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Vania Lima quitandas Paracatu 2

A distribuição de 12 mil pães de queijo na WTM Latin America, em abril deste ano, chamou a atenção de quem participou de um dos mais importantes eventos do setor de turismo do continente, em São Paulo. A façanha de produzir e assar a tradicional iguaria mineira durante a feira foi da mestre quitandeira Vânia Lima Macedo e de sua colega, Simone. “Mais do que representar Paracatu no evento, estávamos representando Minas Gerais”, explica Vânia, que se orgulha da trajetória construída na cozinha e dos caminhos que a culinária abriu em sua vida.

De uma família de seis irmãos, Vânia, de 46 anos, conta que desde criança gosta de cozinhar. A responsabilidade foi incentivada pela mãe, que a deixava encarregada de preparar o almoço da família enquanto saía para trabalhar como doméstica. “Ela sabia muito bem qual era a afinidade de cada filho. E foi aí o meu despertar. Mesmo com poucas opções de condimentos, eu fazia aquilo virar um prato saboroso. Hoje, meus melhores momentos estão na cozinha”, relembra.

Apesar da vivência construída desde cedo e de ter trabalhado em padarias da cidade, a atividade se transformou em profissão durante a pandemia, a partir de 2020. Segundo ela, foi a necessidade que a levou a empreender. Antes, Vânia ajudava o marido, Tarcísio, que é artesão, e era o principal provedor da família. Com as dificuldades financeiras daquele período, surgiu o convite da cunhada Maíra, que trabalhava com produção de bolos e doces, para que Vânia preparasse empadões e empadinhas no fogão a lenha da casa dela.

O início foi modesto, pois os produtos eram oferecidos aos clientes da cunhada, e divulgados pelas redes sociais. Aos poucos, a clientela cresceu e as encomendas também. “Até que um dia, ela falou que eu poderia voltar para casa e começar a produzir sem ajuda dela. Comecei a chorar e falei que não daria conta, mas ela me encorajou e as coisas foram dando certo. Desde então, começou a parte de empreender mesmo”, revela.

Registro da participação da quitandeira em evento no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte

Da rua ao palácio

Com o fim da pandemia, Vânia recebeu o convite para participar do Projeto Quintais e Quitandas, iniciativa do chef e pesquisador gastronômico Eduardo Avelar, referência da culinária mineira contemporânea. O projeto tinha como proposta resgatar receitas tradicionais e valorizar as quitandeiras de Paracatu. “Tive o privilégio de recebê-lo na minha casa. Foi um momento muito especial, e que marcou o início da minha vida profissional. Ele me deu muitas dicas e falou que eu tinha tudo na mão, só precisava me descobrir e direcionar meus objetivos”, recorda.

A partir de então, a empreendedora passou a ser cada vez mais conhecida na cidade, e recebeu o convite para integrar a Associação das Quitandeiras de Paracatu (Aquip), que estava iniciando suas atividades. A ampliação da rede de contatos também a aproximou das capacitações oferecidas pelo Sebrae. “Não tive oportunidade de fazer uma faculdade, mas o Sebrae está ajudando bastante, oferecendo cursos, missões técnicas, valorizando nossas vocações e abrindo novas possibilidades”, explica.

Hoje, Vânia é vice-presidente da Associação e um dos rostos mais conhecidos de Paracatu quando o assunto é quitanda. A atuação também fez com que ela conhecesse lugares que jamais imaginaria visitar. “Há pouquíssimo tempo, eu mal conhecia as cidades vizinhas a Paracatu, e esse trabalho está me levando longe. Já estive em Gramado, Pelotas, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte”, conta.

A analista do Sebrae Minas Patrícia Rezende costuma brincar que o sobrenome de Vânia deveria ser “Das Ruas ao Palácio”, em referência às diversas vezes em que ela foi convidada pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG) para participar de eventos no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. “Fico até emocionada com esse reconhecimento, porque sempre sonhei em subir aquela escada, mas como convidada, e isso aconteceu”, destaca.

A lembrança ganha ainda mais significado quando Vânia recorda o período em que trabalhava nas ruas e na feira do produtor de Paracatu, ajudando o marido a vender artesanato. “Hoje, ser lembrada para estar nesses espaços de destaque se deve à minha dedicação e ao trabalho que Paracatu e a Associação vêm realizando para a valorização do modo de fazer as nossas quitandas”, afirma.

Capital das quitandas

A participação em feiras de gastronomia e turismo tem ampliado a visibilidade das quitandas paracatuenses. As parcerias da associação com o Sebrae e com as secretarias municipal e estadual de Cultura e Turismo também têm contribuído para mostrar a riqueza e a identidade da culinária local.

Nos últimos anos, Paracatu vem reforçando a estratégia de se promover como um destino que reúne cultura, gastronomia, história e experiências autênticas. Representantes do município têm participado de importantes eventos, como WTM Latin America, Festuris, Minas Travel Market e Salão do Turismo.
Em todos eles, as quitandas se destacam. Ao todo, 12 receitas típicas são reconhecidas como patrimônio cultural imaterial do município, que agora busca o reconhecimento dos produtos por meio da chancela de Indicação Geográfica (IG).

Paracatu também possui oficialmente o Dia Municipal do Pão de Queijo, celebrado em 5 de julho, e participa das comemorações do Dia Nacional do Pão de Queijo, em 17 de agosto. A trajetória de promoção do município como Capital das Quitandas com o Melhor Pão de Queijo do Mundo tem levado Vânia e outras quitandeiras a importantes eventos pelo país.

“É uma responsabilidade muito grande representar a cidade e uma alegria quando vemos as pessoas degustarem nossos quitutes. É muito bom e gratificante ver as nossas raízes e o nosso modo de fazer sendo valorizados Brasil afora”, comemora.

Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Noroeste e Alto Paranaíba

Henrique Ulhoa (STARK)
(31) 99445-2460
[email protected]

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Com informações do SEBRAE MG

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