O trabalho de um agente comunitário de saúde (ACS) vai muito além das visitas rotineiras e do acompanhamento das famílias. Em Mongaguá, a dedicação de Sérgio Henrique Araújo dos Santos, que atua há três anos na função, transformou-se também em mobilização social por meio do Projeto Onda de Alegria. Servidor da UBS Pedreira, ele recebeu na última sexta-feira, 7 de agosto, o 5º Prêmio ABIME Saúde, na capital paulista, em reconhecimento ao seu desempenho profissional e às ações humanitárias desenvolvidas junto à comunidade.
A indicação foi feita pela vereadora de São Paulo Edir Sales, com participação de sua filha, Geórgia, que também atua nas ações desenvolvidas pelo projeto social criado por Sérgio. O prêmio é promovido pela Associação Brasileira de Imprensa e Mídia Eletrônica e Digital (ABIME) e reconhece profissionais e personalidades com atuação relacionada à saúde, qualidade de vida e desenvolvimento social.
Origem do projeto
A história que levou Sérgio ao reconhecimento começou antes mesmo da criação oficial do projeto. Durante as fortes chuvas de 2024, ele e outros voluntários receberam um pedido para visitar uma família e encontraram um homem com as duas pernas amputadas, ilhado dentro de casa, sem cadeira de rodas para se locomover. O imóvel estava alagado, e o homem permanecia em uma cama acompanhado do cachorro.
A situação marcou Sérgio e ajudou a consolidar a ideia de que a comunidade também pode participar da resposta às necessidades da população. “Ali vimos que a ajuda ao próximo não é um dever exclusivo do poder público. A sociedade civil também precisa agir quando tem condições de fazer a diferença”, relata.
Em 2025, a mobilização ganhou uma estrutura mais organizada com a criação do Projeto Onda de Alegria, formado inicialmente pela união de 16 amigos surfistas que já realizavam ações pontuais de solidariedade. O grupo passou a atuar principalmente em Mongaguá, com iniciativas específicas também em Guarujá, Bertioga, Itanhaém e Peruíbe.
Atuação e impacto
O projeto oferece empréstimo e doação de materiais hospitalares, como cadeiras de rodas e camas hospitalares, além de outros equipamentos que podem contribuir para uma recuperação com mais conforto e dignidade. As famílias são identificadas por meio de cadastro realizado pela equipe do projeto, e as ações são viabilizadas principalmente por doações, voluntários e parceiros.
Durante o período de fortes chuvas no início deste ano, por exemplo, o grupo disponibilizou à Defesa Civil de Mongaguá cerca de 500 m² de isolamento termoacústico, obtido em parceria com uma empresa do Rio Grande do Sul, para contribuir com o conforto das famílias acolhidas em abrigos temporários. A ação auxiliou 94 desabrigados. O projeto também participou da destinação de aproximadamente 1,5 tonelada de roupas de inverno, além de kits de alimentação e higiene.
Reconhecimento coletivo
Para Sérgio, o reconhecimento recebido em São Paulo representa não apenas uma conquista pessoal, mas também uma homenagem às pessoas que participam das ações. “É a confirmação de que o trabalho realizado no dia a dia, muitas vezes de forma simples e silenciosa, realmente alcança as pessoas e transforma realidades”, afirma.
Segundo o agente comunitário, a homenagem amplia a responsabilidade de continuar atuando em benefício da comunidade. “Saúde não é apenas tratar uma doença, mas também cuidar das pessoas, ouvir, acolher e ajudar a transformar realidades. É uma conquista pessoal, mas principalmente um reconhecimento a todos que ajudam, doam e acreditam que, quando a comunidade se une, é possível fazer a diferença”, conclui.
(Fotos: Divulgação)
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Com informações da Prefeitura de Mongágua








