Realizado em parceria com a ABNT, encontro contou com painéis e palestras para discutir tendências e avanços do BIM, e proporcionou troca de experiências e possibilidade de parcerias estratégicas
A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) promoveu nesta quarta-feira (22/10), em parceria com a ABNT e a International Organization for Standardization (ISO), o ISO BIM Industry Day – Brasil, evento que reuniu especialistas nacionais e internacionais do setor de tecnologia industrial para discutir a implementação e a aplicação do Building Information Modeling (BIM) no Brasil. A programação contou com painéis e palestras técnicas que apresentaram os desafios, as tendências e os avanços da modelagem no mercado da construção civil.
Reinaldo Iapequino, presidente da CDHU, participou do encontro e, durante a abertura, falou sobre a eficiência proporcionada pelo BIM nos processos da Companhia, que tem investido cada vez mais em aparatos tecnológicos para otimizar tempo e custos em toda a cadeia produtiva. “A adoção da metodologia BIM já é uma realidade com ganhos reais em eficiência, integração e sustentabilidade. Criamos, em 2024, o Comitê BIM da CDHU que tem articulado a implementação da estratégia BIM da Companhia, projetando a adoção gradual em todas as etapas, desde o planejamento à execução, com apoio de consultoria especializada e ampla participação técnica. E hoje, nesse evento tão importante e com seleto grupo de especialistas, é um importante marco para consolidar de vez a adoção do BIM pela CDHU”, pontuou.
Além disso, o presidente também destacou que, atualmente, a atuação da CDHU é focada na integração da produção habitacional com o desenvolvimento urbano, a fim de construir conjuntos planejados, voltados ao bem-estar da população residente. “A moradia não pode ser vista apenas como uma unidade construída, mas como parte de um território vivo, com infraestrutura, mobilidade, comércio, serviços públicos e espaços de convivência que assegurem sustentabilidade econômica, ambiental e social”, explica. Para que isso seja possível, Iapequino explicou, ainda, que a Companhia tem investido 1,5% de seu orçamento anual em ações inovadoras e sustentáveis, como, por exemplo, a implementação de placas fotovoltaicas nas moradias, a construção offsite e o uso de ferramentas de georreferênciamento, que apoiam o planejamento urbano de forma inteligente.
Maria Teresa Diniz, diretora de Projetos e Programas da CDHU, traçou o histórico de implementação da ferramenta na CDHU, que começou com um time de técnicos e, atualmente, conta com total respaldo institucional da atual gestão. Além disso, ela destacou o ineditismo do evento. “É a primeira vez que nós temos essa reunião da ISO na América Latina, então, para nós, é uma honra sediá-lo com a ABNT e promover todas as discussões técnicas e normativas que precisamos para estruturar esse trabalho, que é um processo sempre evolutivo e depende de todo esse mercado de profissionais dedicados para que possamos ter cada vez mais o apoio das ferramentas tecnológicas no ciclo de vida ativo da construção”, destacou.
Painel: Avanços do BIM pelo Setor Público
A Companhia também participou de um dos painéis, expondo sua experiência com a utilização do BIM, que está em processo de implementação. O superintendente de Projetos Habitacionais e Urbanos, Daniel Barbieri, iniciou a apresentação explicando que o Plano de Desenvolvimento Urbano e Habitacional 2040 (PDUH-40), em fase de elaboração, teve um papel crucial para identificar a real necessidade de estruturação do BIM. “No plano, identificou-se uma vulnerabilidade socioterritorial. Quer dizer, nós temos uma necessidade de gerir riscos e realocar assentamentos precários, temos muitas áreas com restrições ambientais e, ainda, não podemos pensar nos empreendimentos de forma isolada, pois eles precisam ter toda uma integração urbana, estando conectados com centrais de serviço, transporte e infraestrutura. Então, para dar conta de todas essas variáveis de uma implementação de um empreendimento deste porte, entendemos que a gestão da informação é algo essencial e pode dar um suporte muito interessante”, afirmou ele, ao pontuar que a ideia é implementar o BIM, que foca na edificação, alinhado ao GIS, englobando a infraestrutura urbana.
Para mostrar o uso do BIM na prática, Barbieri apresentou, ainda, o empreendimento Santos AE, que será implementado nas proximidades do túnel Santos-Guarujá. O empreendimento possui uma série de soluções de projetos e prevê a construção de 1,7 mil unidades, sendo 762 unidades de Habitação de Interesse Social (HIS), voltadas a famílias com renda de até seis salários mínimos, e 1.007 unidades de Habitação de Mercado Popular (HMP), que admitem renda familiar de até dez salários mínimos, além de comércio, serviços e equipamentos públicos. Com a ferramenta, será possível mensurar o impacto de toda a construção no entorno.
Já Rita Giaimo, consultora técnica e BIM Manager da CDHU, explicou como foi o processo de implementação da ferramenta na Companhia. “Precisávamos identificar como a informação deve circular dentro dos processos. O primeiro passo foi entender essa interação e como é feita a integração. Como que eu consigo entender os requisitos dessa organização? O que eu vou precisar de modelagem? Qual o nível de informação necessária? Para isso, é necessário levar em questão a visão, a missão, os valores, o objetivo, o plano de negócios da empresa. Depois desse mapeamento dos macroprocessos, identificamos o fluxo da informação. Foram perguntas como essas que ajudaram a compreender como transitaria a informação de um ativo construído digitalmente para que, posteriormente, se transformasse em uma forma material”, explicou. Segundo ela, o BIM agora está passando pela estruturação de algumas áreas.
Rita ainda ponderou a participação dos municípios, que precisam estar capacitados por estarem na ponta do processo. “Nesta ação de expansão de ativos, existe uma preocupação muito grande de conversar com os municípios. O Estado define seus requisitos e entende como os valida, faz uma gestão de um empreendimento e entrega para a prefeitura, que precisa gerir. Como faço a disseminação dessa informação para que eles estejam capacitados para receber isso? Faz parte da nossa estratégia entender que, ao capacitar, é necessário atingir a ponta que vai operar essa informação”, finalizou.
O ISO BIM Industry Day – Brasil contou com a seguinte programação:
Painel ISO TC59 SC13 (Parte 1)
Tema: High-level processes fostering digitization in the construction sector | Processos de alto nível que promovem a digitização no setor da AEC, com participações de Anne Kemp, David Churcher, Paul Shilcock, Lucas Melchiori e outros especialistas apresentando as normas ISO 19650, ISO 7817 e ISO 12006-2.
Painel de Ações de Disseminação BIM no Brasil
Apresentações sobre a Estratégia BIM BR e o BIM Fórum Brasil, além de sessões de patrocinadores, com Marcio Maffili, Adriana Rolim e Eduardo Toledo.
Painel ISO TC59 SC13 (Parte 2)
Tema: High-level technologies fostering digitization in the construction sector | ISO/ Processos de alto nível que promovem a digitização no setor da AEC, com discussões sobre normas como ISO 29481 e a interoperabilidade entre BIM e GIS, mediadas por Jim Plume e Lai Wei. Inclui também atualizações sobre a normalização BIM na América Latina, com representantes do Peru e Brasil.
Latam: desenvolvimento e normalização do BIM
Apresentação de Alexandre Del Sávio e João Gaspar.
Painel: Avanços do BIM pelo Setor Público
Casos práticos de adoção do BIM em órgãos públicos: CDHU, Secretaria de Infraestrutura e Logística do Paraná, TransfereGov, e TCM-SP. Apresentação de Lorreine Vaccari, Rita Giaimo, Daniel Augusto, Fernando Morini e Regina Ruschel.
Além das palestras e debates, a Plenary Meeting da ISO também proporcionou a possibilidade de relacionamentos duradouros com entidades governamentais, setoriais, do mercado e da sociedade civil, interessadas no desenvolvimento do BIM. Os participantes tiveram a oportunidade de interagir com líderes de pensamento, compartilhar experiências e estabelecer parcerias estratégicas.
Plenary Week do ISO
O encontro anual de Modelagem da Informação da Construção da International Organization for Standardization (ISO) é organizado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por meio da CEE-134, comissão responsável pela elaboração das normas BIM no país, em parceria com a CDHU.
Com duração de uma semana, a agenda presencial, que iniciou no dia 20 de outubro e se encerra dia 23, proporciona uma oportunidade única para que especialistas, representantes de organizações e profissionais de diversas áreas da Construção Civil se conectem, discutam e definam padrões internacionais de diversos setores. As discussões foram conduzidas em três dias de sessões de trabalho, incluindo o encontro desta quarta-feira, com participação exclusiva dos membros integrantes de cada Working Group (WG). O encerramento acontece nesta quinta-feira.
A ISO, ao promover este encontro anual, reforça seu papel como um catalisador de progresso e inovação, ao mesmo tempo, a CDHU, no processo de implantação de sua estratégia BIM, se conecta com o que há de mais atual no mercado para incorporar ao seu dia a dia de trabalho.
Sobre o BIM
O Building Information Modeling (BIM) proporciona uma visão completa e antecipada de cada fase de uma futura construção. A partir de dados precisos, são criadas modelagens 3D que permitem simular as próximas etapas de uma construção e verificar seus efeitos, adaptando ações para corrigir erros ou impedir consequências indesejáveis na obra antes mesmo de acontecerem. Isso traz maior controle sobre o cronograma, gastos e todo o processo das obras, desde a fase orçamentária, passando pelo desenvolvimento de projetos até a entrega das edificações.
Como consequência da utilização do BIM, há diversas melhorias para a obra, como a melhor qualidade de projetos (estudos apontam uma redução de erros relacionados a mudanças tardias em projetos em cerca de 30%); sustentabilidade e eficiência energética devido à otimização de desempenho energético de edifícios ao simular suas condições e materiais a serem empregados (estimativas apontam que a redução de consumo de energia varia de 15% a 25%); além da redução de custos, que pode chegar a 20%. Outro benefício é a redução de desperdício e diminuição da pegada de carbono.
O Mercado BIM foi avaliado em US$ 4,39 bilhões em 2023, com projeção de crescimento de 15% ao ano até 2033, quando deve movimentar US$ 18,1 bilhões, segundo dados da consultoria Spherical Insights. De acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 20,6% das empresas de construção no Brasil utilizavam BIM em março de 2024, contra 9,2% registrado em 2018.
BIM na CDHU
O uso do BIM, na prática, já tem impactado os mutuários da CDHU. A Companhia entregou, em fevereiro deste ano, sua primeira construção com um projeto piloto das unidades habitacionais e do loteamento desenvolvido em BIM em Borborema, onde foram entregues 72 unidades habitacionais. Nesta primeira experiência, o projeto tradicional foi transformado em BIM para estabelecer os primeiros parâmetros de modelagem. A segunda experiência é o projeto de Águas de Lindóia. Desta vez, a modelagem em BIM foi feita em paralelo ao projeto tradicional, para verificar eventuais ajustes a serem feitos no sistema mais moderno. O sucesso na implantação permitirá, em breve, a projeção em BIM em larga escala. O conjunto de Águas de Lindóia está em início de obras.




