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Refeições congeladas, salgadinhos e embutidos são alguns dos alimentos ultraprocessados presentes na dieta das pessoas e que representam riscos à saúde pública dos países das Américas.

Na Semana de Conscientização sobre o Sal, encerrada neste domingo, a Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, reforçou o alerta sobre os perigos do consumo excessivo e dos desafios enfrentados na região.

Dicas para reduzir o consumo

A ONU News conversou com a presidente do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Erika Campana, sobre como o ingrediente pode afetar o organismo.

“O excesso de sal faz com que o corpo retenha líquidos, aumenta a pressão arterial e sobrecarrega o coração, os vasos sanguíneos, os rins e até o cérebro. Com o tempo, isso pode aumentar o risco de infarto, de acidente vascular cerebral, de insuficiência cardíaca e de doença renal. Existe um detalhe importante, a pressão alta muitas vezes não dá sintomas. A pessoa pode estar com a pressão alta e nem perceber. A boa notícia é que pequenas mudanças fazem muita diferença: reduzir o consumo de ultraprocessados; experimentar temperos naturais, como alho, cebola, ervas e limão; além de provar alimentos antes de adicionar mais sal já ajuda bastante”.

A especialista explicou que a maior parte do sódio que as pessoas consomem vem de alimentos industrializados, embutidos, temperos prontos, macarrão instantâneo, salgadinhos, refrigerantes e produtos que nem parecem salgados. 

Unsplash/Peter Werkman
O sódio, um nutriente essencial, aumenta o risco de doenças cardíacas, derrames e morte prematura quando ingerido em excesso.

Limite diário recomendado

O excesso de sal é um dos principais fatores para o desenvolvimento de hipertensão e doenças cardiovasculares, duas das maiores causas de morte no continente.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, recomenda o consumo diário máximo de 2.000mg de sódio para adultos, equivalente a uma colher de chá.

Apesar disso, o consumo permanece muito acima do limite recomendado. O assessor em nutrição e atividade física da Opas, Fabio da Silva Gomes, destaca que o sal adicionado à mesa não é o principal problema.

O maior desafio está na ingestão de alimentos industrializados, afirma o assessor, responsáveis por cerca de 80% da ingestão de sódio, muitas vezes sem os consumidores perceberem.

Aumento do consumo de ultraprocessados

Para ele, o aumento do consumo de ultraprocessados torna essenciais políticas como os rótulos de advertência na parte frontal das embalagens, que ajudem a população a identificar produtos com excesso de sódio. 

O maior desafio para a implementação dessas diretrizes é a pressão da indústria alimentícia. 

Segundo Gomes, as empresas do setor frequentemente tentam atrasar ou enfraquecer as medidas, questionando estudos científicos ou recorrendo à Justiça para impedir regulações mais rígidas. 

Medidas regulatórias

A substituição por ingredientes como sal rosa, sal marinho e sal refinado não é a solução recomendada. Apesar de conterem minerais em menores quantidades, continuam, em sua maioria, sendo cloreto de sódio. 

Países como Argentina, México e Colômbia já adotaram regulações sobre o uso em alimentos industrializados, com estudos mostrando redução na compra de produtos ricos em sal.

A Opas mantém alinhamento com a meta da OMS de reduzir em 30% o consumo de sal. O assessor defende a implementação de políticas públicas, a regulação da publicidade e a restrição da oferta desses produtos em escolas.

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Com informações da ONU

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