OFICINA DE CRIAÇÃO LITERÁRIA DO FLI

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OFICINA DE CRIAÇÃO LITERÁRIA DO FLI

As oficinas oferecidas pelo Festival Literário de Iguape (FLI), já começaram. Na terça-feira e quarta, dias 09 e 10, na Biblioteca Pública Municipal, aconteceu o Módulo 1 da “Oficina de Criação Literária: Autoficção”. O Módulo 2 será oferecido nos dias 23 e 24 de abril.

O FLI é uma realização conjunta da Prefeitura de Iguape com o Governo do Estado, através das Oficinas Culturais, Programa da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, gerenciado pela Poiesis.

Ministrado pela escritora e doutoranda em Estudos Literários em Inglês pela USP, Eda Nagayama — finalista do Prêmio São Paulo de Literatura 2016, com o livro Desgarrados —, a oficina em seu 1º módulo trabalhou com narrativas que podem ser construídas a partir de elementos simples, como por exemplo: saudade, montanha, frio etc. Considerando o repertório comum e individual, os clichês – e principalmente a intenção como autor.

A ideia do tema, uma escrita autoral, é tomar a experiência – própria ou alheia – mais íntima e individual, num momento em que individualidades são construídas nas mídias sociais, a autoficção pode ser uma maneira mais consciente, criativa e positiva dessa necessidade de reinvenção.

No módulo 1 foram 25 os inscritos. Como único requisito, a idade superior a 16 anos. A turma foi classificada como ótima pela oficineira Eda:

— “Gosto muito quando há esse mix instigante de pessoas – idades, experiências e opiniões distintas. Busco estabelecer um espaço de diálogo e escuta, onde as diferenças são bem-vindas e há abertura e acolhida para os exercícios e experimentações”.

Eda afirma que mais do que ter feito o módulo 1, importa ter vontade de experimentar e usar a escrita literária como forma de autoexpressão e criação. Para ela, não há bom escritor que não leia muito, portanto, para seguir a carreira literária é necessário treinamento, assim como qualquer atleta.

Para despertar o interesse na literatura e também para trabalhar com crianças menores, oficinas com exercícios que lidem com a imaginação, a sonoridade, jogos de palavras, assim como a prática da leitura e escrita são fundamentais.

Os textos produzidos na oficina farão parte de uma publicação a ser lançada durante o FLI, juntamente com o resultado das oficinas de crônica e poesia que serão realizadas em outros municípios. As oficinas foram divididas em dois módulos para que haja tempo para a produção e amadurecimento dos textos dos participantes.

Neste ano, além das oficinas, Eda Nagayama participará de uma conversa de lançamento de seu livro mais recente, “Yaser”, no FLI em Iguape, cidade que ainda não conhecia e achou fascinante.

“Yaser” é uma narrativa ficcional a partir do período que atuou como voluntária na Cisjordânia e que tem como pano de fundo os 50 anos de ocupação da Palestina por Israel.

Por fim, como conselho para os que pretendem tentar a carreira literária ela recomenda ler muito – bons e diferentes autores. Encontrar livros que não deem vontade de largar e que façam com que os personagens os acompanhem, que pensem neles como pessoas de verdade, além de sempre escrever e questionar muito sobre o que se quer dizer e qual a forma mais adequada de fazê-lo. E acrescenta:

— “Vale começar com um caderninho de notas e observações, um diário, cartas. Não faltam histórias nem personagens interessantes no mundo, mas o que te interessa, quem chama tua atenção? Como são essas pessoas? Como elas se movem e o que as move no mundo?”.

Quem não participou do Módulo 1 poderá se inscrever e participar do Módulo 2, sem dificuldades.

Para se inscrever no módulo 2 é só comparecer até a Biblioteca Pública Municipal – Rua Major Moutinho, 200 – Beira do Valo – Iguape, até o dia 23 de abril.

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