De acordo com Flávio Santos, diretor-geral do programa, mais do que estabelecer um ranking regional, os números ajudam a compreender onde a conectividade escolar avançou e reforçam a importância de levar infraestrutura digital a localidades com diferentes características geográficas e desafios de acesso.
“A expansão da conectividade precisa chegar primeiro a quem historicamente teve menos acesso a essa infraestrutura. Por isso, Norte e Nordeste concentram uma parcela significativa das conexões. São regiões em que os desafios, inclusive geográficos, tornam a implantação mais complexa, mas é justamente nesses territórios que esse avanço pode fazer a maior diferença”, explica o gestor.
Novas oportunidades à vista
Novas oportunidades também surgem para as redes de ensino com a chegada da internet. Com acesso à conectividade para uso pedagógico, escolas como a UEI Rosalba Monteiro Ciarlini, em Mossoró (RN), têm incorporado recursos e ferramentas digitais às atividades educacionais, ampliando as possibilidades de professores e estudantes.
“Hoje, a conectividade permite que a gente vá além da aula tradicional, usando vídeos, jogos e outras ferramentas interativas para complementar o conteúdo e tornar a aprendizagem mais dinâmica. Aqui na escola, por exemplo, utilizamos a sala de vídeo com documentários e outros conteúdos relacionados ao tema da semana, porque, nessa faixa etária, o recurso visual é muito importante para a aprendizagem”, comenta a professora Maria Elma da Penha Silva.
Grandes distâncias e desafios de acesso
Na Região Norte, os desafios de conectividade são ainda mais marcados pelas particularidades geográficas do território. Grandes distâncias entre os municípios, a predominância de áreas de difícil acesso e as condições de transporte, energia e comunicação tornam a implantação mais complexa. Nesse cenário, levar internet às escolas exige planejamento e soluções adaptadas às características e limitações de cada território.
Um exemplo são as localidades onde a rede elétrica convencional ainda não alcança todas as comunidades ou enfrenta dificuldades de manutenção. Nesses casos, os geradores solares se tornam uma alternativa para garantir o funcionamento da infraestrutura de conectividade nas escolas. O programa Aprender Conectado já instalou geradores solares em 1.573 escolas, das quais 1.513 estão no Norte do país. A concentração de cerca de 96% das instalações na região reflete também as desigualdades históricas no acesso à infraestrutura e aos serviços básicos.
“Antes do programa, nossa escola sequer tinha energia elétrica. Com a chegada da conexão e dos novos recursos, despertamos nos alunos uma grande curiosidade sobre tudo o que eles poderiam aprender. Para nós, professores, também ficou mais fácil ensinar, sem depender apenas dos recursos disponíveis na cidade grande”, menciona o professor da Escola Municipal Indígena Inajatuba, em São Gabriel da Cachoeira (AM), Crisóstomo de Jesus Vasconcelos.
Sobre o Aprender Conectado
O projeto tem por objetivo levar internet de alta velocidade para cerca de 40 mil instituições públicas de ensino localizadas em áreas isoladas do país. A iniciativa integra a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), política pública coordenada pelo Ministério da Educação e pelo Ministério das Comunicações, para garantir internet de alta velocidade em 138 mil escolas em todo o Brasil.
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