Governos e indústrias estão apostando em reciclagem para ajudar a conter a crise global do lixo. Contudo, alternativas sustentáveis também apresentam desafios. 

Um deles é garantir que o insumo utilizado em embalagens seja seguro para o contato com produtos alimentícios e bebidas, de acordo com o novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO.

Epidemia de resíduos

O texto foi lançado em meio à expansão do setor de embalagens para consumo, com projeção de movimentar U$ 815 bilhões até o fim da década.

Esses recipientes podem ajudar a preservar a qualidade dos itens perecíveis. Porém, o uso generalizado de polímeros sintéticos contribui para uma epidemia global de resíduos plásticos. 

Embora menos de 10% do que é produzido seja reciclado, os incentivos ao reaproveitamento levantam questões sobre a segurança química de produtos de consumo humano.

Para a diretora da Divisão de Sistemas Agroalimentares e Segurança Alimentar da FAO, Corinna Hawkes, não é viável solucionar o problema comprometendo a segurança alimentar. 

Unsplash/Killari Hotaru
Garrafas plásticas são coletadas para reciclagem

Protegendo o meio-ambiente e a saúde pública

A procedência de materiais reciclados, que podem conter nanomateriais, pesticidas e alérgenos em suas composições, são um dos fatores de preocupação da organização.

A ausência de métodos para identificação de compostos químicos limita a atuação de agências regulatórias e dificulta a padronização do comércio global, afirma o relatório.

O estudo defende processos de reciclagem capazes de eliminar de forma eficiente produtos químicos presentes em plásticos usados para o acondicionamento de alimentos. 

Redução do desperdício

Especialistas ressaltam que os plásticos reciclados aprovados para uso alimentar podem ser tão seguros quanto os plásticos virgens, desde que submetidos a rigorosos processos de limpeza, descontaminação e revisão regulatória. 

O relatório destaca que a adoção de padrões industriais facilita avaliações de risco e ajuda os países a avançar nos esforços para reduzir o desperdício de plástico.

Os resultados desses debates contribuirão para a Comissão do Codex Alimentarius, um órgão intergovernamental criado em 1963 pela FAO e pela Organização Mundial da Saúde, OMS, para desenvolver normas, diretrizes e códigos alimentares internacionais.

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Com informações da ONU

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