Com informações da ONU
O médico português António Pedro Pinho, de 24 anos, participa ativamente desses esforços, enfatizando que as gerações futuras serão as mais impactadas pelo rumo que as Nações Unidas tomarão a partir de 2027, quando muda a liderança da organização.

Joven participam do Fórum da Juventude do Ecosoc na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque
Jovens criam “edital do cargo”
Na semana passada, António Pedro esteve na ONU para o Fórum da Juventude, realizado em Nova Iorque.
Segundo ele, os jovens devem interagir com os candidatos ao cargo de secretário-geral da ONU em uma sessão programada para este 23 de abril, um dia após o encerramento dos diálogos das duas candidatas e dos dois candidatos ao posto com Estados-membros.
“Nós estamos a tentar fazer uma campanha quanto à escolha do próximo secretário-geral das Nações Unidas. E nós queremos exatamente projetar aquilo que são os desejos da juventude, naquela que vai ser a próxima personalidade, não só com o processo de escolha que, muitas vezes, não consegue incluir as pessoas mais jovens. E nós, por isso, estamos a fazer um inquérito global. Estamos a fazer um conjunto de diálogos para termos a opinião deles sobre aquilo que queremos, não sobre a próxima pessoa, mas a personalidade e a visão que ela traz para o cargo”.
No marco na campanha, que é coordenada pela Fundação das Nações Unidas, está sendo realizado uma pesquisa que já ouviu mais de 2 mil jovens ao redor do mundo. Cerca de 60% dos entrevistados são mulheres. Com base nessas respostas, foi criado um documento de “descrição do cargo ou edital”, que será usado pelos jovens nas interações com os candidatos a secretário-geral.
Pinho explicou que a população jovem reconhece a importância da ONU, mas vê necessidade de uma liderança com ampla capacidade de transformar discursos em ações práticas.
Jovens criam edital para incidir na eleição de nova liderança da ONU
Expectativa e pragmatismo
“Nós queremos alguém que consiga trazer de volta esta confiança às Nações Unidas. Daquilo que nós conseguimos saber do nosso estudo é que a confiança no multilateralismo ainda existe. As pessoas e os jovens ainda acreditam que existe esta necessidade de conversarmos todos juntos à mesa. Mas falta um bocadinho na parte da implementação. Portanto, acho que querem um secretário-geral que seja muito prático na forma de conseguirmos fazer com que este sentar-se à mesa, que nós sentimos que é tão necessário, se traduza realmente em ações concretas que sejam mesmo sentidas pelas pessoas. E esta ideia de praticabilidade que vai realmente estar presente nesta ‘job description’ que temos”.
O médico português ressaltou que a juventude quer alguém que consiga resolver os problemas do presente, mas que, ao lidar com essas crises, realize consultas com as gerações futuras para moldar respostas com uma visão de longo prazo.
Ele também defendeu mais envolvimento dos jovens em discussões sobre a agenda pós-2030, prazo definido para o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. A maior parte dessas metas globais ainda está longe de ser alcançada.
Atuação em saúde pública
Com base em sua experiência atuando com saúde pública em Portugal, o jovem afirmou que os espaços multilaterais não devem ser “encapsulados em si mesmos” e sim garantir uma conexão entre questões locais e o âmbito internacional.
“Enquanto médico, eu sempre gostei muito de estar próximo das minhas comunidades. Mas quando se vê algum doente, quando se vê alguém, nós conseguimos notar que realmente os determinantes sociais têm um grande papel aqui. E é muito frustrante quando nós sentimos que não conseguimos fazer nada quanto a isso, que conseguimos tratar uma doença, se calhar a causa no momento, mas quando enviamos a pessoa outra vez para casa, para um ambiente em que não é favorável à saúde. E por isso, estando aqui (na ONU) consigo sentir, pelo menos pessoalmente, ter uma sensação de que consigo atuar a um nível maior”.
Durante o Fórum da Juventude do Conselho Econômico e Social da ONU, Ecosoc, António Pedro Pinho ajudou a organizar e foi orador no evento paralelo “Diálogo da Juventude com Estados Membros sobre o Próximo Secretário-Geral”, realizado na Missão Permanente de Portugal na ONU, liderada pelo embaixador Rui Vinhas.
Ele também intermediou a sessão “Por que a Saúde Mental da Juventude Importa”, na Zona de Mídia dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, ODS.
*Felipe de Carvalho é redator da ONU News.


