A Copa do Mundo FIFA de 2026 vai começar no próximo dia 11 de junho- com a estreia da seleção brasileira, contra o Marrocos, marcada para dois dias depois. Esta é a segunda reportagem da série semanal demonstrando a relação da Cidade com o maior evento de futebol do mundo e este esporte que movimenta bilhões de pessoas ao redor do globo. Leia os demais textos em https://www.santos.sp.gov.br/?q=portal/santos-nas-copas
Fábio Maradei
Próximos de mais uma Copa do Mundo, contamos nessa série de matérias, a forte ligação de Santos com o evento. Dessa vez, voltamos em 2014 para lembrar quando México e Costa Rica se hospedaram e treinaram na Cidade.
Mesmo sem ser uma das sedes oficiais da Copa do Mundo FIFA 2014, Santos foi um grande destaque durante o evento, atraindo as atenções da mídia internacional e muitos turistas estrangeiros. A cidade entrou no “mapa” do torneio por receber duas seleções na primeira fase: México e Costa Rica.

Decisão que movimentou intensamente a economia, o turismo e a rotina local. Dados da Prefeitura, mostram o impacto turístico nessa época: 12 mil turistas estrangeiros estiveram na Cidade ao longo do mundial, refletindo positivamente em hotéis (representando metade da ocupação), restaurantes, bares e lojas.
A atenção era mais do que justificável. Os mexicanos estavam no grupo do Brasil e os costarriquenhos chegaram como “azarões” e se tornaram a grande “zebra”, ao avançarem invictos no chamado grupo da morte, naquela edição.
A presença das duas equipes, numa cidade que não teria jogos, mudou o ritmo cotidiano e movimentou especialmente o Gonzaga, que virou ponto de encontro de turistas, torcedores e jornalistas de várias partes do mundo.
A cidade soube aproveitar o momento, projetando sua imagem para o mundo e mostrando capacidade de receber grandes delegações internacionais. Mais do que uma base de concentração, Santos viveu a Copa intensamente – nas ruas, nos hotéis, nos treinos e no contato direto entre culturas.
LOGÍSTICA E AMBIENTE
A escolha das duas seleções não foi por acaso. A proximidade com São Paulo facilitava a logística das seleções, enquanto a tranquilidade da cidade oferecia o ambiente ideal de concentração. Somado a isso, a estrutura esportiva foi decisiva.
O México treinou no CT Rei Pelé, enquanto a Costa Rica fez sua preparação na emblemática Vila Belmiro, palco de tanta história, sobretudo ligada a Pelé, com mais de 200 partidas ou “verdadeiros shows de futebol” naquele estádio.

O técnico da Costa Rica, Jorge Luís Pinto, elogiou publicamente a tranquilidade da cidade e a hospitalidade dos moradores. Segundo ele, Santos oferecia “ambiente ideal para concentração”.
Além de México e Costa Rica, a cidade foi procurada por representantes de Inglaterra, Alemanha, Grécia, Bélgica e Coreia do Sul, confirmando as condições que agradaram as duas delegações hospedadas.
Vale lembrar que antes mesmo do Brasil ser oficializado como a sede da Copa, os santistas já sonhavam com isso. O então presidente (e agora novamente no cargo) do Santos FC, Marcelo Teixeira, declarou em 2007 que a Cidade poderia ser uma sede, por sua proximidade com São Paulo.
GONZAGA FERVILHANDO
Hospedadas no Gonzaga, o México ficou no Parque Balneário Hotel e a Costa Rica no Mendes Plaza Hotel, transformando o bairro em um dos pontos mais movimentados do país fora das sedes de jogos. Receber seleções de Copa sempre exige um protocolo rígido da FIFA.
Os dois hotéis precisaram passar por adaptações. Na gastronomia, cada delegação trouxe seus próprios chefs e nutricionistas. O México exigiu uma enorme quantidade de pimentas específicas e ingredientes para suas tortillas, enquanto a Costa Rica focou em frutas tropicais e o tradicional ‘gallo pinto’ para o café da manhã. Andares inteiros foram isolados.
No Gonzaga, era comum ver batedores da Polícia Federal e do Exército escoltando os ônibus das delegações, transformando o trajeto até os treinos em um evento à parte. A movimentação chamou atenção de moradores e comerciantes.

Em entrevista à imprensa local na época, o comerciante Paulo Sérgio dos Santos, dono de um restaurante na orla, resumiu o momento: “Foi algo fora do comum. A cidade estava cheia todos os dias, e muita gente de fora descobriu Santos por causa da Copa.”
A presença da delegação do México gerou uma pequena “onda mexicana” na Cidade. Restaurantes adaptaram cardápios com pratos típicos e bandeiras do México apareceram em bares e estabelecimentos próximos ao hotel. O bairro virou reduto mexicano e a cada jogo da seleção, os quiosques da orla ficavam lotados de camisas verdes.
A imprensa internacional também foi constante. O jornalista mexicano David Faitelson, da ESPN, chegou a destacar em suas entradas ao vivo o ambiente da cidade: “Santos oferece tranquilidade e estrutura ideal. É um excelente local para uma seleção se preparar.”
Santos não recebeu apenas jogadores; foram milhares de torcedores que não conseguiram (ou não quiseram) ficar no agito de São Paulo. Pela proximidade com a capital, era comum cruzar com holandeses, ingleses e australianos nos bares do Canal 4 e do Gonzaga, aproveitando a praia entre um jogo e outro no Itaquerão.

FESTA NOS TREINOS
Mesmo sem acesso direto, torcedores acompanhavam a rotina das delegações. Todos os dias, diversos torcedores, de idades e nacionalidades variadas, marcavam presença nas imediações e quando os ônibus passavam era uma festa. Muitas vezes como se fosse a própria seleção brasileira ali.
Do lado costarriquenho, o clima também era de gratidão. O atacante Joel Campbell, um dos destaques daquela campanha histórica, comentou à imprensa internacional: “A recepção em Santos foi incrível. Nos sentimos em casa.”
HOLANDA
Coincidentemente as duas seleções tiveram como “algoz” a Holanda. O México começou de forma sólida, destacando-se o empate contra o Brasil, mas terminou de forma frustrante nas oitavas de final.
Na primeira fase, terminou em segundo lugar, no Grupo A, com os mesmos sete pontos do Brasil, mas perdendo no saldo de gols. Venceu Camarões (1×0), empatou com os donos da casa (0x0) e venceu a Croácia (3×1). Nas oitavas, em Fortaleza, vencia a Holanda por 1 a 0 até os 43 minutos do segundo tempo, mas sofreu a virada nos momentos finais.

Já o surpreendente desempenho da Costa Rica prolongou a estadia da equipe em Santos até as quartas de final. A campanha foi histórica, considerada uma das maiores surpresas do torneio no Brasil.
Os “Ticos” lideraram o “Grupo da Morte” (Grupo D), vencendo Uruguai (3×1) e Itália (1×0), e empatando com a Inglaterra (0x0). Eliminaram a Grécia nos pênaltis nas oitavas (5×3) e só pararam nas quartas para a Holanda, também nos pênaltis.
Novamente o técnico Jorge Luis Pinto fez questão de destacar a importância da cidade na trajetória da equipe:
“A tranquilidade e a estrutura que encontramos em Santos foram fundamentais para o nosso desempenho.”
INTEGRAÇÃO
As seleções também interagiram com a cidade. Jogadores participaram de visitas a escolas e eventos em pontos turísticos como o Monte Serrat e o Clube dos Ingleses.
Uma dessas ações marcou alunos da rede municipal de ensino no Morro do José Menino. Após a vitória sobre o Uruguai, e surgir com a “zebra” no início da Copa, a seleção costarriquenha aproveitou o dia livre para visitar a UME Padre Lúcio Floro.
Imprensa e moradores se aglomeraram esperando a delegação. Os 175 alunos do 1º ao 4º ano providenciaram uma recepção calorosa.

Os jogadores chegaram tímidos, mas depois foram se soltando com apresentações, incluindo a escola de samba mirim da Fundação Pagoba. Alguns até arriscaram passos de samba e Christian Bolaños entrou na roda. Keylor Navas, Bryan Ruiz e Joel Campbell levaram presentes para as crianças, muitas delas acompanhadas por seus país.
Foi inaugurada uma placa para comemorar a visita dos Ticos e 23 crianças foram sorteadas para receber camisas da seleção. A visita simbolizou bem a integração da comunidade com a seleção.
Outro momento que marcou foi com os mexicanos. O astro Javier Chicharito Hernández aproveitou a folga para jogar futebol na areia da praia do Gonzaga. Utilizando uma camisa personalizada com o seu nome e número que ganhou do Santos FC, o atacante esteve acompanhado de outros jogadores da seleção e se uniu a moradores locais para o jogo informal.

BALANÇO MAIS DO QUE POSITIVO
Durante a Copa do Mundo 2014, Santos registrou um impacto turístico significativo impulsionado, principalmente, pela presença das duas seleções.
Segundo estimativas da Secretaria de Turismo, cerca de 12 mil turistas estrangeiros passaram pela cidade ao longo do Mundial, superando a previsão inicial de 10 mil visitantes.
Esse fluxo refletiu diretamente na rede hoteleira, onde os estrangeiros chegaram a representar mais da metade dos hóspedes em determinados períodos.
Os números também se confirmaram em outro indicador: o então recém-inaugurado Museu Pelé recebeu quase 24 mil visitantes em seu primeiro mês de funcionamento, sendo aproximadamente 50% estrangeiros.

Mesmo sem sediar jogos, Santos ganhou protagonismo e o mundo passou, literalmente, pelas ruas do Gonzaga. Santos provou que o brilho de uma Copa do Mundo não emana apenas do apito inicial, dos gols ou vitórias nos estádios, mas do abraço entre desconhecidos em uma mesa de quiosque ou no olhar feliz de uma criança do morro ao tocar a mão de um ídolo internacional.
Mais do que números de ocupação hoteleira, o que ficou foi a memória que uma diversidade de países, costumes e idiomas escolheu as calçadas de Santos para caminhar.
A Copa passou pela Cidade, mas a hospitalidade e o orgulho de ser santista ficaram gravados na história e no coração de cada estrangeiro que, por algumas semanas, chamou Santos de lar.
Esta iniciativa contempla o item 3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Saúde e Bem-Estar. Conheça os outros artigos dos ODS.
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Com informações da Prefeitura de Santos





