A Guarda Civil Municipal (GCM) de Mongaguá promoveu, nos dias 29 e 30 de setembro, uma ação voltada à saúde mental e à valorização da vida com os profissionais da corporação. Realizada na sede da instituição, a atividade reuniu cerca de 30 profissionais dos plantões diurno e noturno, além da guarda patrimonial.
Conduzida pela comandante da GCM, Daiana Cristina Franzem Andrelo, a iniciativa fez parte da programação do Setembro Amarelo. Sob o tema “Quem cuida também precisa de cuidado”, o encontro buscou criar um espaço seguro para refletir sobre os desafios emocionais da segurança pública e incentivar a busca por apoio psicológico.
A apresentação abordou os fatores que tornam a rotina policial especialmente desgastante, como a exposição à violência, a pressão operacional, os riscos diários e a dificuldade de se desligar do trabalho após o expediente. Também foi discutida a tendência cultural da categoria em esconder sentimentos para não demonstrar vulnerabilidade.
“A nossa profissão é perigosa, exige muito do psicológico e envolve riscos constantes. Muitas vezes, nós vestimos a farda e dizemos que está tudo bem, quando por dentro não está. Precisamos romper essa barreira, aprender a identificar quando um colega está sofrendo e oferecer um ombro amigo, sem cobranças ou julgamentos”, destacou Daiana.
Dinâmicas e sinais de alerta
Durante o encontro, os guardas aprenderam a observar sinais de alerta, como isolamento social e mudanças repentinas de comportamento ou de rotina, reforçando que o sofrimento emocional não tem um perfil único. Para ajudar um companheiro de farda, a orientação baseou-se em três passos práticos: aproximar-se com respeito, ouvir ativamente (sem interromper ou minimizar a dor) e direcionar a pessoa ao suporte profissional.
A ação contou ainda com dinâmicas de grupo. Em uma delas, os profissionais externaram o que costumam acumular silenciosamente durante os plantões. Em outra, mapearam suas redes de apoio pessoal, incluindo lugares, hobbies e familiares. Houve também um exercício de escuta em dupla, no qual um agente relatava suas principais angústias profissionais enquanto o outro apenas ouvia, exercitando a empatia sem oferecer soluções imediatas.
Segundo a comandante, essas dinâmicas criaram um ambiente acolhedor e mostraram a importância de fortalecer os laços internos. “Ninguém precisa carregar o peso do mundo sozinho. Queremos construir uma instituição mais humanizada, onde a escuta empática e o respeito mútuo façam parte do nosso dia a dia”, afirmou.
Diante do impacto positivo, a iniciativa terá continuidade. A ideia é realizar rodas de conversa periódicas, a cada um ou dois meses, criando pausas na rotina operacional para descompressão e fortalecimento dos vínculos da tropa.
A importância do cuidado na Segurança Pública
A iniciativa da GCM de Mongaguá vai ao encontro de estudos da comunidade científica. Dados publicados pela Revista Brasileira de Segurança Pública (RBSP) reforçam que debater a saúde mental nas corporações é vital para mitigar riscos graves. O silêncio institucional muitas vezes é alimentado por um estigma de “virilidade” ou pelo medo de retaliações na carreira.
A literatura científica aponta que a falta de suporte emocional propicia cenários como o absenteísmo (afastamentos médicos frequentes) e o presenteísmo (quando o agente está fisicamente no posto, mas sem condições psicológicas de atuar). Ambos os fenômenos elevam os riscos de acidentes de trabalho, retrabalho e conflitos internos. Discutir o tema abertamente humaniza a instituição e protege a integridade do guarda, de sua família e da sociedade.
Como buscar ajuda?
Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento de sofrimento emocional ou precisa de apoio psicológico, procure ajuda no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do município ou ligue para o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo número 188 (ligação gratuita, sigilosa e disponível 24 horas por dia).
(Fotos: GCM Mongaguá)
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Com informações da Prefeitura de Mongágua
