O teatro entrou na vida do ator aos 19 anos, quando subiu pela primeira vez ao palco do Teatro Municipal de Santos para interpretar a peça “Os Três Porquinhos”. Depois de um período afastado dos palcos, Tchellos retomou os estudos em 2021, por onde passou um ano e meio.
O retorno aconteceu em um momento difícil de sua vida, no qual atravessou por uma grande crise financeira. Foi quando São Vicente passou a fazer parte não apenas de sua trajetória artística, mas também de sua história pessoal. “Tudo o que sou hoje na minha profissão devo a São Vicente, por todo o reconhecimento, carinho e respeito que recebi do público. Não sou nascido aqui, mas posso dizer que tenho um respeito e carinho enorme por essa terra. Em um momento difícil da minha vida, passei necessidades e cheguei a ter uma cesta básica negada na minha cidade natal, Santos. São Vicente, ao contrário, me abriu as portas, permitiu que eu estudasse, me formasse e realizasse um dos papéis mais importantes da história e da cultura local. Jamais vou esquecer isso”, conta.
A relação com a Cidade ganhou um novo capítulo em 2024, quando Tchellos recebeu o convite para participar da 41ª edição da Encenação da Fundação da Vila de São Vicente. Em sua estreia nos palcos vicentinos, interpretou o Padre Gonçalo Monteiro, personagem que acabaria se tornando um dos grandes marcos de sua trajetória.
“Fui tão marcado por ele que as pessoas no público passaram a me chamar de Padre Gonçalo, e não mais de Tchellos. Cheguei ao ponto de ser parado nas ruas, feiras, mercados e shoppings por pessoas perguntando se eu era padre de verdade e pedindo para tirar fotos. Esse carinho e esse acolhimento são maravilhosos”, afirma o ator.
Uma história construída em São Vicente
A experiência na Encenação também estreitou a relação de Tchellos com a história e a cultura do Município. Para ele, interpretar personagens ligados à formação da Cidade representa uma oportunidade de manter viva uma memória que ultrapassa os palcos.
Ainda em 2024, iniciou o curso técnico profissionalizante de Teatro do Senac, realizado em parceria com a Prefeitura de São Vicente, dando mais um passo em sua formação. Após dois anos de estudos, concluiu o curso em 31 de agosto de 2026, consolidando uma trajetória que começou ainda na juventude e ganhou novos caminhos justamente na cidade que o acolheu.
Para ele, a formação de um ator vai muito além dos momentos em que as cortinas se abrem. A rotina envolve estudo, preparação física e vocal e ensaios constantes. “Teatro exige estudo diário, ensaios constantes e aquecimento físico e vocal. Apresentar-se devidamente aquecido transforma completamente a entrega e o resultado em cena”.
A relação com o público também é parte essencial dessa experiência. Seja em um teatro tradicional, em uma praça ou em um espaço aberto, Tchellos destaca a troca estabelecida durante a apresentação. “Como ator, amo o teatro em todos os espaços, seja no palco tradicional, nas ruas ou nas praças. O mais gostoso da atuação é olhar nos olhos do público, sentir a reação de cada pessoa e ter aquele bate-papo ao final. Isso é fundamental para o ator”, afirma.
No teatro, nem tudo pode ser previsto. Falhas em objetos cênicos, esquecimentos de texto e outras situações inesperadas fazem parte da rotina de quem trabalha com apresentações ao vivo. Para Tchellos, é nesses momentos que o improviso se torna uma ferramenta fundamental.
“No palco ao vivo, estamos sempre sujeitos a imprevistos, seja a falha de um objeto cênico ou o esquecimento de um texto por parte de algum ator. Nesses momentos, entra em cena o improviso. É preciso ter jogo de cintura para contracenar de forma que o colega se lembre da fala ou para dar continuidade à cena naturalmente junto com ele”, conta.
E a história de Tchellos com o teatro está apenas começando. Para 2027, o ator pretende montar e encenar um monólogo. Paralelamente, trabalha na finalização de um livro, com previsão de lançamento para 2028.
Aos jovens vicentinos que sonham em seguir pelo caminho da atuação, ele deixa um conselho simples, mas que considera fundamental: ler. “O primeiro e principal conselho para quem quer fazer teatro, em São Vicente ou em qualquer outro lugar, é: goste muito de ler. A leitura é uma das maiores bases do teatro. Quanto mais você lê, mais amplia seu conhecimento, seu repertório e melhora sua dicção na fala”.
Hoje, ao olhar para a própria trajetória, Tchellos resume sua relação com a Cidade em uma palavra: gratidão. “O maior significado de ser um ator formado em São Vicente é a gratidão por uma cidade que me acolheu, abriu as portas e me permitiu estudar, me formar e viver o Padre Gonçalo Monteiro, o papel mais marcante da minha vida”.
Por Luan Guerato
source
Com informações da Prefeitura de São Vicente
