A iniciativa se insere em um movimento mais amplo de adoção da gamificação como ferramenta de gestão de pessoas no comércio, em um momento de queda do engajamento no trabalho. Segundo o relatório State of the Global Workplace 2025, da consultoria Gallup, o engajamento dos trabalhadores no mundo recuou de 23% para 21% em 2024, retração associada a uma perda estimada de US$ 438 bilhões em produtividade. O mesmo levantamento aponta que cerca de 70% da variação no engajamento de uma equipe está ligada ao gestor direto, papel exercido com frequência pelo próprio dono do negócio no pequeno varejo.
Provas com meta, prazo e comprovação
Na prática, a gamificação aplicada a equipes comerciais converte rotinas como prospecção de clientes, oferta de itens adicionais e pós-venda em desafios pontuados. O cronograma da competição reuniu 11 “partidas” e oito “pênaltis”, com exigência de comprovação por foto ou vídeo, bônus por criatividade, cartões amarelo e vermelho por inatividade e medalhas digitais que sinalizavam o desempenho das equipes.
Cada prova correspondia a uma competência específica: na “Convocação”, os times registravam foto uniformizada com as cores do Brasil; no “Treino Tático”, ensaiavam abordagens para elevar o valor médio das compras; no “Produto do Dia”, cada vendedor prospectava dez clientes com a meta de vender ao menos uma unidade; o “Ticket Turbo” exigia três vendas com dois ou mais itens; e o pênalti “Gol de Gratidão” consistia no envio de áudio de agradecimento a cada cliente atendido na véspera.
Para Thiago Varejo, dono de lojas e fundador da plataforma Varejo Ativo, responsável pela organização da competição, o desenho técnico das provas é o que separa uma estratégia de gestão de uma ação recreativa. “A gente não partiu da brincadeira para encaixar uma tarefa; partiu da tarefa para desenhar a brincadeira”, afirma.
Segundo o empresário, competição sem propósito vira só festa: “Gincana malfeita é confete: colore o dia e, no outro, alguém tem que varrer”. Ele acrescenta que a disciplina de trabalho fica escondida sob a embalagem lúdica. “Quando a prova exige dez clientes prospectados e ao menos uma venda fechada, o lúdico é só a embalagem. Dentro dela, o vendedor está treinando muitas vezes sem perceber que está numa aula”, diz.
Resultados por loja
Os organizadores ponderam que os números não isolam o efeito da gincana de fatores como sazonalidade e ações locais, mas apontam correlação entre a execução das provas e o desempenho em vendas. Entre os destaques de crescimento, a loja Pret-A registrou alta de 93,2% ante o mesmo período de 2025, com R$ 48 mil adicionais. No ranking por pontos de execução, o Sacoman ficou em primeiro lugar, com crescimento de 28,3% (R$ 34,1 mil a mais), seguido por Natália Modas (+42,5%), San Rios Magazine (+29,4%), Pret-A (+93,2%) e Âncora Materiais para Construção, que cumpriu todas as provas.
O efeito também apareceu em operações menores, como a Conserta Smart, que cresceu 452% sobre uma base reduzida, e a Angela Store, com 158%. Entre negócios de porte intermediário, a Hyper Variedades avançou 8,09%, e a Litoral Congelados Gourmet registrou alta de 33,5% (R$ 25,5 mil a mais).
Para Thiago Varejo, o principal ganho não está no resultado imediato, mas na rotina instalada, e a próxima edição já entra no calendário com ajustes no critério de pontuação. O empresário afirma que pretende valorizar mais a regularidade do que o pico de desempenho: “a loja que fez todas as provas com regularidade entregou resultado mais sólido do que a que brilhou num dia e sumiu no outro”.
Ele antecipa ainda maior peso às provas de pós-venda, citando o áudio de agradecimento ao cliente do dia anterior: “a de agradecer o cliente de ontem é a que mais gera resultado no mês seguinte e a que menos gente valoriza”.
Com mais de dez anos de atuação no varejo brasileiro e mais de sete mil marcas atendidas, a Varejo Ativo desenvolve mentorias, treinamentos, palestras e consultorias e sustenta que competições desse tipo tendem a se consolidar no calendário do setor como instrumento de treinamento de equipes, ao lado de datas comemorativas e campanhas tradicionais.
Para Thiago Varejo, o comércio nacional enfrenta não somente a falta de técnica, mas também a ausência de rotinas que deem motivos para repetir boas práticas todos os dias, leitura que ampara o próprio nome da competição e a tese de que transformar a rotina em jogo só gera resultado quando cada prova esconde uma tarefa que o vendedor precisa executar diariamente.
Para mais informações, basta acessar: www.varejoativo.com.br
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