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Minas Gerais registrou a criação de 22.874 empregos com carteira assinada em fevereiro de 2026, mais que o triplo do saldo de janeiro (7.444 vagas), em um movimento de retomada das contratações no estado. O resultado foi impulsionado por 240.712 admissões e 217.838 desligamentos, combinando aumento nas contratações (+5,46%) e redução nas demissões (-1,34%). Esse levantamento foi realizado pelo Sebrae Minas, a partir dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Apesar da aceleração no mês, o desempenho revela um mercado de trabalho mais cauteloso. Na comparação com fevereiro do ano passado, houve queda de 56,92% no saldo de empregos. Ainda assim, o estado manteve protagonismo no cenário nacional, ocupando a terceira posição na geração de empregos em fevereiro de 2026, atrás apenas de São Paulo e Rio Grande do Sul.

Pequenos negócios sustentam mais da metade das vagas
As micro e pequenas empresas (MPE) responderam por 12.705 postos de trabalho em fevereiro, o equivalente a 55,5% de todo o saldo gerado no estado. O dado reforça o papel estrutural dos pequenos negócios na economia mineira, especialmente em momentos de retomada.

As médias e grandes empresas (MGE) adicionaram 8.918 postos (38,99%) e a administração pública somou 1.251 vagas (5,47%). No entanto, a participação das MPE vem diminuindo em 2026. No acumulado do ano (janeiro e fevereiro), elas representaram 49,07% das vagas, abaixo dos 63,42% registrados em 2025.

Esse movimento indica um ambiente mais desafiador para os pequenos empreendimentos, pressionados por fatores como juros elevados e maior custo de crédito e inadimplência, que afetam diretamente o consumo e o fluxo de caixa.

Serviços lideram e educação impulsiona contratações
O setor de Serviços foi o principal motor da geração de empregos, com 15.004 vagas, cerca de 66% do total criado em fevereiro. Em seguida aparecem Agropecuária (+3.252), Indústria (+1.878), Construção Civil (+1.606) e Administração Pública (+1.251). Comércio foi o único setor com sinal negativo, com -117 vagas.

O avanço de Serviços está diretamente ligado à dinâmica sazonal de início de ano, com destaque para atividades ligadas à educação infantil (Creches +2.596 vagas e pré-escola – +1.178) e ensino fundamental (+2.023). Esse conjunto é compatível com a dinâmica típica de volta às aulas, com reforço de quadros em unidades escolares e serviços associados.

A agropecuária também teve desempenho relevante, com 3.252 novos postos, impulsionada, principalmente, pelo cultivo de alho e café, setor que se beneficia de uma perspectiva de safra maior em 2026.

Perfil de contratações
Outro destaque está no perfil das contratações: jovens de 18 a 24 anos responderam por 28% (5.178 vagas) das admissões nas MPE; mulheres tiveram saldo maior de vagas que homens (7.389 contra 5.316); e a maioria dos trabalhadores possui ensino médio completo (66%).

O salário médio de admissão nas MPE foi de R$ 2.178,90, acima do valor médio de desligamento (R$ 2.096,61), uma diferença de R$ 82,29.

Caged Fevereiro

Emprego se concentra em polos econômicos
A geração de empregos em fevereiro foi concentrada em regiões com maior dinamismo econômico. As regionais – estabelecidas pelo Sebrae – Centro, Triângulo, Centro-Oeste Sudoeste e Noroeste e Alto Paranaíba responderam por cerca de 76% do saldo total.

Entre os municípios, os destaques foram: Belo Horizonte (+2.640 vagas), Contagem (+1.213), Nova Serrana (+1.160), Rio Paranaíba (+1.023) e Betim (+962). Por outro lado, alguns municípios registraram retração, evidenciando a desigualdade regional na recuperação do emprego.

Os maiores saldos negativos gerais foram em Conceição do Mato Dentro (-469), João Monlevade (-343), Ubá (-210), Matozinhos (-191) e Mariana (-134). Nas MPE, Ubá também se destaca negativamente (-217).

O que esperar da economia nos próximos meses
o cenário-base é de crescimento moderado, com o mercado acompanhando uma transição importante: a política monetária começou a indicar espaço para flexibilização após período prolongado de juros elevados, mas as decisões seguem condicionadas à inflação e ao ambiente de incerteza. O Banco Central registrou que a política esteve contracionista por período prolongado e que o ambiente recente é de incerteza elevada, reforçando a necessidade de cautela na calibração.

Em termos de mercado de trabalho em Minas, os sinais para os próximos meses tendem a combinar continuidade de saldo positivo, mas com ritmo mais seletivo por setor e território.

“O setor de serviços deve seguir como principal base de sustentação do emprego no curto prazo, ainda que com ritmo condicionado à evolução do consumo e da atividade econômica. A agropecuária deve permanecer como um dos principais vetores positivos, com a cadeia do café operando em cenário de safra estimada maior e Minas na liderança produtiva — o que pode manter contratações no campo e em atividades correlatas (logística, armazenagem e comércio atacadista vinculado ao agro).

O comércio e segmentos dependentes de consumo parcelado e crédito devem seguir mais sensíveis à dinâmica de juros e endividamento. Mesmo com sinais de melhora na confiança do consumidor em março, o custo do crédito e a inadimplência ainda elevam a cautela, o que pode prolongar ajustes em varejo e serviços mais cíclicos, sobretudo entre MPE”, avalia a analista do Sebrae Minas Bárbara Castro.

Sobre o Caged
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), instituído pela Lei nº 4.923, de 23 de dezembro de 1965, foi criado como instrumento de acompanhamento e fiscalização mensal das admissões e dispensas de trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A partir de 1986 passou a ser utilizado como suporte ao pagamento do seguro-desemprego e, mais recentemente, tornou-se um relevante instrumento à reciclagem profissional e à recolocação do trabalhador no mercado de trabalho.

O cadastro constitui importante fonte de informação do mercado de trabalho de âmbito nacional e de periodicidade mensal. Desde janeiro de 2020, o uso do Sistema do CAGED foi substituído gradativamente pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial). Atualmente, todas as empresas estão obrigadas a declarar as movimentações por meio do eSocial.

Sobre Inteligência Sebrae
O Inteligência Sebrae é um observatório de dados, estudos e pesquisas sobre pequenos negócios. Reúne diversos conteúdos socioeconômicos, setoriais e territoriais, que podem ampliar os conhecimentos e embasar a tomada de decisões. É destinado a gestores públicos, lideranças locais, entidades empresariais e todos que necessitam de informações relevantes referentes a desenvolvimento econômico e social dos territórios e dinâmica dos pequenos negócios. O site reúne conhecimentos em nível nacional, estadual, regional e municipal, sendo possível comparar, analisar e entender melhor o território.

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Com informações do SEBRAE MG

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