PR de Cabo Verde pede “esforço adicional” para reduzir contágio na Praia

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O Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, pediu hoje um “esforço adicional” a todas as autoridades e à sociedade civil para reduzir “de forma relevante” os números de contágio da covid-19 na cidade da Praia no próximo mês.

O que eu espero é que se faça um esforço adicional por parte de todos, das autoridades de saúde, das demais autoridades, dos cidadãos da Praia, das associações, de cada um de nós que está aqui na cidade da Praia, para, além do resto do país, nós consigamos, neste compasso de espera, reduzir de forma relevante os números que nós temos neste momento”, pediu Carlos Fonseca.

O chefe de Estado cabo-verdiano falava, na cidade da Praia, durante uma visita ao estúdio de gravação do programa educativo “Aprender e estudar em casa”, desenvolvido pelo Ministério da Educação desde o terceiro trimestre do anterior ano letivo em alternativa ao encerramento das escolas, em 20 de março, para impedir a transmissão da doença no arquipélago.

Enquanto o resto do país vai ter em simultâneo aulas presenciais e à distância, na cidade da Praia o regresso dos alunos às escolas foi adiado para “depois de 31 de outubro” devido à evolução da pandemia de covid-19 na capital cabo-verdiana, ficando apenas com as “tele-aulas”.

Cabo Verde regista um acumulado de 5.900 casos de covid-19 desde 19 de março, com 59 óbitos, dos quais 3.546 casos acumulados e 38 mortes na Praia, o principal foco de transmissão da doença.

O mais alto magistrado da Nação cabo-verdiana pediu a todos para contribuírem para que o ambiente epidemiológico favoreça o retomar das aulas presenciais no maior município do país.

“E que em fim de outubro, princípio de novembro, os estudantes, professores e funcionários possam ter o prazer, a alegria de retomar aquilo que é decisivo e fundamental no sistema de ensino e aprendizagem: a presença na escola”, perspetivou.

“Todos nós auguramos que isso aconteça porque não poderíamos estar eternamente na Praia com as escolas encerradas e sem o ensino presencial”, completou Jorge Carlos Fonseca, que, além da visita, gravou uma mensagem no estúdio por ocasião do início do ano letivo.

Na mensagem, pediu “ainda mais colaboração” dos pais e encarregados de educação, sublinhando que, nesta fase, a família tem um “papel fundamental”.

“O desafio que temos pela frente exige que todas as famílias se comprometam de uma forma ainda mais empenhada com a educação dos seus filhos, independentemente da situação de vulnerabilidade em que se encontrem”, sustentou.

O Presidente pediu igualmente um “apoio maior” por parte do Estado, “responsabilidades acrescidas” aos professores e espera das escolas as “adaptações exigidas” a esta “dura realidade”, de modo a salvaguardar a saúde dos alunos, famílias, professores, técnicos e demais colaboradores do sistema educativo.

“Num contexto em que a epidemia tem crescido, em grande parte, devido ao não cumprimento de normas preventivas, é muito importante que a escola se transforme num baluarte de prevenção dessa epidemia”, insistiu o chefe de Estado.

Questionado se receia a paralisação das aulas depois da retoma, tal como tem acontecido em vários países, Jorge Carlos Fonseca disse que perante alguma infeção há critérios estabelecidos para o encerramento do espaço escolar.

“Havendo grande mobilidade de funcionários, professores, alunos, em espaços fechados, crianças, adolescentes, o risco de contágio é real. O problema que se põe é entre os riscos de propagação do vírus, com o reinício de aulas presenciais, e os prejuízos causados pelo encerramento de aulas e pela ausência de socialização na escola. Pesando as duas coisas, entende-se que deve-se assumir os eventuais riscos de propagação que representa o início das aulas presenciais”, explicou.

O chefe de Estado reconheceu que estamos a “navegar num mar de incertezas”, quanto ao fim a pandemia, mas salientou que o país não pode ficar eternamente com as escolas fechadas, considerando que seria “um desastre para o país, uma calamidade para o sistema educativo” e acarretaria “prejuízos enormes” para as crianças.

No rearranjo do novo ano letivo, o Ministério da Educação decidiu dividir as turmas com número superior a 20 alunos, em que metade terá aulas durante um período, com interrupções de 30 minutos, para a entrada da outra metade.

As aulas serão de 25 minutos, com pausas de cinco minutos, em que os alunos não mudam de sala, mas sim os professores.

pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão de mortos e mais de 33,7 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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