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A Prefeitura de Barueri, por meio da Secretaria da Mulher, realizou nesta quarta-feira, dia 12, no Centro de Eventos, um encontro em celebração aos 20 anos da Lei Maria da Penha. A atividade integrou a programação do Agosto Lilás e reuniu autoridades, especialistas, representantes de municípios da região e integrantes do Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de São Paulo (Cioeste).
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Punição é necessária, mas não basta
A juíza Daniela Nudeliman Guiguet Leal, titular da 2ª Vara Cível de Barueri, coordenadora do Centro Judiciário de Solução Consensual de Conflitos (Cejusc) e do Núcleo Judiciário de Justiça Restaurativa da Comarca de Barueri, abriu o debate apresentando dados que mostram a dimensão do problema.
Entre os números citados estão os 1.492 feminicídios registrados no Brasil em 2024, o aumento das tentativas de feminicídio e dos casos de stalking, além de 100 mil medidas protetivas descumpridas oficialmente no mesmo ano.
A magistrada explicou que vítimas e autores da violência apresentam diferentes perfis e condições. Por isso, segundo ela, cada caso precisa ser analisado de acordo com suas características.
O cuidado deve alcançar também os filhos que convivem com a violência dentro de casa, muitas vezes sem que sua própria experiência seja considerada.
Daniela apresentou quatro dimensões que precisam ser consideradas: individual, relacional, estrutural e cultural. Elas envolvem o atendimento à mulher, ao homem e às crianças; as relações familiares; as condições materiais que podem dificultar a saída de uma situação de violência; e os padrões culturais que naturalizam comportamentos de controle e agressividade.
Entre as estratégias citadas estão os grupos reflexivos, que oferecem espaços de escuta e troca para ajudar as mulheres a compreender suas experiências e romper padrões, além de ações voltadas aos homens autores de violência e às crianças e aos adolescentes expostos a esse ambiente. “As pessoas mudam quando entendem o que precisam transformar.”
Autonomia para recomeçar
A independência financeira também foi destacada como parte importante desse processo. Para mulheres que dependem economicamente do agressor, ter acesso a emprego, renda e moradia pode ser decisivo para conseguir deixar uma relação violenta.
A partir dessa perspectiva, o atendimento precisa considerar as condições de vida de cada mulher e conectar diferentes serviços para que ela tenha condições de reconstruir sua trajetória.
Municípios unidos pela proteção
O segundo painel trouxe a experiência de atuação regional. Secretária da Mulher, Direitos Humanos e Neurodiversidade de Cotia e coordenadora interina da Câmara Técnica da Mulher do Cioeste, Solange Aroeira falou sobre a cooperação entre os 13 municípios que integram o consórcio.
Ela explicou que as cidades possuem estruturas e recursos diferentes e que a atuação conjunta permite compartilhar experiências, identificar problemas comuns e desenvolver soluções que possam beneficiar mulheres de toda a região. “A gente não tem apenas um espaço de diálogo, mas sim de execução de políticas públicas.”
A Câmara Técnica da Mulher também contribui para fortalecer a estruturação dos serviços e aproximar os municípios na busca por respostas para demandas que ultrapassam os limites de cada cidade.
Acolhimento em situações de risco
A Casa Abrigo atende mulheres em risco iminente de morte e sem rede de apoio. O endereço é sigiloso e o acolhimento inclui acompanhamento psicossocial, apoio aos filhos, inserção no mercado de trabalho e articulação com os serviços do município de origem. A permanência é de aproximadamente 180 dias, podendo ser ampliada conforme a necessidade.
Já a Casa de Passagem atende situações emergenciais e de transição, quando a mulher precisa de um local protegido, mas não está em risco iminente de morte. O período de permanência varia de 15 a 30 dias.
A possibilidade de acolhimento fora do município de origem também é uma estratégia de segurança, já que dificulta a localização da vítima pelo agressor. “É importante que ela vá para outro município, porque muitas vezes isso também é uma estratégia de segurança.”
Letícia explicou ainda que o encaminhamento pode ser feito pelos equipamentos especializados de cada cidade ou pela assistência social. Em situações emergenciais, a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Barueri, que funciona 24 horas, também atua como porta de entrada para esses casos na região.
Atendimento especializado em Barueri
Entre os encaminhamentos estão oportunidades de inserção no mercado de trabalho e outras iniciativas que contribuem para ampliar sua autonomia e apoiar a reconstrução da vida após a violência.
A programação também contou com a leitura do poema “Vozes de Coragem”, interpretado por Eliane Soares, aluna do Empodera Mulher, programa de formação oferecido pela Secretaria da Mulher. A obra é de Ivete Porfírio.
Na ocasião, também foram distribuídas flores artesanais confeccionadas pelas integrantes do Empodera Mulher, como parte do projeto “Flores de Lutas”, que faz referência à flor de lótus.
Da redação
Crédito da foto: Tatiane Zechetto/Secom Brasil
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Com informações da Prefeitura de Barueri
