Nei José Sant’Anna
Saúde
Depois de 94 dias de internação, o pequeno Emmanuel finalmente pôde ir para casa. O bebê recebeu alta nesta sexta-feira (6) da UTI Neonatal do Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence, encerrando uma jornada marcada por cirurgias delicadas, momentos críticos e muita esperança da família.
Filho de Thais Murat e Cesar Murat, Emmanuel nasceu no dia 29 de novembro de 2025 com uma condição rara chamada Onfalocele gigante, uma má-formação da parede abdominal em que órgãos como o fígado e parte do estômago e do intestino se desenvolvem fora do corpo do bebê, protegidos apenas por uma membrana.
O diagnóstico foi descoberto ainda no início da gestação. Moradores de Caraguatatuba, os pais buscaram atendimento especializado em São José dos Campos, onde o Hospital Municipal é referência em procedimentos de alta complexidade pelo SUS.

Os pais Thais e César, aliviados e felizes com a recuperação de Emmanuel | Foto: PMSJC
Condição rara
A onfalocele é considerada uma malformação congênita rara e ocorre em cerca de 1 a cada 4 mil a 7 mil nascimentos. Nos casos classificados como onfalocele gigante, como o de Emmanuel, o defeito na parede abdominal é maior e geralmente envolve a saída de órgãos importantes, como o fígado.
Segundo estudos médicos, a taxa de mortalidade da onfalocele pode variar entre 10% e 30%, chegando a 20% a 40% nos casos gigantes, principalmente quando existem outras malformações associadas ou complicações respiratórias. O tratamento costuma exigir cirurgias complexas e longos períodos de internação em UTI neonatal.
Durante toda a gravidez, Thais foi acompanhada pelo cirurgião pediátrico Eric Chaves, que também participou da primeira cirurgia do bebê logo após o nascimento.
Ao longo de três meses, o bebê passou por quatro cirurgias, das quais também participaram os médicos Guilherme Marino, Douglas Vieira, Eduardo Capella e Pedro Brito. Durante a internação, enfrentou duas intercorrências graves e chegou a correr risco de morte.
Mesmo diante das dificuldades, a família nunca perdeu a esperança. Durante todo o período de internação, a mãe permaneceu ao lado do filho na UTI Neonatal, acompanhando cada evolução. Ela se revezava com o pai, que precisava continuar trabalhando.

A equipe multiprofisisonal da UTI Neonatal festejou alta do bebê | Foto: PMSJC
Despedida cheia de emoção
Antes de deixar o hospital, Emmanuel recebeu uma pequena homenagem da equipe multiprofissional da UTI Neonatal, que acompanhou de perto toda a sua recuperação. Em um momento marcado por emoção, profissionais se reuniram com bexigas e palavras de carinho para se despedir do bebê e da família.
Emmanuel também recebeu um certificado simbólico de “Pequeno Guerreiro”, reconhecimento pela força demonstrada ao longo de toda a internação.
Para a equipe, o caso marcou profundamente todos os profissionais envolvidos. “Parabéns pela garra, pela determinação. Foi um desafio grande para a família e também para a equipe, porque foi algo raro para nós. Vai ficar registrado no nosso coração e na nossa memória. Vocês serão citados e lembrados sempre por nós. É muita satisfação. Agora vocês são uma família completa”, disse a fonoaudióloga Sandra Batista durante a despedida.
A coordenadora da UTI Neonatal, a enfermeira Fernanda Ferrer, também fez questão de destacar a força da mãe durante todo o processo. “Parabéns, mãe, pela mulher forte que você foi. Um exemplo gigante de fortaleza. Estamos todos admirados”, afirmou.

A fonoaudióloga Sandra Batista exibe o certificado de guerreiro | Foto: PMSJC
Gratidão e esperança
A alta hospitalar veio sem sequelas, algo que emociona a família e também a equipe médica. “Era um dia de cada vez. Estou muito feliz de sair daqui com meu filho saudável. Não tenho palavras para agradecer”, disse a mãe Thais.
Mesmo após sair do hospital, Emmanuel continuará em acompanhamento com os especialistas até o fechamento completo da ferida cirúrgica.
Emocionada, Thais fez questão de agradecer aos profissionais que cuidaram do filho.
“Sou muito grata ao hospital pela estrutura. Aqui tem tudo. Agradeço aos médicos, enfermeiros, técnicos, terapeutas… todos são muito profissionais, verdadeiros anjos. São humanos e competentes. Trataram o Emmanuel com muito carinho e salvaram a vida dele.”
Depois de tantos desafios, a história do pequeno Emmanuel é celebrada como uma vitória da vida, da ciência e do cuidado humano.
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Com informações da Prefeitura de São José dos Campos




