O “Dia do Meio Ambiente” foi pauta de uma audincia pblica na Assembleia Legislativa do Estado de So Paulo nesta segunda-feira (8). O evento reuniu ambientalistas, ativistas e coletivos para discutir sobre as mudanas climticas no estado e a construo de polticas pblicas para conter os impactos.
A data celebrada todo 5 de julho e foi criada pela ONU em 1972, na Conferncia de Estocolmo, para conscientizar e estimular o debate crtico sobre a preservao ambiental. No entanto, para o deputado Carlos Giannazi (Psol), proponente do encontro, “no temos quase nada para comemorar no Brasil, que constantemente atacado por falta de polticas pblicas em defesa real do meio ambiente”.
O presidente do Instituto Brasileiro de Proteo Ambiental, Carlos Bocuhy, destacou que mais de meio sculo aps a instituio da data, o mundo possui muito mais informao e tecnologia para compreender as mudanas climticas. “Ao mesmo tempo, ns nunca tivemos um desmantelamento to rpido, no estado de So Paulo, dos instrumentos pblicos responsveis por transformar esse conhecimento em proteo para a sociedade”, completou.
Principais problemas
Especialistas discutiram os principais pontos de vulnerabilidade ambiental em So Paulo, como a minerao nas regies metropolitanas, poluio atmosfrica e impacto dos aterros sanitrios nos mananciais.
O desmatamento de reas florestais para criao de rodovias foi um dos principais desafios discutidos. Neste tpico, foi feita uma anlise crtica sobre o projeto Nova Raposo, que prev a ampliao da rodovia e a instalao de novos pedgios free flow no trecho que interliga cidades da Grande So Paulo. O impactos das obras j foram pauta na Alesp.
Segundo a ambientalista e vice-presidente da entidade Preservar Ambiental, Adriana Abelho, o projeto destri corredores verdes, moradias, equipamentos pblicos e trechos preservados da Mata Atlntica. ” um absurdo completo, s beneficia as empresas construtoras e concessionrias de servios de rodovias e pedgios, e no resolve em nada o trnsito na cidade”, disse.
Giannazi ainda destacou a privatizao de servios estaduais como um dos principais problemas para crise ambiental e cientfica no Estado. O parlamentar usou como exemplos a concesso de parques pblicos para iniciativa privada, negociaes para vender fazendas pblicas de pesquisa e a privatizao da Sabesp em 2023.
Investimentos na cincia
Para Helena Dutra Lutgens, presidente da Associao dos Pesquisadores Cientficos (APqC), dever do governo estadual investir em uma estrutura capaz de garantir populao paulista segurana alimentar, meio ambiente saudvel e sade pblica acessvel.
Ela destacou que So Paulo teve uma grande evoluo cientfica no final do sculo XIX e incio do sculo XX com a criao de instituies pblicas de pesquisa, mas que hoje o Estado enfrenta uma situao de sucateamento destes aparelhos. Um dos exemplos citados foi a extino do Instituto Florestal, entidade pioneira nas aes de conservao da natureza.
Alm de regenerar a estrutura desmontada, Lutgens ressaltou que preciso reconduzir as polticas no sentido de recuperarmos ambientes que foram alterados e degradados. “Obviamente que a recuperao jamais trar o ambiente inicial, mas h necessidade de fazer esse trabalho de uma forma licita, conduzida pela cincia e no por interesses econmicos ou polticos”, afirmou.
Assista audincia na ntegra, em transmisso da TV Alesp:
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Com informações da Assembleia Legislativa de São Paulo




