O contato com a arte começou ainda na infância. Antes de encontrar no grafite sua principal forma de expressão, Caio passou pela música e pela pintura. “Desde criança eu desenhava, mas não profissionalmente. Troquei o pincel pelo violão durante um bom tempo para me dedicar à música, até que o trabalho com design despertou novamente esse entusiasmo pela arte. Surgiram oportunidades comerciais, vi que funcionava bem para mim e resgatei essa identidade da infância”, conta.
Ao retomar o desenho, Caio encontrou no grafite uma forma de unir a criatividade à cidade onde vive. Para ele, o local onde a obra é feita também influencia o processo de criação.
“O lugar onde a gente vive agrega muito. Moramos numa área de praia e natureza, e trazemos isso para dentro do trabalho. Cada arte tem seu propósito e precisa estar alinhada ao local. O papel da arte é transformar e somar ao ambiente, não apenas decorar ou colorir”, explica.
Essa relação com São Vicente aparece em alguns de seus trabalhos mais marcantes. Um deles foi realizado em parceria com a Prefeitura, no acesso à Ponte Pênsil para quem vem do Japuí. O espaço, que havia ficado sem uso após uma reforma, ganhou novas cores e passou a fazer parte do cotidiano de quem circula pela ciclovia.
“A troca com o público foi incrível. As pessoas passavam, davam parabéns e identificavam elementos locais na pintura, como os pássaros da região”, relembra.
Outro exemplo está na Lagoa do Quarentenário, onde a arte passou a fazer parte de um espaço revitalizado para a prática esportiva. Segundo Caio, a mudança vai além da aparência do local e ajuda a aproximar a população dos espaços públicos.
“A cor e a arte mudam nossa percepção para melhor. Isso traz um sentimento de pertencimento para a população”, afirma.
Para o grafiteiro, esse processo também mostra como a arte urbana vem conquistando novos espaços. Embora ainda exista preconceito e confusão entre grafite e vandalismo, Caio acredita que a atividade está cada vez mais valorizada.
“A arte vem galgando degraus, embora ainda exista preconceito e confusão com vandalismo”, pontua.
Como próximo projeto, ele sonha em transformar a subida do Ilha Porchat em uma galeria a céu aberto, preenchida por grafites. “Comecei fazendo um muro lá por conta própria, o que chamou a atenção da Prefeitura, mas o objetivo é transformar todo aquele percurso num caminho de arte. Seria um verdadeiro cartão-postal para São Vicente”.
Para o artista, transformar a arte em profissão exige mais do que talento. Organização, conhecimento técnico e responsabilidade também fazem parte da carreira.
“Não basta ter um pincel na mão e vontade; é preciso estudar e ter base técnica e profissional”, aconselha.
Aos jovens que sonham em seguir pelo caminho do grafite, Caio deixa uma mensagem de incentivo: “A cultura é a porta para a evolução das pessoas. Se prepare, faça a sua arte, porque a sua hora vai chegar”.
Por Luan Guerato
source
Com informações da Prefeitura de São Vicente




