O levantamento, realizado com 232 líderes financeiros, aponta que apenas 37% dos CFOs demonstram otimismo em relação à economia, o menor índice registrado nos últimos 20 trimestres. Além disso, 40% já se declaram pessimistas quanto ao cenário econômico, refletindo um ambiente marcado por inflação persistente, tensões geopolíticas, volatilidade das cadeias globais de suprimentos e aumento dos custos operacionais.
Apesar desse contexto, 67% dos executivos pretendem ampliar os investimentos em tecnologia e transformação digital nos próximos 12 meses, repetindo praticamente o maior patamar da série histórica da pesquisa. A modernização tecnológica também ganhou relevância nas prioridades estratégicas das empresas, consolidando a tecnologia como uma das principais ferramentas para enfrentar um ambiente de negócios mais complexo.
“Hoje, o CFO deixou de ser apenas o executivo responsável pelo controle financeiro. Ele participa diretamente das decisões que envolvem inovação, transformação digital, inteligência artificial e geração de valor para o negócio. A área financeira tornou-se protagonista na definição da estratégia empresarial”, afirma Marco Aurélio Neves, sócio-líder de consultoria da Grant Thornton.
IA deixa de ser aposta e se torna decisão financeira
Segundo a pesquisa, a inteligência artificial entra em uma nova etapa nas organizações. Depois da corrida pela adoção da tecnologia, o desafio passa a ser medir retorno, estabelecer governança e direcionar investimentos para iniciativas capazes de gerar ganhos efetivos para o negócio.
Embora 67% dos CFOs mantenham a intenção de ampliar investimentos em tecnologia, muitas empresas ainda não possuem mecanismos claros para avaliar o retorno financeiro das iniciativas de IA, aumentando a necessidade de métricas, processos de acompanhamento e disciplina na alocação de capital.
“A discussão deixou de ser se a empresa deve investir em inteligência artificial. A questão agora é como garantir que esses investimentos produzam resultados mensuráveis. Governança, indicadores e acompanhamento da execução passam a ser tão importantes quanto a própria tecnologia”, destaca Marco Aurélio.
Eficiência substitui cortes indiscriminados
Outro movimento identificado pelo levantamento é a mudança na agenda financeira das empresas. Em vez de apostar apenas em redução de custos, os CFOs passam a buscar eficiência operacional apoiada por tecnologia. A pesquisa indica que 87% pretendem implementar iniciativas de redução de custos, mas apenas 42% acreditam que conseguirão atingir suas metas de controle de despesas. Ao mesmo tempo, 67% afirmam já ter reestruturado programas de eficiência para lidar com a inflação persistente, enquanto cresce a utilização de outsourcing e nearshoring como estratégias para aumentar produtividade e flexibilidade operacional.
Segundo o especialista, o papel do CFO passa a ser equilibrar disciplina financeira e crescimento sustentável. “Eficiência não significa simplesmente cortar custos. Significa investir melhor, utilizar tecnologia para aumentar a produtividade e direcionar recursos para iniciativas que realmente gerem vantagem competitiva”.
Crescimento continua no radar
Mesmo diante da instabilidade econômica, os CFOs continuam olhando para oportunidades de expansão. O estudo aponta que 42% esperam aumento nas atividades de fusões e aquisições (M&A), mas com uma abordagem mais seletiva, priorizando empresas capazes de acelerar ganhos operacionais, inovação e transformação digital. Para 60% dos entrevistados, tecnologia e IA já representam o principal fator de geração de valor nas operações de M&A.
Para Marco Aurélio, esse cenário confirma uma mudança estrutural na liderança financeira. “O CFO passa a ocupar uma posição cada vez mais estratégica. É ele quem conecta tecnologia, disciplina financeira, gestão de riscos e crescimento sustentável. Em um ambiente de alta volatilidade, a vantagem competitiva dependerá menos do volume de investimentos e mais da capacidade de executá-los com consistência e governança”, conclui.
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