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Especialista explica o que a legislação brasileira permite — e quais estratégias legais podem ser usadas para proteger o patrimônio e estimular a autonomia dos herdeiros.



Quando o assunto é herança, a maioria das pessoas imagina que filhos de celebridades e bilionários já têm o futuro garantido. No entanto, alguns nomes conhecidos do público surpreenderam ao declarar que seus filhos não terão acesso automático às suas fortunas milionárias. Para eles, a ideia é ensinar os herdeiros a conquistar seu próprio espaço — e não apenas herdar um patrimônio robusto sem esforço.



Quem são os famosos que não vão deixar herança?



Ronaldo Fenômeno

O ex-jogador já declarou que pretende destinar sua fortuna à Fundação Fenômenos, voltada para projetos sociais. Seu primogênito, Ronald, contou em entrevista: “Meu pai brinca que não vai deixar nada para mim e meus irmãos. Eu acho legal saber que tenho que correr atrás do meu.”



Ashton Kutcher e Mila Kunis

Com uma fortuna estimada em R$ 1,4 bilhão, o casal decidiu que seus filhos, Wyatt Isabelle e Dimitri Portwood, deverão aprender a batalhar pelo próprio dinheiro. “Nosso dinheiro vai para caridade”, disse Kutcher em entrevista ao podcast Armchair Expert.



Gretchen

A rainha do rebolado, mãe de sete filhos, já declarou que não pretende deixar fortuna para ninguém. “Sou de gastar e não guardo nada. Sempre falo para meus filhos: trabalhem, porque eu vou gastar tudo antes de morrer.”



Jackie Chan

O astro das artes marciais, dono de uma das maiores fortunas de Hollywood, também já anunciou que não vai deixar seus bens para o filho Jaycee Chan. “Se meu filho for capaz, ele pode ganhar o próprio dinheiro. Caso contrário, estarei desperdiçando o meu.”



Mark Zuckerberg

O CEO da Meta e sua esposa, Priscilla Chan, já afirmaram que doarão 99% da riqueza da família para projetos sociais. “Queremos que nossas filhas cresçam em um mundo melhor do que o nosso”, disse Zuckerberg em 2015, quando nasceu sua primeira filha. Hoje, o casal tem três: Maxima, August e Aurelia.



Roberto Cabrini

O renomado jornalista também declarou que seus filhos não devem contar com um testamento recheado. Sua filha, Gaby Cabrini, chegou a criticar publicamente a decisão: “Quem pensa assim tem dor de cotovelo. Eu sou contra essa ideia de não deixar nada para os filhos.”



O que diz a lei brasileira sobre herança?

De acordo com a advogada Maria Clara Mapurunga, especialista em Direito de Família e Sucessões, no Brasil não é possível simplesmente cortar os filhos do testamento.



“A ideia de não deixar nada para os filhos pode até parecer uma decisão pessoal, mas, no Brasil, a lei protege os chamados herdeiros necessários, como filhos, cônjuges e pais. Ou seja, existe uma parte da herança da qual o testador não pode abrir mão”, explica.



Pelo Código Civil, 50% do patrimônio de uma pessoa falecida deve obrigatoriamente ser destinado aos herdeiros necessários. Essa parte é chamada de legítima. Já os outros 50% podem ser destinados livremente — inclusive para instituições de caridade, amigos ou outras pessoas que não façam parte da família.



Estratégias legais para equilibrar desejo e obrigação

A especialista reforça que, mesmo com esses limites, é possível criar estratégias para alinhar a vontade dos pais e a proteção do patrimônio:



Holdings familiares: permitem organizar os bens como uma empresa, facilitando a sucessão e possibilitando regras de administração e acesso ao patrimônio.



Doações em vida com cláusulas restritivas: garantem que os bens doados não possam ser vendidos, penhorados ou misturados ao patrimônio de um cônjuge.



Testamentos personalizados: permitem definir a destinação da parte disponível e até incentivar comportamentos dos herdeiros com cláusulas condicionais.



A decisão de não deixar herança não é apenas uma excentricidade de celebridades. Ela abre espaço para uma discussão importante: como preparar as próximas gerações para lidar com dinheiro e patrimônio de forma responsável.



“É legítimo querer que os filhos aprendam a conquistar seu próprio espaço. Mas isso deve ser feito com orientação jurídica adequada, para que o desejo dos pais não esbarre na ilegalidade ou gere disputas judiciais entre familiares”, reforça Maria Clara.



Num cenário em que famílias acumulam fortunas cada vez maiores e as estruturas familiares se tornam mais complexas, o planejamento sucessório deixou de ser opção para se tornar necessidade.

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