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O encontro ‘Vozes da Inclusão: Vivências, Barreiras e Caminhos para uma Sociedade Acessível’, foi realizado na tarde desta quinta-feira (16), no auditório do Bloco B da Cidade Universitária. O evento foi em parceria entre a Coordenação-Geral de Políticas para Pessoas com Deficiência da Prefeitura de Macaé, o Projeto de Acessibilidade e Inclusão da Pessoa com Deficiência na Educação (PAIDE), da UFRJ, e o Centro Multidisciplinar UFRJ-Macaé.

O objetivo do encontro foi possibilitar um espaço de escuta e reflexão sobre os desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência no município.A coordenadora do Projeto de Acessibilidade e Inclusão da Pessoa com Deficiência na Educação (PAIDE), Cherrine Kelce Pires, ressaltou que essa parceria fortalece ações mais amplas e comprometidas com a transformação social.

“Reafirmo aqui um compromisso de contribuir para que a Universidade seja de fato um espaço acessível, onde todas as pessoas possam não apenas entrar, mas permanecer e com sucesso. O “Vozes da Inclusão” não é apenas um evento, é um espaço de escuta, de reflexão, de visibilidade e principalmente de construção coletiva. Que este momento, este encontro, nos provoque, nos mobilize e nos leve à ação. Que possamos sair daqui mais comprometidos para ações concretas que rompem barreiras, sejam arquitetônicas, pedagógicas, comunicacionais e principalmente, as atitudinais, que ainda são as mais difíceis de serem desconstruídas. Que este espaço seja de troca, de aprendizado, de fortalecimento, e que possamos juntos contribuir, construindo caminhos mais acessíveis e inclusivos, dentro e fora da universidade”, pontuou.

A coordenadora da Diversidade e Inclusão da Secretaria de Educação, Nelita Araújo, disse que o encontro envolve muitos temas importantes.

“Temos na rede municipal de ensino em média 39 mil alunos, desse total 3082 são pessoas com deficiência, registrados. Temos 72 professores especiais e 60 salas de recursos. Tivemos uma grande evolução, principalmente com a abertura de novas escolas, no entanto, a demanda para atender essas crianças e jovens cresce a cada dia e o nosso intuito é garantir uma educação de qualidade, baseada na Legislação de Educação Especial, que fazer valer os direitos dos PCDs em suas condições dentro da educação”, ressaltou.

A coordenadora Geral de Políticas da Pessoa com Deficiência da Secretaria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Acessibilidade e Economia Solidária, Caroline Mizurine, destacou a importância do fortalecimento de políticas públicas para PCDs no município, para que possam dar para essas pessoas autonomia e protagonismo.

“Nada de nós sobre nós. Esse é o nosso lema. Nós queremos ouvir as pessoas com deficiência, saber de suas expectativas e anseios. Estamos empenhados em contribuir para tornar Macaé menos capacitista dando oportunidades para que essas pessoas possam ter acesso a todas as áreas, saúde, educação, lazer e cultura. Gostaria de agradecer também a parceria de outras secretarias, pois ninguém faz nada só”, disse.

A secretária Executiva de Ensino Superior, Iza Vicente, agradeceu o convite e ressaltou que os desafios para se ter de fato inclusão são muito grandes.

“Na Cidade Universitária temos a UFF, UFRJ, UFF, FEMASS e CAP, e temos muitos jovens e adultos PCDs que chegam ao ensino superior e o desafio é que eles permaneçam até o fim. Temos que ser multiplicadores da inclusão e quando vemos alguém desrespeitando como por exemplo, vagas destinadas a PCDs serem ocupadas por outras pessoas que não tem necessidade, que possamos erguer a nossa voz e mostrar que elas existem. Que possamos ter mais encontros como esse”, comentou.

Confira um pouco da história de cada uma das quatro pessoas com deficiência convidadas que compartilharam suas vivências, anseios e desafios diários:

Mineia Negrão, pessoa com deficiência visual, fez uma apresentação belíssima, contando um pouco sobre sua história de vida e como desenvolveu sua autonomia após perder a visão aos 11 anos. Servidora do município de Macaé, está planejando contribuir com a inclusão das pessoas com deficiência visual onde trabalha, no Centro de Convivência e Cultura Benedicto Lacerda, através de oficinas sobre o sistema Braille e demais assuntos pertinentes à pauta.

Tairine Rangel, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista na fase adulta, também compartilhou os desafios de viver uma deficiência não aparente em uma sociedade que ainda foca nas ações inclusivas para a infância. Tairine também é servidora do município de Macaé, profissional tradutora e intérprete de Libras, e contribui com a inclusão dos alunos com deficiência auditiva na Escola Municipal Joffre Frossard.

Aline Lacerda, pessoa usuária de cadeira de rodas, falou sobre a sua experiência no ambiente acadêmico e a importância da acessibilidade arquitetônica para a sua autonomia. Estudante do curso de Farmácia do CM UFRJ-Macaé, Aline também contribui com a construção de uma sociedade mais inclusiva por meio da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão da Universidade.

Maria Eduarda, uma jovem de 22 anos com surdez bilateral, sinalizante, com formação técnica em Meio Ambiente pelo Instituto Federal Fluminense – IFF Macaé, compartilhou suas experiências, anseios e dificuldades na busca por oportunidades no mercado de trabalho em virtude do capacitismo – preconceito contra as pessoas com deficiência.

Também compareceram ao evento o Presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência de Macaé, Elias Lourenço, e a Dra. Marcela Machado, advogada e membro da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) da 15ª Subseção da OABRJ.

 

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Com informações da Prefeitura de Macaé

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