Historicamente, as Comunidades Tradicionais enfrentam barreiras significativas no acesso à educação superior. Como uma forma de mudar essa realidade, a Secretaria de Educação de Ubatuba recebeu, na tarde de segunda-feira, 8, representantes da Universidade Federal do ABC (UFABC) e da Universidade Federal do Estado de São Paulo (UNIFESP) para propor uma parceria para oferta de curso gratuito de Licenciatura em Educação de Campo para integrantes dessas comunidades.

A articulação perante às instituições foi mobilizada pelo quilombo da Caçandoca, juntamente com o Coletivo Caiçara do Litoral, para que os povos tradicionais sejam atendidos por meio da demanda.

O curso formará professores para atuar nos anos finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio, habilitando para lecionar as seguintes disciplinas: História, Geografia, Filosofia e Sociologia. Qualquer pessoa das Comunidades Tradicionais que tenha concluído o Ensino Médio poderá se inscrever. Além disso, 50% das vagas será disponibilizada para professores que já tenham ensino superior e queiram participar da formação. No total, são 60 vagas: 30 para Ubatuba e 30 para São Sebastião.

Com duração de quatro anos, a previsão de início é agosto deste ano. As aulas acontecem três vezes por semana, à noite, e em um fim de semana por mês. Em Ubatuba, a proposta é que a formação aconteça no Quilombo da Caçandoca. Por isso, a Prefeitura estuda, também, a logística para facilitar o acesso dos participantes

Protagonismo

Segundo a professora de Filosofia e coordenadora institucional do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação (Parfor), Suze Piza, Ubatuba foi escolhida pois a região é ocupada pelos quilombolas há aproximadamente 150 anos e os quilombos de Ubatuba, situados na zona rural, também atuam junto ao movimento social Fórum das Comunidades Tradicionais (FCT).

“As comunidades quilombolas interagem com as comunidades caiçaras não quilombolas das cidades de Caraguatatuba, Ilhabela e São Sebastião, razão pela qual coletivamente optamos por uma licenciatura em educação do campo e não educação quilombola. A integração se dá com o movimento social Coletivo Caiçara. Os dois podem ser considerados movimentos irmãos que vem lutando há anos no Litoral Norte Paulista”, destacou.

“Nosso objetivo é garantir que essa educação diferenciada seja construída e, principalmente, que as práticas de educação diferenciada já realizadas sejam fortalecidas e reconhecidas”, complementou Suze.

a luta por essa ação afirmativa tem sido mobilizada pelo quilombo caçandoca e coletivo caiçara do litoral oportunizando que as comunidades tradicionais sejam atendidas nessa demanda

Para a prefeita Flavia Pascoal (PL), se trata de uma oportunidade única, principalmente, de fortalecimento da cultura e das raízes. “Oferecer cursos de formação que levam em consideração as necessidades e especificidades das comunidades tradicionais são uma forma de preservar e valorizar sua cultura, conhecimentos e práticas tradicionais. Para nós, esse reconhecimento é fundamental”, afirmou.

Ingresso

Para participar, será necessária a participação de processo seletivo simplificado, agendado para o meio do ano. Para inscrição, basta acessar o link https://forms.gle/GHjYw4PznWxH6KXR8 .

Dúvidas ou mais informações podem ser obtidas pelo endereço eletrônico [email protected]

 

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Com informações da Prefeitura de Ubatuba

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