José Roberto Amaral
Governança
De uma pequena banca no Mercado Municipal a um investimento de R$ 11 milhões. A trajetória da joseense Rebeca de Fátima Costa Soares, 43 anos, mãe de quatro filhos, é marcada por trabalho, coragem e pela capacidade de transformar desafios em oportunidades.
Agora, a empresária inicia um novo capítulo na cidade onde tudo começou. A Doceria da Rebeka vai instalar uma nova operação em São José dos Campos dentro de um plano de crescimento que prevê ampliar a produção, gerar mais empregos e abrir caminho para novos mercados, inclusive no exterior.
O investimento na estrutura, entre obras, equipamentos e maquinário, deve chegar a R$ 11 milhões. Com isto, a produção mensal passará dos atuais 3,2 milhões para cerca de 7 milhões de unidades, além de permitir o lançamento de novos produtos.
Muito antes de se tornar uma das maiores produtoras de pudim do país, Rebeca passou 17 anos atrás do balcão de uma pastelaria e doceria no Mercado Municipal, negócio construído ao lado do pai.
“Na verdade, eu comecei no Mercado Municipal em 2003 e fiquei lá até 2020. Eu tinha uma banca pequena e depois meu pai comprou uma maior”, relembra. Foi dali que nasceu a experiência, o relacionamento com os clientes e a vontade de empreender em um novo segmento.
Desafio de recomeçar

O pudim agora é produzido em escala industrial | Foto: Cláudio Vieira
A ideia de produzir pudins em escala industrial começou a ganhar forma no fim de 2019, impulsionada pelos pedidos de comerciantes interessados em revender os produtos em restaurantes e outros estabelecimentos. O projeto, porém, teve um início muito diferente do imaginado.
Em fevereiro de 2020, Rebeca sofreu um grave acidente que provocou queimaduras em 40% do corpo. Ela permaneceu internada por 40 dias e ao retornar para casa encontrou outro enorme desafio: o início da pandemia de covid-19 e a brusca queda no faturamento da empresa.
“Nós tínhamos 21 colaboradores na época. Meu esposo perguntou se a gente ia mandar alguém embora e eu respondi: ‘Se faltar, falta para a gente, não vai faltar para eles'”, conta.
Os obstáculos se sucederam. Além da retração do mercado, vieram problemas na rede elétrica, equipamentos queimados e a falta de recursos para continuar investindo. “Foi muito difícil no começo. Toda a minha economia já tinha acabado”, recorda.
Mesmo diante das dificuldades, ela diz que nunca esteve sozinha. Familiares, fornecedores e parceiros acreditaram no projeto e ajudaram a empresa a seguir em frente. “Eu acho que tudo é corrente do bem”, afirma, emocionada.
A recuperação veio aos poucos. O galpão inicial de 300 metros quadrados deu lugar a estruturas maiores, a produção cresceu e a marca passou a atender oito estados brasileiros. Segundo a empresa, hoje a Doceria da Rebeka é a maior fábrica de pudins do mundo em volume de produção.
Salto de produção

Produção pode chegar até 28 mil unidades por hora | Foto: Cláudio Vieira
Agora, a empresa se prepara para dar um passo ainda maior. A nova estrutura ocupará um terreno de 20 mil metros quadrados, com um galpão de 10 mil metros quadrados e equipamentos industriais capazes de produzir até 28 mil unidades por hora — quase quatro vezes mais que a capacidade atual.
O crescimento também deve refletir na geração de empregos. Hoje, a empresa tem 68 colaboradores e espera chegar a quase 200 funcionários. Rebeca também se entusiasma ao falar dos seis novos produtos e sabores que deverão chegar ao mercado com a ampliação da fábrica.
De São José para o mundo
Ao olhar para a trajetória iniciada em uma pequena banca no Mercado Municipal, Rebeca acredita que cada conquista foi construída com persistência, trabalho e confiança nas pessoas que caminharam ao seu lado.
Além de ampliar a presença no mercado nacional, a nova unidade foi projetada para atender às exigências internacionais, abrindo caminho para futuras exportações. A empresa já mantém contatos com importadores dos Estados Unidos, Austrália e Arábia Saudita.
Entre máquinas de última geração, novos produtos e planos de alcançar consumidores em diferentes países, a Doceria da Rebeka inicia uma nova fase sem esquecer as próprias origens.
O texto faz parte da série Talentos de São José, produzida em comemoração aos 259 anos de São José dos Campos.
Leia Mais:
Dr. Arnaldo Rennó, 40 anos trazendo vidas ao mundo
Edvar Simões, único medalhista olímpico joseense
Juliane Rocha, uma história de amor dedicada a São José
Neuza Rodrigues começou com um carrinho de cachorro-quente
Adailton César, um agente de mobilidade de muita coragem
Kadu Giacomini, uma trajetória inspiradora
Lucas Guimarães, o engenheiro que quer fazer a Amazônia voar
Augusto Marques, um angolano joseense
Chico Oliveira, o trompete que levou São José para o mundo
Joice Lira, o sonho de participar dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles
Yuri Alberto, do esporte de base joseense ao futebol profissional
Jorge Sigueo, o pioneirismo e o acolhimento na luta contra o câncer
Raiza Goulão, uma hexacampeã brasileira entre nós
Isaías Hilário, agente funerário que ensina música clássica
Gabriel Cardoso, um guarda municipal decidido
Peleco, o amor pela cidade que o viu crescer e cantar
Pedro Edgar, trajetória dedicada aos parques
Sonia Guimarães, a cientista que ensinou gerações a acreditar
MAIS NOTÍCIAS
Governança
source
Com informações da Prefeitura de São José dos Campos




