
“Se não fossem elas, não sei o que seria de mim.” A frase, dita com emoção por Célia Luiz, responsável pelos cuidados de dois sobrinhos Simone, de 51 anos, e William, de 50, resume o impacto de um serviço que vai muito além da assistência em saúde. O Serviço de Atenção Domiciliar (SAD), da Secretaria Municipal de Saúde, leva atendimento médico e multiprofissional até a casa de pacientes em situações delicadas — e, junto com ele, chegam também acolhimento, orientação e vínculo.

Para muitas famílias, o primeiro contato com o SAD acontece em um momento de fragilidade: após um diagnóstico difícil, uma internação ou a necessidade de cuidados contínuos. É nesse cenário que o serviço se apresenta como apoio essencial.


Integrado ao Programa Melhor em Casa, do Ministério da Saúde, o SAD tem como principal objetivo evitar internações prolongadas e promover a recuperação no ambiente familiar, com mais conforto e qualidade de vida. A proposta é simples, mas potente: cuidar das pessoas onde elas vivem.
Foi assim com Maria Lúcia Mendes Ribeiro, filha de Antonia, de 83 anos. Após uma internação, dona Antonia voltou para casa, com uma sonda para alimentação, exigindo cuidados constantes.
“Eu estava muito preocupada, perdida mesmo. Não sabia como fazer”, relembra. Três dias depois, a equipe chegou à casa da família, no bairro Nova Suíça. Vieram orientações, segurança e, aos poucos, tranquilidade.
“O trabalho é maravilhoso”, diz Maria Lúcia, que divide os cuidados com a neta, Cely.
A cena se repete em diferentes pontos da cidade. Profissionais que atravessam bairros, entram nas casas e, com conhecimento técnico e escuta atenta, ajudam a reorganizar rotinas e devolver confiança a quem cuida.
ALÉM DO ATENDIMENTO CLÍNICO – O SAD atende pacientes com diferentes necessidades: pessoas que sofreram AVC e enfrentam limitações no dia a dia, pacientes em recuperação pós-cirúrgica, pessoas que precisam de curativos complexos ou medicação intravenosa, além de casos que exigem uso contínuo de oxigênio ou ventilação mecânica.
As equipes são formadas por médico, enfermeiro, fisioterapeuta e técnicos de enfermagem, com apoio de profissionais como terapeuta ocupacional, psicóloga, assistente social, dentista, fonoaudióloga e nutricionista.
Cada atendimento é planejado de forma individualizada, respeitando as necessidades de cada paciente. As visitas são periódicas — ao menos uma vez por semana — e podem ser intensificadas conforme o quadro clínico.
O cuidado não se limita ao paciente. “Também olhamos para quem cuida”, explica a enfermeira Rute Nobre, responsável por uma das equipes do programa. Entre as ações, estão práticas integrativas, como uso de florais e óleos essenciais, além de apoio psicológico.
É esse suporte que faz diferença na rotina de Célia Luiz, responsável pelos cuidados dos sobrinhos Simone, de 51 anos, e William, de 50.
“Se não fossem elas, não sei o que seria de mim”, conta. Ela descreve o serviço como “maravilhoso” e destaca não só o atendimento aos pacientes, mas também o apoio que recebe da equipe coordenada pela enfermeira Miriam Bonatti. “Tem uma psicóloga que vem conversar comigo. Isso ajuda muito.”
O vínculo criado ao longo do tempo entre as equipes e as famílias é um dos pilares do programa.
EM CRESCIMENTO – Atualmente, o SAD conta com quatro equipes principais e uma equipe de apoio. E deve crescer.
Estão em fase de habilitação, junto ao Ministério da Saúde, uma equipe multiprofissional com foco pediátrico e outra voltada aos cuidados paliativos — uma resposta ao aumento das doenças crônicas e ao envelhecimento da população.
“A ampliação representa um avanço importante e atende a uma demanda crescente da população”, explica a coordenadora do programa, Erica Toledo.
O Serviço de Atenção Domiciliar completa 30 anos em 2026. Ao longo dessa trajetória, já atendeu aproximadamente 7.200 pacientes em Piracicaba.
O atendimento funciona todos os dias, das 7h às 19h, com suporte contínuo às famílias. A sede do serviço, na avenida Piracicamirim, 3.139, também realiza acolhimento, cadastro e orientação aos cuidadores.
O acesso ao programa segue critérios técnicos definidos pelo Ministério da Saúde, garantindo que o atendimento chegue a quem realmente precisa.
Além disso, o SAD atua em articulação com outros serviços e instituições, como CRAS, CREAS, Defensoria Pública e instituições de ensino — ampliando a rede de cuidado e proteção.
A trajetória de 30 anos do programa será destacada em uma Moção de Aplausos proposta pelo vereador Fábio Silva, que será entregue no dia 27 de abril.
ELO PODEROSO – Entre equipamentos, protocolos e visitas programadas, o que se constrói no dia a dia do SAD vai além da assistência. É presença. É escuta. É cuidado compartilhado.
E, para quem está do outro lado, enfrentando a rotina muitas vezes silenciosa do cuidar, isso faz toda a diferença.
“Se não fossem elas…”, repete Célia. E a frase, simples, diz tudo.
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Com informações da Prefeitura de Piracicaba




