Segurança e organização deram o tom do evento este ano, que atravessou as ruas da Vila Nogueira acompanhado de famílias e crianças

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No final da tarde de sábado (25), aconteceu em Diadema a 4ª edição da Procissão de Ogum, orixá das religiões de matriz africana sincretizado como o São Jorge da liturgia católica. Organizada por Pai Léo de Oxalá, do Templo de Umbanda Ogum Iara e Baiano Zé dos Cocos, a iniciativa de ir às ruas, não somente em caráter religioso mas também civil, busca estimular o posicionamento da população e das autoridades contra a intolerância religiosa e o preconceito religioso.

“Foi um ato de fé e de resistência”, explicou Pai Léo. “Ogum é o grande defensor, guerreiro e protetor de toda a nação Iorubá, trazida ao Brasil em decorrência da diáspora africana, da escravidão. Ao mesmo tempo, ele é, ao lado de Iemanjá, o mais brasileiro de todos os Orixás. Essa procissão foi um chamado para que, juntos, possamos nos fortalecer e reconhecer o legado de luta que nossos antepassados nos deixaram.”

Segundo o sacerdote, há muitos anos que Ogum é celebrado em Diadema, de maneira isolada, por várias casas. Mas, com o passar dos anos, casas de umbanda e candomblé foram se unindo a outros grupos, como o Bloco As Maravilhosas, responsáveis pela percussão do evento, e, desde o ano passado, também com a Coordenadoria de Promoção e Políticas de Igualdade Racial (Creppir) da Prefeitura de Diadema, para auxiliar na organização junto ao departamento de trânsito, ao uso de aparelhagem de som e muito mais.

“A participação da Creppir na Procissão de Ogum tem grande relevância institucional, social e cultural”, justifica a coordenadora. “Trata-se de um evento que expressa a força das tradições de matriz africana e afro-brasileira, sendo um importante símbolo de resistência, identidade e valorização da diversidade religiosa. Ao apoiar e estar presente nessa atividade, a Coordenação reafirma o compromisso do poder público com a promoção da igualdade racial, o respeito à liberdade religiosa e o combate ao racismo estrutural e à intolerância religiosa Esse apoio reforça o papel da Prefeitura de Diadema na construção de uma sociedade mais justa, plural e democrática, onde diferentes expressões culturais e religiosas possam ocupar os espaços públicos com dignidade e reconhecimento.”

Segurança e organização – A marcha transcorreu sem problemas. “Nas quatro edições da Procissão de Ogum não enfrentamos resistência alguma, tampouco atos de intolerância”, afirmou Pai Léo. “Diadema não está fora do mapa do Preconceito e da Intolerância, e ainda há muito a ser feito, mas o povo diademense é acolhedor e respeitoso. E foi gratificante ver as pessoas saindo nas janelas, parando os carros para acenar, tirar uma foto, enfim, ver que o Orixá não é o demônio como foi pintado ao longo de séculos por outras comunidades. Tínhamos Idosos, jovens e crianças, num ambiente familiar e comunitário, como o Orixá quer. Ogun ye!”

por André Ribeiro / Fotos: Mauro Pedroso

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Com informações da Prefeitura de Diadema

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