Com informações da ONU
“O futuro do trabalho não será determinado apenas pela tecnologia, mas também pelas políticas, instituições e diálogo social que o orientam”, disse.
Salário melhor e mais proteção trabalhista
Com base no seu relatório – Um momento de escolha: aproveitar o potencial da inteligência artificial para o trabalho decente, o líder da OIT destacou uma agenda estratégica estruturada em torno de quatro pilares: direitos, emprego e competências, proteção social e diálogo social.
Segundo ele, trabalhadores em todo o mundo devem ter direito a se beneficiar dos ganhos de produtividade da inteligência artificial.
“Esses ganhos precisam ser distribuídos de forma justa, por meio de melhores salários, proteção trabalhista mais robusta e um crescimento mais inclusivo”.
A negociação coletiva será essencial, de acordo com ele, juntamente com uma “governança da IA baseada na transparência, na responsabilização e na supervisão humana”.
Escolhas impactarão futuro
Para Houngbo, “as escolhas que fizermos hoje determinarão se a IA ampliará as oportunidades e a prosperidade compartilhada ou se aprofundará as desigualdades e a insegurança”.
Esses desafios estão inseridos no contexto de uma economia global marcada por crescentes incertezas e pressões sobre os empregos e os meios de subsistência.
“Nos reunimos em um momento de profunda incerteza. A economia global continua frágil e a crise no Oriente Médio emergiu como uma importante fonte de risco para trabalhadores, empresas e comunidades”, afirmou.
Diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo
Perda de horas de trabalho e renda
De acordo com as estimativas da OIT, em um cenário de choque prolongado nos preços do petróleo, o total de horas trabalhadas no mundo poderá cair, ainda este ano, o equivalente a 14 milhões de empregos em tempo integral, chegando a 38 milhões de desses empregos em 2027.
As perdas de renda do trabalho poderão alcançar até US$ 3 trilhões até 2027, com impactos particularmente severos nos Estados Árabes e efeitos indiretos em toda a região da Ásia e do Pacífico.
Trabalho na economia de plataformas e igualdade de gênero
O Comitê de Elaboração de Normas da Conferência realizará a segunda discussão sobre trabalho decente na economia de plataformas, com o objetivo de adotar novas normas internacionais do trabalho. Se aprovadas, elas serão as primeiras voltadas especificamente para os impactos da digitalização no mundo do trabalho.
Já o Comitê de Discussão Geral abordará a igualdade de gênero no mundo do trabalho, examinando as barreiras estruturais que continuam a limitar as oportunidades para as mulheres e as políticas necessárias para garantir que as transições tecnológica, ambiental e demográfica contribuam para mercados de trabalho mais igualitários e inclusivos.
Outros assuntos da Conferência
Também serão discutidos os temas do diálogo social e do tripartismo, analisando como uma cooperação mais estreita entre governos, empregadores e trabalhadores pode contribuir para enfrentar os desafios da transformação digital e do aumento das desigualdades, ao mesmo tempo em que fortalece a governança do mercado de trabalho e promove a justiça social.
A Conferência Internacional do Trabalho reúne, até este 12 de junho, representantes de governos, empregadores e trabalhadores dos 187 Estados-membros da OIT para debater temas com impactos de longo prazo sobre o mundo laboral.
*Valéria Maniero é correspondente da ONU News em Genebra.




