Nesta segunda-feira, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tedros Ghebreyesus disse que, até agora, 101 casos e 10 mortes foram confirmados em laboratório como associados ao ebola.
Centros de tratamento incendiados
Na RD Congo, epicentro do surto, a OMS elevou sua avaliação de risco nacional de alto para muito alto.
No entanto, os esforços para conter a doença estão sendo dificultados pela desconfiança da comunidade local em relação às autoridades externas, o que aumenta significativamente o risco de transmissão.
Nos últimos dias, dois centros de tratamento foram incendiados na região, que tem sido assolada por intensos combates, causando o deslocamento de mais de 100 mil pessoas.
A diretora de Resposta a Emergências da OMS África, Marie Roseline Belizaire, disse à ONU News que os ataques estão ligados a campanhas de desinformação que circulam nas redes sociais.
Segundo ela, essas informações falsas estão atrasando significativamente as investigações dos casos e limitando a capacidade das equipes de saúde de chegar às comunidades afetadas.
Um especialista em água e saneamento do Unicef explica as medidas de prevenção do ebola a alunos de uma escola primária em Bunia, Ituri, República Democrática do Congo
Regras em torno dos sepultamentos
Os protocolos rigorosos que envolvem o sepultamento de vítimas suspeitas de Ebola têm sido motivo de revolta na população.
Velórios com mais de 50 pessoas foram proibidos pelas autoridades no nordeste da República Democrática do Congo, e soldados armados e policiais têm feito a segurança dos sepultamentos realizados por profissionais de saúde.
Segundo Belizaire, a OMS está trabalhando com líderes locais tradicionais e curandeiros para intensificar o envolvimento da comunidade e melhorar a segurança dos profissionais de saúde externos.
As famílias das vítimas têm permissão para se despedir dos seus entes queridos, mas, para protegê-las do vírus, não lhes é permitido tocar no corpo.
A especialista disse que a OMS oferece equipamentos de proteção à família, para que possam ajudar a colocar o ente querido num saco para cadáveres e rezar por ele.
Medicamentos em ensaio clínico
Apesar de os surtos já ocorrerem há quase 20 anos, ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados para o vírus Bundibugyo.
A OMS recomendou priorizar dois medicamentos em ensaios clínicos e avaliar o antiviral obeldesivir como tratamento para pessoas que tiveram contatos de alto risco.
A agência de saúde da ONU está ampliando urgentemente as operações no terreno, incluindo rastreamento de contatos, estabelecimento de centros de tratamento, fortalecimento da capacidade laboratorial, gestão de casos, prevenção e controle de infecções, comunicação de riscos e engajamento comunitário.
Cerca de US$ 3,9 milhões foram liberados do Fundo de Contingência para Emergências da OMS para ajudar a financiar essas medidas.
source
Com informações da ONU



