Com mais de três décadas de trajetória no Brasil, Jacquin contou que também já enfrentou momentos difíceis na carreira. O chef revelou que chegou a quebrar e precisou fechar um restaurante por problemas de gestão. Para ele, assumir a responsabilidade pelos próprios erros foi fundamental para reconstruir sua trajetória e fortalecer sua marca. “Eu quebrei porque eu errei. Foi minha culpa. Não administrei, não dei atenção. Eu me achava o cozinheiro”, relatou.
Segundo Jacquin, a experiência mudou sua forma de enxergar o negócio. Hoje, ele afirma que não toma decisões sem conhecer os custos da operação. Um dos exemplos apresentados durante a palestra foi a retirada de um prato do cardápio depois que a equipe identificou que o custo do ingrediente tornava a operação inviável. “Hoje eu não faço nada sem ter uma ficha técnica, sem saber o custo, o custo fixo, o custo da mercadoria. É muito importante ter esse controle”, destacou.
Para o chef, a qualidade do produto ou serviço não pode ser sacrificada em nome da redução de despesas. “A gente não economiza, a gente presta atenção. Controla o custo. Se você perde qualidade, perde o cliente”, afirmou.
Empreendedor precisa conhecer o próprio negócio
Jacquin também chamou a atenção para a responsabilidade do empreendedor na gestão da empresa. Para ele, o dono deve estar disposto a conhecer e, quando necessário, executar diferentes atividades dentro do negócio. “O primeiro funcionário da sua empresa é o patrão. O patrão é funcionário. Ele tem todas as responsabilidades”, afirmou.
O chef ressaltou ainda que problemas relacionados à equipe também precisam ser encarados como responsabilidade do gestor. Segundo ele, quando um funcionário não consegue executar determinada tarefa, cabe ao empreendedor avaliar se houve falha na contratação, no treinamento ou na gestão.
A gestão de pessoas, aliás, foi apontada como um dos grandes desafios atuais do setor de alimentação. Jacquin destacou a dificuldade de encontrar profissionais e a necessidade de construir ambientes em que os funcionários estejam satisfeitos com o trabalho. “A saúde financeira é o mais importante de tudo e as pessoas que trabalham com a gente precisam ser felizes. Não é possível trabalhar num restaurante se você não é feliz”, disse.
Marca e relacionamento com o cliente
Outro tema abordado foi a construção de marca. Jacquin explicou que sua imagem pessoal e os restaurantes que levam seu nome estão diretamente relacionados e que, por isso, é necessário proteger e fortalecer essa reputação diariamente.
Para ele, a construção de uma marca não acontece de forma rápida. É resultado de trabalho contínuo, relacionamento e respeito aos clientes. “Essa marca deve ser muito protegida e respeitada. E, para ser respeitada, precisa respeitar os outros. Respeitar os seus clientes, respeitar as pessoas que gostam de você”, afirmou.
O chef também destacou a importância de estar próximo do público e de manter uma comunicação autêntica. Para ele, a divulgação precisa refletir aquilo que realmente existe no negócio, sem criar uma imagem artificial.
Jacquin também defendeu o chamado “boca a boca” como uma ferramenta poderosa para pequenos negócios. Ao contar a história de um estabelecimento que visitou em Belo Horizonte, destacou que o próprio atendimento pode ser a principal estratégia de divulgação. “Minha grande publicidade são meus clientes, boca a boca. Deixar as pessoas felizes faz com que elas falem bem de você”, contou.
Trabalho como caminho para crescer
O chef também ressaltou que oportunidades, televisão e reconhecimento foram importantes em sua trajetória, mas que nada disso teria sido suficiente sem trabalho e dedicação. “Sem trabalho não existe nada”, resumiu.
Para os empreendedores que participaram do E-Festival Sebrae, Jacquin deixou uma mensagem direta: crescer exige planejamento, dedicação e capacidade de aprender com os próprios erros. Para ele, não basta ter um bom produto. É preciso entender o negócio como um todo. “Tem restaurante que é péssimo, comida ruim, serviço horrível, e está cheio. E tem restaurante que a comida é muito boa, o serviço é bom, e está vazio. Não tem explicação”, afirmou.
A provocação reforça um dos principais pontos de sua participação no E-Festival: empreender exige muito mais do que dominar a atividade principal. É preciso conhecer o cliente, controlar os custos, cuidar da equipe, construir uma marca consistente e, sobretudo, assumir a responsabilidade pela gestão do negócio.
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Com informações do SEBRAE MG




