
Demonstrando que a escola, como um espaço de construção de cidadãos, tem papel fundamental na luta contra o racismo e na valorização da cultura afro-brasileira, coordenadores pedagógicos das escolas municipais de Mongaguá de Educação Infantil e Ensino Fundamental I e II participaram nesta terça-feira (04/11) da formação ‘Para além do vinte de novembro: a construção diária da educação antirracista’.
O evento aconteceu no auditório da Secretaria de Educação (Seduc), no Vera Cruz, e foi conduzido pelos coordenadores de Área: Adriana Cristina Pires Rial (História) e Gabriel Loschiavo Cerdeira (Geografia), com o apoio estético de Jeniffer Antônia (Artes).
Pinçando aspectos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional alinhadas ao contexto da Lei Federal nº 11.645/2008, que torna obrigatória a inclusão do ensino da História e Cultura Afro-brasileira no currículo das escolas públicas, os palestrantes construíram um diálogo sobre o fomento de uma educação para a diversidade, com uma abordagem antirracista e decolonial.
Ainda na explanação, os expositores realçaram a importância da data 20 de novembro (Dia da Consciência Negra), feriado nacional. “Debatemos ainda o fato de a Constituição de 1988, pela primeira vez, assegurar direitos referentes à população afro-brasileira, a criminalização do racismo, reconhecimento das terras quilombolas, valorização cultural, igualdade de oportunidades, plena expressão afro-brasileira e a lei que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor no Brasil”, comentou Adriana.
A atividade buscou ainda viabilizar subsídios para os coordenadores pedagógicos trabalharem a questão étnico-racial nas escolas e apresentarem o material de apoio aos professores sobre a temática da consciência negra que está sendo preparado pela equipe da Seduc.
“Também criamos um ambiente imersivo com curadoria de objetos e instrumentos musicais referentes às culturas afro-brasileiras e africanas, como tambores, berimbau, reco-reco, agogô, caxixi, incluindo uma mesa com quitutes remetendo à culinária e história de pratos típicos, e uma seleção de obras literárias infantis e acadêmicas, para indicações de referências de estudo e aprofundamento no tema”, ressaltou Jeniffer.
Gabriel, coordenador de Geografia, enfatizou que a formação é uma etapa importante no processo de consolidação de uma educação antirracista, atendendo aos critérios exigidos pela legislação federal e respeitando o compromisso com a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq).
“O evento foi uma oportunidade para discutirmos os impactos do dispositivo de racialidade e do racismo sobre a população negra brasileira, trazendo dados que evidenciam a permanência de uma problemática discrepância de acesso a oportunidades e direitos básicos entre a população negra e branca no Brasil”, observou o palestrante.
Ainda de acordo com ele, foi possível apresentar e debater dados produzidos no último Censo Demográfico do IBGE (2022) que revelaram que a população de Mongaguá é predominante negra e que mais de 8% dela se declaram praticante de religiões de matriz africana, possuindo o maior percentual no Estado de São Paulo.
Com essa atividade, disse Gabriel, “acreditamos ter dado um passo rumo à construção de uma educação de qualidade que valorize a diversidade e as boas práticas envolvendo a temática das relações étnico-raciais, enfrentando o racismo e formando nossos alunos para um futuro mais justo, igualitário e saudável para todos, independentemente de sua identidade étnica ou cor de pele”.
(Fotos: Anny Melatte)
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Com informações da Prefeitura de Mongágua


