
O documentário “Amarelo Limbo”, dirigido e roteirizado pela jalesense Mônica Ogaya, recebeu menção honrosa na Mostra Zezé Motta do Festival Internacional Goitacá de Cinema, realizado entre os dias 6 e 11 de agosto, em Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro.
Desenvolvido em Jales pela Kannon Filmes e filmado em Tomé-Açu, no interior do Pará, o projeto integra a produção audiovisual realizada a partir do município, que vem conquistando espaço em festivais, mostras e iniciativas de formação no Brasil e no exterior.
A produtora conta com o apoio da Prefeitura de Jales, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e turismo, na divulgação e valorização das iniciativas culturais desenvolvidas no município.
“Amarelo Limbo” retrata um capítulo pouco conhecido da história brasileira: o confinamento de japoneses e seus descendentes na Amazônia durante a Segunda Guerra Mundial.
A partir desse episódio, o documentário recupera memórias relacionadas à imigração japonesa no Brasil e aborda temas como identidade, pertencimento e silenciamentos históricos.
Durante a cerimônia de premiação, a produtora executiva do documentário, Fran Moro, destacou o significado da conquista para produções realizadas fora dos grandes centros.
“Amarelo Limbo é um projeto desenvolvido em Jales, por uma produtora que também nasce e trabalha a partir do interior. Fomos até Tomé-Açu, no interior do Pará, para realizar o filme, e agora recebemos essa menção em Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro. É muito simbólico perceber como o cinema produzido nos interiores pode atravessar territórios, encontrar outros públicos e ocupar festivais no Brasil e fora dele”, destacou.
Circulação nacional e internacional
Antes da premiação no Rio de Janeiro, “Amarelo Limbo” já vinha percorrendo festivais e mostras dentro e fora do Brasil.
Em maio, o documentário estreou na Europa durante o Festival Imigratoria, realizado em Portugal.
No Brasil, o curta-metragem também integrou a programação da Mostra Cine Une, realizada no Museu da Imagem e do Som do Paraná. Na ocasião, foi exibido ao lado de “Pai, Volta Logo!”, outro curta produzido pela Kannon Filmes e gravado em Jales.
De Jales para um laboratório internacional de cinema
A presença internacional da Kannon Filmes em 2026 começou antes mesmo da exibição de “Amarelo Limbo” em Portugal.
Em março, Fran Moro e Mônica Ogaya, responsáveis pela produtora, estiveram em Portugal após o primeiro projeto de longa-metragem da Kannon Filmes ser selecionado para um laboratório internacional ligado ao DOC.Coimbra Film Festival.
Durante dez dias, as jalesenses participaram, na cidade portuguesa de Coimbra, de uma imersão criativa ao lado de profissionais de diferentes países, com atividades voltadas ao desenvolvimento do projeto, encontros, tutorias e trocas sobre construção narrativa e amadurecimento do longa-metragem.
A seleção marca também uma nova etapa para a produtora, que amplia sua atuação da realização e circulação de curtas-metragens para o desenvolvimento de seu primeiro longa.
Para Mônica Ogaya, essa trajetória está diretamente relacionada à busca por ampliar a presença de narrativas amarelas e nipo-brasileiras no audiovisual.
“Durante muito tempo, as pessoas amarelas apareceram no cinema brasileiro a partir de olhares externos, de estereótipos ou simplesmente não apareceram. Para mim, é fundamental que possamos ocupar também o lugar de quem escreve, dirige e constrói essas narrativas. Contar histórias amarelas a partir das nossas próprias memórias, contradições e experiências é uma forma de disputar imaginários e afirmar que a experiência nipo-brasileira também faz parte da história do Brasil”, destaca Mônica.
Cinema produzido a partir de Jales
A trajetória recente das produções desenvolvidas em Jales mostra como projetos audiovisuais realizados no interior paulista têm encontrado espaço em mostras, festivais e iniciativas de formação dentro e fora do Brasil.
Além da circulação dos filmes e da participação em iniciativas internacionais, o trabalho desenvolvido pelas profissionais contribui para levar o nome de Jales a novos espaços do audiovisual e reforça o potencial da produção cultural realizada no município.
Nesse processo, o apoio da Prefeitura de Jales, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e turismo, na divulgação e valorização das iniciativas culturais contribui para dar visibilidade aos artistas, produtores e projetos que têm origem no município.
Para Fran Moro e Mônica Ogaya, a circulação dos filmes também ajuda a mostrar que a produção cinematográfica não está restrita aos grandes centros.
“Queremos que Jales também seja reconhecida como um lugar onde projetos de cinema podem nascer, ser desenvolvidos e alcançar outros estados e países. Estar no interior não significa estar distante do cinema brasileiro. Existem histórias, profissionais e possibilidades de produção fora das capitais, e queremos contribuir para que essa produção seja cada vez mais vista e reconhecida”, afirmam.
Fran Moro e Mônica Ogaya, responsáveis pelo documentário “Amarelo Limbo”, durante premiação realizada no Rio de Janeiro.
As jalesenses, à esquerda na imagem, ao lado de profissionais do audiovisual de diferentes partes do mundo, durante laboratório internacional realizado em Portugal.
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Com informações da Prefeitura de Jales



