Os dados correspondem ao período entre fevereiro e maio deste ano e foram identificados pelo Sistema de Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, IPC.
Desnutrição Aguda Generalizada
A análise do IPC, que abrangeu 195 localidades e assentamentos de deslocados internos em todo o Sudão, confirma que a desnutrição aguda severa continua generalizada no país.
O risco de fome foi identificado em 14 áreas de Darfur do Norte, Darfur do Sul e Cordofão do Sul. O relatório destaca o “cenário pessimista plausível” face ao agravamento do conflito e as restrições ao acesso humanitário e à circulação de bens e pessoas.
Crianças caminham por um campo de deslocados na região do Nilo Branco, no Sudão.
Mais de 800 mil crianças ameaçadas pela desnutrição
O IPC estima que 825 mil crianças com menos de cinco anos venham a sofrer de desnutrição aguda grave em 2026. Esta avaliação confirma um aumento de 7% face ao ano passado e 25% acima dos níveis dos anos anteriores ao conflito, entre 2021 e 2023.
O relatório alerta que, apesar de quase 100 mil crianças admitidas a tratamento entre janeiro e março, as restrições ao apoio humanitário comprometem o acesso e a qualidade do serviço, aumentando o risco de morte entre este grupo.
Acesso humanitário condicionado
O conflito no Sudão já forçou a deslocação de mais de 8,9 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, os ataques a espaços civis com recurso a drones intensificaram-se e constituem a principal causa de morte entre a população.
Por sua vez, o agravamento dos confrontos comprometeu o funcionamento do sistema de saúde sudanês, com cerca de 40% das unidades de saúde inoperantes no início do ano.
O IPC destaca ainda que o acesso humanitário continua fortemente limitado, restringindo tanto a prestação de assistência como a coleta de dados em algumas das áreas mais afetadas pela crise.
O Sudão continua sendo a maior crise de deslocamento do mundo
Fim imediato das hostilidades
O conflito em curso no Oriente Médio acrescenta uma nova camada de complexidade à crise no Sudão, contribuindo para o aumento dos preços dos combustíveis, alimentos e fertilizantes.
Entre as ações recomendadas, o IPC destaca o fim imediato da violência, a garantia de proteção de civis e o levantamento de entraves burocráticos à assistência humanitária.
Sem a adoção de medidas para a resolução pacífica do conflito, o IPC não prevê qualquer melhoria significativa da situação de segurança alimentar e nutricional no Sudão em 2026.
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Com informações da ONU





