupam cargos de liderança em ambientes institucionais foram pauta, nesta quarta-feira (3), de um dos debates propostos pelo Fórum da Liderança Sindical Feminina, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). “Nós não podemos nos amedrontar, precisamos enfrentar desafios e ocupar mais espaços. As mulheres têm uma força única para isso”, afirmou a diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Margarete Coelho, que destacou a atuação feminina como mais inclusiva, criativa e inovadora.

Ela ressalta que os espaços públicos sempre foram negados às mulheres, porque “o patriarcado ainda impera muito”. “Se nós não tivermos cooperação do homem, para que ele caminhe mais para dentro de casa, uma divisão justa da tarefa doméstica, nós não vamos conseguir ocupar os espaços institucionais”, diz.

De acordo com a diretora do Sebrae, essa lacuna também está na política. “São 18% de mulheres na Câmara Federal, mas 41% das leis que foram aprovadas na legislatura passada, tiveram a relatoria, de mulheres”, ressalta.

Para ela, essa constatação demonstra que as mulheres precisam fazer um esforço muito maior para serem reconhecidas. “Se as instituições não se comprometerem, não forem parte disso e não tomarem a inclusão da mulher como um dever, nós vamos ficar sempre remando contra a maré”, afirma.

Segundo Margarete, o Sebrae “é um canhão de possibilidades”, dentre as quais o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe). No entanto, ela reforça que a liberação do crédito é feita através das instituições financeiras e os relatos são de que as mulheres não estão tendo acesso ao recurso.

“Nós criamos uma gerência no Sebrae para cuidar disso, de empreendedorismo feminino. Para dizer a essas instituições financeiras que emprestem para as mulheres. Vamos trazer vantagens, porque trabalhar com cota não adianta mais. A gente agora precisa trabalhar com meta, que é o que o banco entende”, Margarete Coelho, diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional.

A diretora informa que já existem leis em tramitação no Congresso Nacional nesse sentido e comenta da necessidade de um “protocolo de atendimento para as mulheres” para que sejam bem atendidas, acolhidas e vistas, também pelos gestores homens. “As mulheres são excelentes pagadoras e isso deve ser um atrativo para as instituições financeiras”, pontua.

Margarete Coelho complementa dizendo que a sub-representatividade e desigualdade salarial que afetam as mulheres são problemas da sociedade. “E se é um problema da sociedade, é um problema de todos. As instituições precisam entender que trabalhar igualdade de gênero não é papo de mulher”, conclui.

Ela participou da mesa com a superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e vice-Presidente do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), Tania Zanella, e com a representante da Embrapa, Cibele Silva, sob mediação da assessora de Relações Institucionais da CNA, Mirian Vaz.

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Com informações do SEBRAE

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