Apesar da proximidade com o setor desde a infância, a trajetória como produtor começou anos depois, quase por acaso. Em 2008, incentivado por técnicos da Emater-MG a participar de um concurso regional de queijo artesanal, Alexandre decidiu produzir algumas peças improvisadas. “Maturei os queijos na cozinha, em cima do fogão a lenha, e acabei ganhando o prêmio de melhor queijo da região de Araxá”, lembra. A conquista foi decisiva para ele investir na construção da queijaria e dar início à produção profissionalizada.
Hoje, a Fazenda Só-Nata produz cerca de 250 queijos por dia e se tornou referência na região. Em 2024, Alexandre Honorato recebeu o Prêmio Cumbucca na categoria “Personalidade do Queijo Minas Artesanal”, reconhecimento que reforçou a relevância do trabalho desenvolvido ao longo dos anos. “Meu avô e meu pai sempre estiveram ligados à produção e comercialização de queijo. Aproveitei o conhecimento de família e aprimorei as técnicas que aprendi ainda criança. Receber esse prêmio indica que estamos no caminho certo”, afirma.
Premiações
Alexandre conquistou medalha de ouro no Mundial do Queijo de Tours, na França, em 2019. Além de títulos no Concurso Regional do Queijo de Araxá e no Concurso Estadual do Queijo Minas Artesanal, no qual foi campeão em 2009 e 2025. Em concursos mais recentes, a Fazenda Só-Nata recebeu medalhas no Mundial do Queijo do Brasil e na ExpoQueijo Brasil, consolidando o reconhecimento da qualidade dos produtos.
Qualificação
Mesmo preservando as bases do modo tradicional de fazer o queijo minas artesanal, Alexandre buscou aperfeiçoar processos. Inspirado em técnicas observadas em cursos e produções de laticínios, adaptou etapas do preparo da massa para alcançar um produto mais cremoso e homogêneo. “Meu queijo sempre foi suave, cremoso e amanteigado. A genética dos animais ajuda muito nisso, porque selecionamos um leite com mais qualidade para queijo”, explica.
Há quatro anos, o produtor aderiu ao Sebraetec FIV, programa de melhoramento genético do rebanho que utiliza a inseminação artificial para aprimorar a qualidade do leite. Além da fertilização in vitro, Alexandre também investe em genotipagem para seleção de animais com leite A2A2. O trabalho de aprimoramento genético contribui diretamente para as características sensoriais do queijo produzido na fazenda.
Para garantir estabilidade na maturação dos queijos, Alexandre utiliza estratégias como aquecimento e refrigeração do ambiente da queijaria conforme a estação. “O maior desafio é manter a qualidade durante todo o ano. Quando muda o clima, o queijo sofre alterações. Então, precisamos controlar a temperatura para deixar o queijo mais homogêneo possível”, destaca.
Participante de todas as edições do Festival do Queijo Artesanal de Minas, em Belo Horizonte, Alexandre considera o evento um dos momentos mais importantes para o setor. “É uma oportunidade de encontrar produtores de várias regiões, trocar experiências e divulgar o nosso trabalho. Além disso, as vendas e a visibilidade em Belo Horizonte são muito boas”, afirma.
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Com informações do SEBRAE MG



