Melqui nasceu e cresceu na mesma propriedade em que vive hoje, vendo o pai trabalhar “de forma mais extrativista, sem muita técnica”, como ele descreve. Quando assumiu sua parte da fazenda, em 1998, tinha uma convicção: queria fazer diferente. “Tinha em mente que precisava de planejamento e de metas para produzir mais e melhor”, diz.
Com apenas 11 hectares produtivos e o terreno mais montanhoso e desafiador da região, a margem para erros era pequena, mas a vontade de mudar era grande. Com Rosemary, que também sempre viveu no campo, ele divide a vida e a lida com o rebanho de 33 cabeças, há nove anos. “Ela gosta mais da produção de leite do que eu”, brinca Melqui. “Digo que sigo ainda mais firme na atividade porque vejo o quanto ela ama isso”, frisa.

Fórmula do sucesso: melhoria genética, manejo e gestão
Acreditando que o crescimento no campo depende de dedicação e aprendizado constante, Melqui investiu em cursos e capacitações. Para aumentar a produção, ele apostou na melhoria genética. Em 2020, por meio da Cooperativa dos Produtores Rurais de Virginópolis (Cooprovi), foi selecionado para o Sebraetec FIV, programa do Sebrae Minas que amplia o acesso à tecnologia de fertilização in vitro para pequenos produtores rurais. “Ver os primeiros animais resultantes do programa crescerem e produzirem foi uma satisfação muito grande”, afirma.
Mas ainda faltava um elemento essencial: método. Em 2021, Melqui passou a integrar o Educampo Leite, programa do Sebrae Minas que oferece assistência técnica e gerencial com foco em indicadores produtivos. “Tiramos o gado do pasto e passamos para o regime semiconfinado, com silagem de milho 24 horas. Em poucos dias, observamos o resultado”, relata.
A média de produção por vaca saltou de 15 para 20 litros logo no início. Em 2025, se consolidou em 22,96 litros por vaca/dia, contra 18,49 de média do grupo atendido pelo Educampo. Diante dos números, a fazenda registrou recorde de produção: 403 litros de leite por dia; 147.363 litros no ano, alcançando 13.362 litros por hectare, mais do que o dobro da média do grupo, que foi de 4.682 L/ha/ano, e quase três vezes acima da referência de 5 mil L/ha/ano.
Com animais que chegam a produzir 52 kg de leite (cerca de 50 litros/dia) em picos de lactação, o resultado também veio em forma de troféu: primeiro lugar no torneio leiteiro de Açucena e o reconhecimento do Educampo em produção por área, taxa de lotação (1,59 vaca/ha, contra média de 0,63 do grupo) e gordura no leite (3,98%) no último registro de indicadores do grupo.

Dedicação e investimento
Na Fazenda Córrego do Monjolo, cada vaca é acompanhada individualmente. Nutrição, saúde, conforto e ciclo reprodutivo são monitorados 24 horas. No dia a dia, o trabalho na fazenda é dividido em família: Melqui e Rosemary compartilham o manejo com a irmã dela e o cunhado, donos da propriedade ao lado. As duas famílias se revezam e dividem a lida como quem divide um propósito. A mãe de Rosemary e o sobrinho, que sonha cursar Medicina Veterinária, também colaboram no cotidiano.
Para Melqui, o maior aprendizado não foi obtido em planilha ou indicador, mas em algo que o Educampo mostra na prática: animal bem cuidado produz mais, adoece menos e vive mais. “Tudo o que fazemos em termos de manejo e cuidado volta em forma de resultado. O animal responde”, afirma.
O programa também deu ao produtor as ferramentas para analisar e planejar os próximos passos do negócio. Em 2025, Melqui reinvestiu cerca de 22% da renda bruta na propriedade, distribuídos entre mecanização (45,7%), benfeitorias (35,3%) e genética e rebanho (19%). Hoje, a fazenda conta com sete animais provenientes do Sebraetec FIV (cinco Girolando meio-sangue e dois Holandês Puro de Origem). Ele pretende ampliar o rebanho, gradualmente, para 60 cabeças de gado Holandês, raça que apresenta alta produtividade e eficiência.
Futuro promissor
Os próximos passos incluem a construção de um galpão para até 30 animais em lactação, com sistema Compost Barn, autossuficiência no composto de alimentação para o gado, e fosso de ordenha com resfriador. “A meta é chegar a mil litros de leite/dia. Como 2023 e 2024 foram muito bons, iniciamos a terraplanagem do galpão. Mas este ano resolvemos rentabilizar para retomar o projeto com recursos da própria fazenda, evitando a tomada de crédito”, explica.
Nessa trajetória, a Cooprovi foi peça-chave. Em 2020, quando laticínios encerravam operações na região, a cooperativa, que tem 60 anos de atuação, apresentou crescimento expressivo, passando de 400 para cerca de 4 mil litros captados por dia, Hoje, este número está em 60 mil litros/dia. “Se não fosse a Cooprovi, hoje não existiríamos mais aqui”, resume Melqui. A expectativa do produtor para o novo ciclo de melhorias é o lançamento do programa Qualidade do Leite, do Sebrae Minas.
Dados traduzidos em ações
Os resultados do trabalho desenvolvido pelo Educampo Leite na Fazenda Córrego do Monjolo poderão contribuir com o aprimoramento das boas práticas na produção do leite no estado, por meio do acordo de cooperação firmado recentemente entre o Sebrae Minas e a Embrapa Gado de Leite. “O Educampo tem um acompanhamento muito próximo, que ajuda a desenvolver a nossa competitividade e atrair mercado. Hoje temos metas, acompanhamento e direção”, afirma.
O acordo de cooperação para pesquisa, desenvolvimento e inovação com foco no fortalecimento da cadeia produtiva do leite em Minas Gerais prevê a análise estruturada dos dados coletados pelo Educampo Leite. Os registros servirão de referência para desenvolver painéis e ferramentas digitais capazes de identificar tendências de mercado, oportunidades de melhoria e indicadores estratégicos para a gestão das fazendas. Na prática, isso significa que os resultados conquistados poderão contribuir para diagnósticos mais precisos sobre a realidade da pecuária leiteira mineira, gerando conhecimento útil para produtores, técnicos e agentes do setor em todo o estado.
–
Assessoria de Imprensa: Sebrae Minas – Regional Rio Doce e Vale do Aço
Fernanda Pereira (Stark)
(31) 98250-1752
source
Com informações do SEBRAE MG




