Neste 23 de setembro, é celebrado o Dia do Sorvete. Por trás desses números, estão histórias de empreendedores que encontraram no setor uma oportunidade de transformar uma paixão em fonte de renda e construir empresas que acompanham as mudanças no comportamento dos consumidores. Os negócios combinam lojas físicas, delivery, eventos, fornecimento para outros estabelecimentos e novas experiências de consumo.
A empresária Letícia Carvalho, fundadora da Letish Sorvetes Artesanais, em Belo Horizonte, começou a produzir sorvetes e picolés dentro de casa em 2015. Sem dinheiro para abrir uma loja, participou de feiras e chegou a vender picolés na rua. “Eu não tinha dinheiro para investir. Comecei numa feira perto da Rua Goiás, em BH. Mas a intenção já era abrir uma loja. Sempre quis ter uma fábrica”, conta. O plano saiu do papel. Dois anos depois, Letícia abriu o primeiro estabelecimento. Em 2022, alugou um espaço na Rua dos Otoni, onde instalou a fábrica e uma das unidades da marca. Em 2024, inaugurou a segunda loja.

Hoje, a Letish também fornece para restaurantes e cafeterias e participa de eventos corporativos, aniversários, casamentos e feiras. O negócio ampliou o portfólio e, além de sorvetes e picolés, passou a oferecer produtos de confeitaria, como brownies, bolos no pote, tortas e bolos.
O crescimento acompanha, segundo a empreendedora, a expansão do interesse dos consumidores por produtos de maior qualidade e por experiências diferenciadas. A empresa registra crescimento médio de 20% a 30% ao ano. “Eu gosto da ideia de conseguir entregar um produto de muita qualidade, mas também acessível para todo mundo. Me realizo entregando uma gastronomia que eu gosto e de muita qualidade e que pode ser para todo mundo”, afirma.
De 98 picolés no primeiro dia a uma fábrica
Se a história de Letícia mostra a construção de uma empresa ao longo de mais de uma década, a trajetória de Pedro Henrique, do Pedrin do Picolé e Açaí, em Contagem, revela como o empreendedorismo pode surgir ainda na juventude.
A ideia nasceu depois de uma ida com os pais a uma sorveteria. Como o açaí já havia encerrado o atendimento naquela noite, a família comprou picolés. Na volta para casa, a mãe de Pedro fez uma sugestão que mudaria a rotina do jovem. “Ela falou comigo: ‘Pedro, esses picolés aqui estão bons para você poder vender’. Falei: ‘Ah, então vou começar. Amanhã eu já vou vender eles’”, lembra.
No dia seguinte, um domingo, Pedro saiu de porta em porta oferecendo os produtos aos vizinhos. O resultado surpreendeu: foram 98 picolés vendidos logo no primeiro dia. “Eu vendi para vizinhos. Como não tinha comércio aberto, fui batendo de casa em casa”, conta. A experiência inicial deu confiança para continuar. Pedro passou a vender com frequência, começou a separar o dinheiro entre o que seria reinvestido no negócio e o que poderia ser usado em casa e, aos poucos, percebeu que havia ali uma oportunidade.
“Foi acontecendo de forma natural. Em poucos meses, já estava tendo uma constância nas vendas. Foi assim que falei: ‘Não, isso tem que dar para investir mais e mais e tocar para frente’”. Hoje, o negócio conta com loja física, delivery e uma fábrica de picolés. O trailer da empresa participa de eventos e o empreendedor também está ampliando a atuação para festas, casamentos e formaturas. Um carrinho gourmet está em produção para acompanhar essa nova frente de negócios.
Para o jovem empreendedor, a evolução do empreendimento trouxe também uma mudança de perspectiva sobre o que significa ser empresário. “Para mim, hoje, empreender é ter responsabilidade e constância. São vários desafios e dificuldades e a gente nem sempre está pronto para enfrentar tudo. É preciso ter fé, coragem e ir dando um passo de cada vez”, afirma.
Um mercado de oportunidades
As histórias de Letícia e Pedro refletem a diversidade de perfis que atuam no mercado de sorvetes em Minas Gerais. Para analista do Sebrae Minas Raissa Soares, o segmento tem relevância especialmente para a Região Metropolitana de Belo Horizonte por reunir oportunidades de atuação em diferentes modelos de negócio e públicos.
“O mercado de sorvetes tem uma característica muito interessante para os pequenos negócios: ele permite diferentes formatos de atuação e pode gerar oportunidades tanto na produção quanto na comercialização e na prestação de serviços para eventos. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, temos um mercado consumidor amplo e uma diversidade de empreendedores que vêm buscando profissionalização, inovação e novas formas de se posicionar. Apoiar essas empresas é contribuir para que elas sejam mais competitivas e estejam preparadas para crescer de forma sustentável”, afirma.
Capacitação para crescer
Para acompanhar o movimento e apoiar o desenvolvimento das empresas do setor, o Sebrae Minas, em parceria com o Sindicato da Indústria de Sorvetes e Gelados Comestíveis de Minas Gerais (Sindsorvete-MG) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), lançou, em 2026, o Prepara Sorvetes.
Nesta edição, pequenos negócios da Região Metropolitana de Belo Horizonte foram selecionados para receber consultorias especializadas. O projeto trabalha aspectos relacionados à competitividade, eficiência e sustentabilidade, preparando os participantes para enfrentar desafios e identificar novas oportunidades de crescimento.
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Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Centro
Aline Reis (Stark) – (31) 99934-0658
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Com informações do SEBRAE MG
