Nicola Assisi e Patrick Assisi foram presos pela PF em Praia Grande, SP — Foto: Adriana Cutino/TV Tribuna

O juiz federal Roberto da Silva Oliveira converteu em preventiva a prisão dos italianos Nicola Assisi e Patrick Assisi, pai e filho, durante audiência de custódia no Fórum Federal de Santos, no litoral de São Paulo, nesta terça-feira (9). Os dois eram procurados internacionalmente por tráfico de drogas e serão extraditados do Brasil, segundo o Ministério da Justiça.

A partir dessa decisão, pai e filho respondem a duas prisões preventivas: a do Supremo Tribunal Federal (STF), para fins de extradição, e a decorrente do flagrante de armas, drogas e dinheiro em Praia Grande, onde ambos foram localizados na segunda-feira (8). A defesa nega o envolvimento deles com o crime e com a máfia italiana.

Os Assisi foram detidos na cobertura de um prédio de alto padrão na orla do bairro Aviação. Eles foram alvos da Operação Barão Invisível, coordenada pela Polícia Federal do Paraná. Contra eles havia mandados de prisão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após investigação internacional indicar ligação deles com o narcotráfico.

A audiência de custódia realizada nesta tarde é decorrente do flagrante no apartamento durante a operação. No local, ainda segundo a polícia, foram encontradas três armas, cinco quilos de cocaína e grande quantidade dinheiro. Como não houve justificativa da procedência dos ilícitos, o juiz plantonista decidiu pela conversão da prisão.

Italianos foram levados a Santos para audiência de custódia na Justiça Federal — Foto: Adriana Cutino/TV TribunaItalianos foram levados a Santos para audiência de custódia na Justiça Federal — Foto: Adriana Cutino/TV Tribuna

Italianos foram levados a Santos para audiência de custódia na Justiça Federal — Foto: Adriana Cutino/TV Tribuna

Defesa

A defesa de Nicola e Patrick Assisi tentou levar o caso para a justiça estadual, pois entendeu que o flagrante de tráfico não configurou crime internacional. “Pedimos a incompetência do juízo, pois configura tráfico doméstico de entorpecentes”, afirmou o advogado Bruno Galhardo. A droga, segundo ele, estava em um apartamento vizinho, também de propriedade dos dois.

O juiz entendeu que o caso deveria permanecer em esfera federal e o advogado, então, solicitou a liberdade provisória, uma vez que tinha residência fixa. Com a nova negativa, a Bruno diz que vai recorrer. “Vamos estudar agora o pedido de revogação da prisão [em instância superior] e até o habeas corpus” , explicou.

O advogado Bruno Galhardo também afirmou que vai entrar com procuração no STF para ter acesso aos autos que determinaram as prisões preventivas iniciais e assim traçar a estratégia da defesa. “Eles negam o tráfico e vão responder pelas armas encontradas em juízo. Eles também negam envolvimento com a máfia italiana”, disse.

Após a audiência, Nicola e Patrick retornaram para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, para onde foram levados após prestarem depoimentos na Delegacia da PF em Santos na noite de segunda-feira. O transporte dos dois mobilizou forte esquema de segurança da corporação, mas não houve incidentes.

PF localizou italianos em cobertura de luxo em Praia Grande, SP — Foto: Robyson Senhoraes/TV TribunaPF localizou italianos em cobertura de luxo em Praia Grande, SP — Foto: Robyson Senhoraes/TV Tribuna

PF localizou italianos em cobertura de luxo em Praia Grande, SP — Foto: Robyson Senhoraes/TV Tribuna

Investigação

Segundo a polícia, Nicola Assisi e Patrick Assisi pertencem ao grupo mafioso Ndrangheta, da região da Calábria, no sul da Itália. A organização é apontada como responsável por controlar aproximadamente 40% dos envios globais de cocaína à Europa, principal mercado consumidor. Eles atuavam em parceria com uma facção criminosa brasileira.

Pai e filho estavam em uma cobertura de luxo na orla da Aviação, em Praia Grande. Policiais do Grupo de Pronta Intervenção (GPI) cercaram a região pela manhã. No apartamento, além dos ilícitos, havia um compartimento secreto localizado no fundo falso de uma parede. O local poderia também ser utilizado como rota de fuga.

Grande quantidade em dinheiro foi encontrada em apartamento dos italianos — Foto: Divulgação/Polícia FederalGrande quantidade em dinheiro foi encontrada em apartamento dos italianos — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Grande quantidade em dinheiro foi encontrada em apartamento dos italianos — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Todo o material foi apreendido e levado junto com os presos a Santos, onde está a delegacia regional da PF. Nicola e Patrick eram alvos de mandados de prisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Representação da Polícia Federal junto à Interpol, em cooperação com a polícia italiana. Também foi feito o flagrante dos ilícitos.

Ainda de acordo com a polícia italiana, Nicola estava prestes a se aposentar do crime para aproveitar a vida em algum lugar no Brasil, onde ambos eram procurados desde 2014. A Interpol também estava atrás deles desde a ocasião. A suspeita é que pai e filho tenham viajado utilizando documentos falsos pela América Latina nos últimos anos.

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