O vice-diretor do Escritório da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, em Nova Iorque explicou como a agência atua na linha da frente para garantir que o potencial destes recursos seja aproveitado sem causar danos à saúde humana ou ao meio ambiente.
Prospecção segura e sustentável
Em recente entrevista à ONU News, na sede da ONU, Nuno Luzio, o foco está na capacitação para aconselhar e apoiar as autoridades a realizar a prospecção de forma segura e sustentável.
O apoio da Aiea traduz-se em missões técnicas e no reforço do quadro regulamentar dos Estados-membros.
Continente africano ainda não traduziu essa riqueza em prosperidade
“Nós temos programas de capacitação, por exemplo, em 2024 nós tivemos uma missão bastante grande de técnicos no Uganda, exatamente para aconselhar e apoiar as autoridades em como é que pode fazer uma exploração do urânio, prospecção, exploração de uma forma segura, de uma forma sustentável, de uma forma que não ponha as populações em risco, e que haja uma reabilitação destes terrenos, uma vez explorados.”
Apesar de concentrar mais de 30% de minerais críticos do mundo incluindo o cobalto, lítio e manganês, essenciais para tecnologias renováveis, o continente africano ainda não traduziu essa riqueza em prosperidade.
Benefícios económicos dos recursos africanos
Esta questão junta a ONU a líderes e especialistas em debates sobre estratégias que permitam ao continente reter os benefícios econômicos dos seus próprios recursos.
“Uma vez que estas minas sejam exploradas, tem de haver programas de reabilitação para que elas não tenham efeitos nefastos, e portanto esse é, por exemplo, um exemplo, mas temos outro, no ano passado o diretor-geral foi ao Níger, que é um grande produtor de urânio, exatamente para garantir apoio da agência em capacitação técnica, em recursos humanos e também na parte regulamentar, portanto tem de haver aqui regulamentos que o país tem de implementar de maneira a que haja uma exploração segura e sustentável.”
Revolução tecnológica global
O papel da tecnologia nuclear também é essencial no desenvolvimento agrícola, no combate à fome e na erradicação de pragas. Paralelamente, a ONU defende que a África está diante de uma revolução tecnológica global alimentada por jovens como o seu maior ativo.
Níger é um grande produtor de urânio
Com mais de 400 milhões de pessoas entre os 15 e os 35 anos, a nova geração africana é a mais jovem e de crescimento mais rápido do mundo, representando um motor sem precedentes para o crescimento mundial.
No entanto, a sugestão para liberar esse dividendo demográfico é uma mudança estratégica e rápida em direção a investimentos estruturados que muito além de habilidades tecnológicas de ponta incluem infraestrutura digital e educação moderna.
Ao direcionar capital de risco e apoio estrutural para o ecossistema tecnológico do continente, o investimento nessas áreas pode transformar um potencial desafio de desemprego em uma força de trabalho próspera e resiliente.
O efeito direto seria gerar empregos formais e promover uma inovação digital que moldará a economia global.
*Eleutério Guevane é jornalista-sênior da ONU News.
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Com informações da ONU




