
O último sábado deveria ser histórico em São Paulo. Se dependesse da vontade de boa parte dos paulistanos, de grandes empreendedores e de diversas entidades da cidade, milhares de pessoas, entre moradores e turistas, se encontrariam no cruzamento mais conhecido do país, entre as avenidas São João e Ipiranga, para assistir, nos telões do Boulevard São João, à estreia do Brasil na Copa do Mundo.
Apesar do jogo ser à noite, às 19 horas, horário pouco convidativo devido ao histórico recente de insegurança na região (o que mudou bastante, mas isso é outro assunto), a exposição gratuita da partida iria marcar uma nova fase para o Centro de São Paulo, apresentando o Boulevard São João como uma alternativa acessível e convidativa para todo tipo de pedestre — seja ele paulistano ou não.
Acontece que, graças a uma decisão monocrática da justiça, nada disso irá acontecer. Em uma peça muito mais política do que jurídica, a juíza Celina Kiyomi Toyoshima temeu “potencial dano a toda a população” e, sozinha, resolveu vetar uma ideia desenhada por diversas mãos. Então eu me peguei pensando: a tal juíza leu o projeto?
Para além dos telões, instalados com recursos privados, haveria a requalificação do Largo do Paysandu e da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, além da abertura da Avenida Ipiranga e de parte da Avenida São João para pedestres aos fins de semana, proporcionando gastronomia de rua, ativações culturais e um novo espaço de lazer para os paulistanos no coração da cidade. Perguntar não ofende: onde está o tal “potencial dano a toda a população” nisso tudo?
O potencial dano à população não se concretizou em nenhum dos locais em que a ideia foi implementada. Trata-se, na verdade, de uma política pública já validada e plenamente replicável, utilizada para revitalizar o cruzamento da Broadway com a Sétima Avenida, em Nova York, a Avenida Corrientes, em Buenos Aires, e Piccadilly Circus, em Londres. exemplos de transformação urbana são tão conhecidos e bem-sucedidos que não é difícil imaginar que parte dos críticos do Boulevard São João, inclusive a tal juíza, tenha visitado ao menos um deles.
Sendo assim, existe somente uma palavra possível para descrever o que estão fazendo com o centro de São Paulo: boicote. Boicote com os empreendedores locais, boicote com os munícipes, boicote com os milhões de turistas que nos visitam todos os dias e, principalmente, boicote com a cidade de São Paulo. Porque o único “potencial dano a toda a população” dessa história toda serão as ruas esvaziadas do nosso centro.
Uma pena!
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Com informações da Câmara de São Paulo




