A história da capoeira santista ganhará mais um importante capítulo internacional entre os dias 19 e 21 de junho, em Barcelona, na Espanha. Aos 85 anos, o ícone da modalidade, Mestre Sombra, referência mundial na disseminação da cultura afro-brasileira, e seu discípulo, o contramestre Ricardo Santos, técnico da equipe de capoeira da Fundação Pró-Esporte de Santos (Fupes), representarão a Associação de Capoeira Senzala de Santos e a Cidade no encontro internacional “Diálogo de Gerações”.
O evento reunirá mestres, contramestres, professores, formados e alunos de diversos países para três dias de vivências, rodas, debates e troca de conhecimentos, fortalecendo os laços entre diferentes gerações e reafirmando a capoeira como instrumento de educação, identidade cultural e integração entre povos.
A participação santista possui significado especial. Mestre Sombra retorna à Europa e Ricardo faz sua primeira viagem internacional para reencontrarem dois nomes da capoeira formados na tradicional academia Senzala de Santos: os mestres Ediandro de Almeida e Beija-Flor, responsáveis por difundir a cultura afro-brasileira em Barcelona e transformar a cidade espanhola em um dos polos de valorização da capoeira no continente europeu.

Recentemente, a Associação de Capoeira Senzala celebrou 50 anos de história, consolidando-se como uma das instituições mais importantes da modalidade no País e reforçando o reconhecimento da capoeira como patrimônio cultural e esportivo de Santos. Cidade reconhecida mundialmente por revelar grandes nomes da música, da arte e do esporte brasileiro, Santos continua mostrando ao mundo que sua força também está presente na cultura popular.
Assim como o futebol projetou internacionalmente talentos da Baixada Santista, a capoeira segue formando representantes que levam a identidade brasileira para além das fronteiras.
Para Ricardo Santos, a viagem simboliza o encontro entre tradição e renovação dentro da capoeira. “O Mestre Sombra, com 85 anos de sabedoria e muita experiência, retorna à Europa como guardião da ancestralidade”, enfatiza.
“Cada passo seu carrega décadas de lutas, vivências e resistência. Ele não leva apenas movimentos; leva fundamentos, mandinga, filosofia e valores construídos ao longo de uma vida. Mestre Sombra é uma verdadeira biblioteca viva da cultura afro-brasileira”, destaca.

Coordenador da seleção de capoeira da Fupes e presidente da Associação de Capoeira Senzala, Mestre Sombra mantém intensa atuação, acompanhando equipes em competições como os Jogos Regionais e Jogos Abertos do Interior, além de seguir transmitindo conhecimentos para novas gerações.
“É Santos levando a força da nossa cultura para o mundo. É a capoeira da Baixada Santista ecoando nas ruas das cidades da Espanha. É raiz brasileira fincada em solo europeu, provando que capoeira é patrimônio vivo: resistência que não se rende, educação que forma caráter e união que derruba fronteiras”, diz Mestre Sombra.

Ele ressalta que encontros como o “Diálogo de Gerações” evidenciam a dimensão que a capoeira alcançou no cenário internacional. “A capoeira ultrapassou há muito tempo os limites da luta ou do esporte. Hoje ela é diplomacia cultural, memória ancestral, ferramenta educativa, resistência social e patrimônio vivo da cultura brasileira no mundo”, complementa.
PRIMEIRA VIAGEM
Vivendo sua primeira experiência internacional, Ricardo Santos destaca a importância do aprendizado proporcionado pelo intercâmbio cultural.
“É o ciclo se renovando. O mestre planta, o discípulo colhe e semeia. Essa viagem representa um divisor de águas. É a oportunidade de trocar experiências com outros mestres, vivenciar rodas em diferentes países e trazer novos conhecimentos para compartilhar com nossos alunos. É a nova geração assumindo o compromisso de manter essa chama acesa”, fala.

Segundo Ricardo, a missão vai além da participação em um evento internacional. “É mostrar ao mundo que Santos não exporta apenas futebol e porto. Leva cultura, identidade e resistência. Representamos a continuidade de uma linhagem construída dentro da Capoeira Senzala de Santos. Levamos à Europa a experiência, o saber e a essência de uma tradição que nasceu nas ruas, nos bairros e nas rodas da Baixada Santista”.
TÉCNICO E ATLETA
Técnico da equipe de Santos desde 2022, Ricardo ainda segue como competidor, trajetória iniciada em 2013, e se orgulha do que alcançou.

“Sou o atleta com mais medalhas na história da capoeira em Santos pela Fupes na atualidade. Temos alcançado os melhores lugares nos Jogos Abertos e Regionais e agora teremos um novo desafio em Praia Grande logo após a viagem para a Europa. Estamos nos preparando para conseguir se manter no topo”, afirma Ricardo Santos.
Esta iniciativa contempla o item 3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Saúde e Bem-Estar. Conheça os outros artigos dos ODS.
source
Com informações da Prefeitura de Santos




