A Assembleia Legislativa de So Paulo recebeu, nesta sexta-feira (29), mais de 100 parlamentares mulheres – entre vereadoras, deputadas estaduais e deputadas federais – de todo o Brasil para um encontro da Rede Enxame. O evento faz parte da abertura do 2 Festival MEL – Mulheres em Luta, que tem programao at este domingo no Cambuci.
Com o objetivo de unir formao e articulao poltica, a abertura do festival debateu o impacto da misoginia e da inteligncia artificial no ambiente online, junto com uma roda de conversa voltada a estratgias de cuidado e fortalecimento de seus mandatos.
A deputada Paula da Bancada Feminista (Psol) ressaltou que a articulao coletiva entre mulheres uma ferramenta fundamental para enfrentar a violncia poltica de gnero. “O dio contra as mulheres uma prtica de violncia que serve para nos parar e desestimular. Mas, juntas, criamos uma rede que nos torna ainda mais fortes para enfrentar esses desafios”, disse.
A parlamentar tambm destacou que a mobilizao conjunta da Rede Enxame tem possibilitado a apresentao de propostas legislativas em diferentes casas legislativas do pas de forma unificada. Segundo a deputada, j foram realizados quatro protocolaos nacionais em apenas um ano. Na Alesp, uma das iniciativas resultantes desse esforo coletivo foi a criao do selo Empresa Amiga do Cuidado. “Atuar em rede, atuar em massa tambm uma forma de nos fortalecer”, disse a deputada.
Misoginia digital
A pesquisadora Marie Santini, fundadora e diretora do NetLab (Laboratrio de Estudos de Internet e Redes Sociais da UFRJ), apresentou pesquisas que reforam a preocupao com os impactos da violncia digital sobre a participao feminina na poltica.
Segundo Marie, existe uma cultura de misoginia nas redes sociais que movimenta recursos financeiros, alcana milhes de usurios e influencia especialmente jovens eleitores. Atualmente, 80% dos canais misginos no Youtube tm pelo menos um recurso de monetizao ativo.
Alm disso, mulheres que ocupam espaos pblicos, como parlamentares e jornalistas, so alvos preferenciais de ataques, difamaes e ameaas. De acordo com o levantamento, mulheres na poltica sofrem 44% mais ataques do que homens, enquanto entre jornalistas o ndice chega a 73%.
“Esse cenrio cria barreiras concretas entrada e permanncia das mulheres na vida pblica”, alertou Marie. Ela defendeu a regulamentao das plataformas digitais, com regras que garantam transparncia e permitam o acompanhamento das atividades por rgos fiscalizadores, imprensa e sociedade civil.
A pesquisadora tambm destacou que estudos produzidos por universidades e organizaes da sociedade civil tm contribudo para decises judiciais e aes de combate violncia poltica de gnero. “Ter informaes que deem sustentao s nossas denncias polticas imprescindvel”, afirmou.
Conexes
A troca de experincias entre lideranas femininas de diferentes regies do estado foi apontada pelas participantes como um dos principais resultados do encontro. Entre elas, a vereadora de Salto, no interior de So Paulo, Dra. Grazi Costa. Ela destacou que esses momentos ajudam a mostrar que os desafios enfrentados por mulheres na poltica se repetem em diferentes contextos.
“O que ns sofremos muito parecido, o que muda so as siglas, o estado, s vezes a cultura, mas o mesmo sentimento”, afirmou. Segundo a vereadora, o evento funciona como um espao de aprendizado, renovao e fortalecimento coletivo. “Vim aqui para aprender e levar um pouco mais de ideias, levar essa fora, essa energia, essa vontade de fazer muito mais para a sociedade. Para mim, aqui renovar as energias”, disse.
Lanamento
Ao final do evento teve o lanamento da pesquisa “Mulheres ameaadas no Brasil: dos feminicdios s cassaes de mandatos (2015-2025)” do instituto E Se Fosse Voc? – fundado pela ex-deputada federal e jornalista Manuela d’vila (Psol).
“Ns precisamos que os parlamentos reajam institucionalmente e no aceitem ter entre os seus quadros pessoas que violentam mulheres, seja no discurso ou seja na prtica. Esse precisa ser um pacto do Brasil”, afirmou a jornalista.
Ao ser questionada sobre como evitar o desestmulo participao feminina na poltica diante do cenrio atual, Manuela destacou que o instituto foca em criar redes de proteo mtua enquanto os rgos pblicos falham. “Enquanto o Brasil aceitar representantes homens que agridem mulheres, acham graa da violncia poltica, lucram eleitoralmente e financeiramente com dio, continuaremos desencorajando novas candidaturas”, alertou.
Assista ao evento, na ntegra, na transmisso feita pela TV Alesp:
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Com informações da Assembleia Legislativa de São Paulo




