Em 2025, o emprego continuou crescendo, o desemprego atingiu um de seus níveis mais baixos das últimas décadas e a informalidade seguiu em queda, impulsionada, principalmente, pela criação de empregos formais.
Mulheres e jovens
Apesar dos ganhos, a agência lembra que diferenças significativas persistem entre os países, bem como disparidades que afetam particularmente mulheres e jovens.
Segundo o relatório “Tendências do Mercado de Trabalho na América Latina e no Caribe”, as políticas de emprego devem combinar formalização, desenvolvimento de habilidades, produtividade e proteção social para melhor se adaptarem às mudanças
O documento revela que a taxa de emprego regional aumentou de 59,7% para 59,9% de 2024 para 2025. O desemprego caiu de 5,8% para 5,3%, o nível mais baixo nos últimos 10 anos. No entanto, entre os jovens (15 a 24 anos) é muito mais alto: 11,3%. E entre os que têm mais de 25 anos, menor: 4,1%. Também é muito diferente entre homens (4,4%) e mulheres (6,3%).
Essa queda na desocupação geral, segundo a OIT, mascara uma mudança silenciosa: a transição demográfica está começando a alterar a dinâmica do emprego na região.
Segundo a ONU, a taxa de desemprego entre os jovens é maior que a dos adultos.
Obstáculos e responsabilidades
O relatório destaca que embora as disparidades de gênero na participação na força de trabalho, no emprego e no desemprego continuem em queda, as mulheres ainda enfrentam obstáculos para acessar e permanecer no mercado de trabalho — obstáculos estreitamente ligados à distribuição desigual das responsabilidades de cuidado.
Da mesma forma, os jovens continuam registrando taxas mais elevadas de desemprego e informalidade do que a população adulta, enfrentando dificuldades na transição da educação para empregos de qualidade em um contexto marcado por uma rápida transformação tecnológica.
O relatório destaca que no ano passado, a taxa de informalidade geral (do grupo de 15 países latino-americanos) ficou em 47,4%, o que representa uma redução de 0,9 ponto percentual em relação a 2024 e o nível mais baixo desde 2019. Apesar dessa melhora, praticamente uma em cada duas pessoas ocupadas na região continuava trabalhando em condições de informalidade.
Informalidade no Brasil
Olhando para a taxa de informalidade do Brasil, país de língua portuguesa, ela é menor do que a geral, ficando em 35,6%. Enquanto numa ponta aparece o Uruguai, com taxa de 22,4%, do outro está a Bolívia, com informalidade de 82,2%.
O relatório mostra que no primeiro trimestre do ano passado, a taxa de desemprego no Brasil era de 7%, menor do que a registrada no mesmo período de 2024 (7,9%).
De acordo com Gerson Martínez, especialista regional em economia do trabalho da OIT, compreender quem está entrando no mercado de trabalho, quem permanece fora dele e que tipos de oportunidades estão sendo criadas se tornará cada vez mais importante.
Proteção social e incerteza
Os primeiros dados para 2026 indicam que o emprego continua crescendo em vários países; e o desemprego, diminuindo. Nesse cenário de relativa estabilidade, mas em um contexto global de grande incerteza e diante de transformações estruturais, a OIT destaca a oportunidade e a urgência para fortalecer desde agora as políticas de formalização, produtividade, formação e proteção social, com respostas adaptadas às diferentes realidades das empresas e dos trabalhadores.
O relatório ressalta que algumas empresas geram receita insuficiente para cobrir os custos das operações formais; outras têm capacidade para operar formalmente, mas não possuem benefícios ou incentivos suficientes. Além disso, parte do emprego informal ocorre dentro de empresas registradas que não formalizam todas as suas relações trabalhistas.
Grupo de mulheres tem maior probabilidade de exercer trabalho informal
Políticas de emprego mais abrangentes
Nesse contexto, A OIT diz que as políticas de emprego também precisam se adaptar: além de promover a criação de empregos, é necessário impulsionar simultaneamente a produtividade, a formalização, o desenvolvimento de competências e a proteção social.
Segundo Ana Virginia Moreira Gomes, diretora-regional da OIT para a América Latina e o Caribe, uma microempresa que apenas consegue se manter não enfrenta os mesmos obstáculos que uma empresa com capacidade de crescimento que continua operando de maneira informal. Por isso, as respostas devem começar com um diagnóstico mais preciso e combinar ferramentas de acordo com as necessidades e capacidades de cada grupo.
Produtividade e barreiras
O relatório mostra que a formalização pode facilitar o acesso de empresas e trabalhadores a financiamento, tecnologia, mercados e proteção institucional. Por sua vez, uma maior capacidade produtiva pode permitir que as unidades econômicas cresçam, melhorem sua renda e atendam às condições necessárias para a formalização.
O documento sugere, portanto, que as políticas podem ser mais eficazes quando combinam diferentes instrumentos, em vez de se concentrarem apenas na redução dos custos de registro ou no aumento da fiscalização.
Capacitação, financiamento, tecnologia, proteção social, serviços empresariais e acesso ao mercado podem abordar simultaneamente as barreiras à formalização e as limitações que dificultam o crescimento da produtividade.
*Com informações da OIT, Genebra.
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Com informações da ONU




