Secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente recebeu projeto
As plantas juntamente com o mundo microscópico que vivem no do oceano são responsáveis por boa parte do nosso oxigênio. No entanto, o calor excessivo, a acidificação das águas, a poluição, tem causado um verdadeiro “desmatamento” destas florestas submersas. É como se perdêssemos a cada dia, grandes áreas de florestas.
Estamos falando de animais como os corais e de plantas submersas, como gramas e as algas de diferentes tamanhos e cores, algumas vezes gigantes que habitam o oceano. Juntas estas florestas filtram a água e absorvem parte da poluição que produzimos. As florestas, tanto da terra como as submersas, geram e mantêm a vida no planeta, porém, estamos destruindo esses habitats.
Proposta de apoio às “Florestas Marinhas” avança na COP30
O chamado “Pacote Azul” foi publicizado nos primeiros dias da COP30, e encaminhado pela presidência da COP30, para fazer parte da Agenda de Ação que reúne diversas iniciativas sobre os oceanos. O investimento estimado para pesquisas, projetos e ações em relação ao oceano fica em torno de US$ 116 bilhões por ano.
Esta discussão vem sendo feita por diferentes grupos e podem convergir para a viabilização de uma gestão regenerativa para as Florestas Marinhas e socioeconômicas que delas dependem. O programa Florestas Marinhas Para Sempre, publicado internacionalmente no início deste ano, foi profundamente discutido no Chile, quando pesquisadores de diversas universidades, lideranças e sociedade organizada lançaram a Declaração de Antofagasta ( https://es.slideshare.net/slideshow/declaracion-de-antofagasta-un-llamamiento-a-la-implementacion-del-programa-bosques-marinos-para-siempre/284000204 )
No Brasil, o porta-voz tem sido o professor Paulo Horta, pós-doutor titular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), do Centro de Ciências Biológicas. Horta também representa o Instituto Coral Vivo para a sociedade. “O oceano é super complexo e responsável pela nossa sobrevivência no Planeta, muito antes de existir a espécie humana e a humanidade. Portanto, não só a vida marinha, mas o pacto civilizatório depende do Oceano”, ensina o professor.
Paulo Horta esteve na COP30, onde participou da defesa do programa Florestas Marinhas Para Sempre. “Vemos que um dos principais focos da negociação está na implementação do fundo mundial intitulado Florestas Tropicais Para Sempre, que já recebeu bilhões em promessas de investimento. Mas um parágrafo importante deve ser acrescentado nas mesas de negociação, trata-se do oceano e das Florestas Marinhas”.
Trata-se de um conjunto de ações para viabilizar o financiamento da gestão regenerativa do oceano, conservação, remediação e restauração de áreas degradadas. Envolvendo a sociedade com essas ações, especialmente as frações mais vulneráveis, estima-se garantir economias regenerativas e distributivas, garantindo justiça socioambiental e climática, especialmente para o Sul global.
“Essa região gigantesca no Atlântico (que chamamos de Amazônia Azul) e parte do território nacional, têm biodiversidade e importâncias enormes, assim como seus equivalentes terrestres nas regiões tropicais”, argumenta o professor, ao complementar que “A pressão da sociedade é fundamental para que a proposta de fato se transforme em política pública”.
Na tarde de quinta-feira (13), a proposta do Programa Florestas Marinhas Para Sempre foi entregue para o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, que também está na COP30. Capobianco ficou de analisar a possibilidade de incorporação do programa também nas propostas do ministério.
Na foto, pesquisa sobre Florestas Marinhas, em Fernando de Noronha (2025).
Saiba mais:
Entrevista com o professor Paulo Horta sobre Florestas Marinhas




