Com informações da ONU
O mais recente relatório da ONU sobre o Haiti revela que grupos criminosos estão assumindo mais áreas do país através da violência, como num redesenho do mapa nacional. Mais de 1,45 milhão de haitianos foram forçados deixar suas casas para escapar da violência e da brutalidade.
Pressão no tecido social haitiano
Nesta quinta-feira, o tema foi levado ao Conselho de Segurança, da ONU pelo representante especial das Nações Unidas no país, Carlos Ruiz Massieu. Para ele, o tecido social haitiano está sob uma enorme pressão.

Carlos Ruiz Massieu indica que solução do problema de gangues no Haiti requer reforço das tropas nacionais e desdobramento estratégico da Força de Supressão de Gangues
Massieu contou que a interconexão entre insegurança galopante e falta de recursos básicos cria um ciclo vicioso que as autoridades tentam romper. Para o representante especial, sem melhorias tangíveis na segurança, qualquer avanço político ou social será temporário.
A solução do problema reside, em grande parte, no reforço das tropas nacionais e no desdobramento estratégico da Força de Supressão de Gangues, GSF, cuja atuação é essencial para retomar o controle das áreas dominadas pelo crime.
Missão Internacional
Sob o comando de Jack Christofides, a missão multinacional composta por 5,5 mil militares iniciou suas operações, este mês, com um objetivo de conter a violência armada e restaurar a soberania.
Christofides enfatizou que a GSF não está agindo de forma improvisada, mas sim através de uma estrutura disciplinada e orientada por parcerias, respeitando os padrões internacionais de conduta.
Entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, o combate ao crime organizado resultou na morte de 1.343 suspeitos e na apreensão de um arsenal significativo.

Jack Christofides, Representante Especial da Força de Supressão de Gangues, informa o Conselho de Segurança sobre a questão relativa ao Haiti.
No entanto, o custo humano das operações de combate é motivo de profunda preocupação. O relatório da ONU revela que pelo menos 158 civis sem qualquer ligação com o crime foram mortos e 108 ficaram feridos nos confrontos.
Colapso
O cenário de mortes no Haiti piora com a ação de empresas militares privadas contratadas pelo governo, que têm sido alvo de críticas do Escritório da ONU para os Direitos Humanos e da organização Human Rights Watch pelas elevadas baixas colaterais.
Enquanto os confrontos acontecem nas ruas, o sistema carcerário haitiano vive um cenário de superlotação. Atualmente, o país mantém mais de 7.550 membros de gangues detentos, um número que inclui 261 crianças e uma vasta maioria de pessoas em prisão preventiva aguardando julgamento.
A superlotação atingiu níveis desumanos, com as unidades operando a 312% de sua capacidade. Cada preso dispõe de apenas 0,34 m² de espaço.
Para a ONU, a estatística ilustra a falência das infraestruturas básicas e o desafio monumental de garantir os direitos humanos básicos no país caribenho.
*Eleutério Guevane é redator-sênior da ONU News.


