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GCM chega aos 40 anos com orçamento ampliado, novos agentes, reforço salarial e estrutura modernizada

Desde 2021, recursos da Segurança Urbana passaram de R$ 700 milhões para R$ 1,9 bilhão; salário inicial da carreira teve aumento de 98% e corporação recebeu reforço de 2 mil profissionais

A Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo chega aos 40 anos com ampliação do efetivo, valorização profissional e investimentos em equipamentos, viaturas e tecnologia. O aniversário da Guarda foi comemorado em solenidade no Distrito Anhembi, nesta sexta-feira (18). Desde 2021, o orçamento anual da Secretaria Municipal de Segurança Urbana passou de R$ 700 milhões para R$ 1,9 bilhão, enquanto o salário inicial da carreira teve aumento de 98%.

A corporação também incorporou 2 mil novos agentes nesse período e está com concurso em andamento para a contratação imediata de mais 500 guardas. A Prefeitura prevê ampliar esse reforço para até 2 mil novos servidores até 2028, totalizando 4 mil novos profissionais chamados pela atual gestão.

Durante a cerimônia, o prefeito Ricardo Nunes destacou que a valorização da corporação precisa estar associada à melhoria das condições de trabalho e da remuneração dos profissionais. “Reconhecimento é dar condições de trabalho, é dar um salário digno, é dar remuneração. Porque não existe policial que vai trabalhar com dignidade se não levar para casa, no final do mês, um valor para sustentar a sua família”, afirmou o prefeito.

Nunes também ressaltou a transformação da estrutura colocada à disposição dos agentes ao comparar as condições atuais com as dificuldades enfrentadas no início da corporação, quando faltavam viaturas e armamento próprio.

“Hoje nós não temos mais nenhum policial municipal com estilingue, com espingardinha, com 22. Todos têm uma pistola automática na sua cintura, com muita infraestrutura para trabalhar”, disse. “Nós temos uma polícia municipal altiva, corajosa, preparada e equipada.”

A frota da GCM passou de 251 para 610 viaturas desde 2021, alta de 143%. O número de motocicletas destinadas ao patrulhamento ostensivo aumentou de 71 para 270, crescimento de 280%. Também foram disponibilizadas 1.984 pistolas Glock calibre 9 mm, modelos G17 e G19, além de armas calibre 12, carabinas e fuzis.

Atualmente, a GCM de São Paulo é a maior guarda municipal armada do país e tem efetivo superior ao das polícias militares de dez estados brasileiros. São 7 mil homens e mulheres em atuação nas ruas da cidade, em rondas ostensivas e ações de prevenção à criminalidade.

A corporação possui unidades especializadas em Operações Especiais, Defesa Ambiental, Canil, Ações Integradas, Apoio Motorizado, Defesa da Mulher e Ações Sociais. Seus agentes também estão presentes nas escolas, nos equipamentos públicos, nos grandes eventos e em operações conjuntas com outras forças de segurança.

“A Guarda está presente nos bairros, nas escolas, nos equipamentos públicos, nos grandes eventos e nas situações em que a população mais precisa da presença do poder público. E essa presença tem sido fortalecida por uma gestão que colocou a segurança urbana entre as suas prioridades”, afirmou a secretária municipal de Segurança Urbana, Juliana Bussacos.

Segundo a secretária, a atuação da corporação combina o preparo dos agentes com integração, planejamento e novas ferramentas de trabalho. “A minha experiência, tanto como delegada de polícia quanto agora como secretária municipal de Segurança Urbana, me permite dizer com convicção que segurança se faz com integração, planejamento, inteligência, tecnologia, mas, acima de tudo, com profissionais preparados e comprometidos”, disse Juliana.

Tecnologia amplia capacidade de atuação

Uma das principais ferramentas incorporadas ao trabalho da GCM é o Smart Sampa, maior programa de videomonitoramento da América Latina. O sistema possui 50 mil câmeras instaladas em pontos estratégicos do município e já recebeu mais de R$ 250 milhões para ampliação e manutenção.

Lançado em julho de 2024, o programa auxiliou na prisão de mais de 3.560 foragidos da Justiça e de mais de 6.520 pessoas em flagrante. Também contribuiu para 3.650 ocorrências envolvendo veículos e para a localização de mais de 260 pessoas desaparecidas.

“Dos mais de 3.500 foragidos da Justiça que foram identificados pelo Smart Sampa e foram levados à prisão por vocês, não foi dado nenhum tiro”, destacou o prefeito. “Graças a Deus, vocês levaram para a cadeia mais de 3.500 foragidos sem que nenhum policial municipal levasse um tiro.”

Para Nunes, os resultados demonstram a importância da corporação tanto no combate ao crime quanto na proteção cotidiana dos moradores. “Não faz o menor sentido a existência da polícia municipal se não for para prestar um serviço à população. A nossa união é o que o povo deseja”, afirmou, ao citar a integração da GCM com as polícias Militar, Civil e Federal. “A população precisa ser ouvida e dizer: ‘Eu tenho uma polícia municipal de que me orgulho’.”

A central do Smart Sampa conta com a atuação de mais de 250 guardas civis metropolitanos e é uma ferramenta que permite o monitoramento em tempo real e que vem ampliando a capacidade do poder público de localizar pessoas desaparecidas, identificar veículos com restrição, auxiliar na localização e captura de procurados pela Justiça e proteger mulheres em situação de violência.

Outro avanço foi a criação do DronePol, divisão da GCM dedicada à operação de drones. A unidade possui 25 aeronaves utilizadas na coleta de informações, no mapeamento aéreo e no apoio às equipes em solo e às operações da Defesa Civil.

Criado em 2017, o DronePol tornou-se referência e já ministrou cursos para integrantes das polícias Militar, Civil e Federal, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), da Marinha e de outras guardas municipais.

Valorização profissional

Além do reajuste de 98% no salário inicial, a Diária Especial de Atividade Complementar (DEAC) teve aumento de 50%. O seguro de vida dos profissionais dobrou, passando de R$ 50 mil para R$ 100 mil, e o plano de carreira da corporação foi consolidado.

“Só na minha gestão houve um aumento de 98% no salário inicial da carreira. Já fizemos o chamamento de 2.000 policiais municipais. Hoje está tendo concurso para mais 500, que agora vão passar pela prova e entram para a academia, e eu vou chamar mais 1.500. Só na minha gestão, 4.000 novos homens e mulheres para reforçar o trabalho da polícia municipal”, afirmou Nunes.

O prefeito também destacou que os investimentos em equipamentos e tecnologia têm como objetivo proteger tanto a população quanto os próprios agentes. “Parabéns por cada um que passou por essa corporação. Meu desejo é que vocês vão às ruas e retornem às suas famílias em segurança. E, para isso, obviamente, é necessário investimento em equipamento e tecnologia.”

Homenagem aos 40 anos

A GCM completou 40 anos em 15 de setembro, e as atividades comemorativas seguem durante o mês. A solenidade desta sexta-feira contou com o lançamento de uma Challenge Coin, medalha comemorativa que simboliza pertencimento, honra e reconhecimento, e com uma homenagem aos integrantes que acumulam 40 anos de serviços prestados à instituição.

O evento também teve o tradicional desfile da tropa e reuniu o prefeito, a secretária Juliana Lopes Bussacos, autoridades, representantes de outras forças de segurança e integrantes do comando da GCM.

“Quarenta anos não representam apenas uma data, representam uma história. Uma história construída por homens e mulheres que, ao longo de quatro décadas, vestiram este uniforme e saíram às ruas para cuidar da cidade e proteger a nossa população”, afirmou a secretária.

O comandante-geral da GCM, inspetor superintendente Jairo Chabaribery Filho, homenageou os profissionais da ativa e os veteranos que participaram da construção da corporação. “É um momento de grande festa e alegria estar aqui para comemorar os 40 anos da nossa GCM, a nossa polícia municipal. Diante desse efetivo guerreiro, esse efetivo que muito lutou, muito batalhou. E aqui eu lembro dos nossos veteranos, já aposentados, que derramaram muito suor para que nós hoje pudéssemos estar aqui comemorando esta data”, declarou.

Do início sem viaturas à tecnologia: 40 anos contados por quem estava antes do início da Guarda

Eles acompanharam a GCM quando a corporação ainda não tinha instalações adequadas, frota própria nem recursos suficientes para garantir a alimentação e o transporte de todos os aspirantes a guardas. Quatro décadas depois, Paulo José Barbosa, de 67 anos, e Sérgio Turbiani Batista, de 60, continuam na ativa e ajudam a contar uma história construída com improviso, solidariedade e vocação para servir.

Barbosa, hoje comandante da Inspetoria de Perus, chegou antes mesmo da criação oficial da Guarda Civil Metropolitana. Em março de 1986, deixou uma empresa privada após receber de um antigo colega do Exército o convite para integrar o corpo de instrutores da nova instituição.

“Eu nem tinha muito conhecimento da Guarda, porque estava muito embrionária ainda”, recorda. Depois de uma entrevista com o então diretor do Departamento de Ensino, aceitou a missão de preparar os primeiros profissionais da corporação.

“Acabei entrando como instrutor, não entrei como guarda. Eu entrei na Guarda antes de a Guarda ser Guarda”, resume. “A Guarda foi oficialmente instituída em setembro, e eu estou na Guarda desde março de 86. Fomos nós que recebemos nossos candidatos na época, que hoje estão sendo homenageados com 40 anos de serviço.”

A falta de estrutura marcou os primeiros meses. Segundo Barbosa, além das dificuldades para instalar uma instituição com características policiais dentro da Prefeitura, parte dos alunos enfrentava problemas financeiros até para frequentar o curso de formação.

“Não foi fácil o começo. Todo começo é meio complicado, porque era algo inédito na Prefeitura. Uma instituição com uma característica policial. Então, não tinha instalações, era muito precário”, relata.

Nesse cenário, a solidariedade entre os futuros guardas ajudou a manter a primeira turma reunida. “O aluno guarda não tinha refeição, não tinha alimentação. Muitos tinham até dificuldade financeira. Eu lembro de colegas que se cotizavam para ajudar financeiramente aquele aluno que não tinha dinheiro nem para vir de ônibus para a academia.”

A escassez também atingia a operação nas ruas. Sem frota própria, os primeiros profissionais recuperavam veículos que já haviam sido descartados por outros serviços públicos. “Naquela época, os guardas conseguiam veículos que eram baixados, descartados, ambulâncias, veículos que eram utilizados pelos bombeiros. Iam aos desmanches, retiravam esses veículos e reformavam às próprias custas para se transformar em viatura. A Guarda não tinha sequer viatura para atender”, conta Barbosa.

Hoje, ao encontrar antigos alunos em funções de comando, o instrutor das primeiras turmas consegue dimensionar a transformação da instituição que ajudou a formar. “Eu vejo aqui muitos dos colegas que eram meus alunos guardas, que hoje estão como superintendentes. O comandante-geral foi meu aluno guarda. Então ver como essa geração evoluiu na carreira, abraçando a causa, é um orgulho muito grande.”

Uma história que passa de pai para filha

 

Sérgio Turbiani Batista, hoje Sub-Inspetor da Inspetoria de Santana também ingressou na GCM ainda em 1986. Aos 20 anos e recém-saído da Força Aérea, inscreveu-se para participar da formação da corporação ainda vestindo a farda militar.

“Eu me inscrevi na Guarda Civil ainda uniformizado com a farda da Força Aérea”, lembra. Após participar de um processo seletivo interno, integrou o quinto pelotão de uma das primeiras turmas. “Nós nos formamos em 1986 mesmo e, de lá para cá, temos a nossa trajetória de trabalho e de luta durante todos esses anos.”

Quatro décadas depois, Batista permanece na ativa, trabalhando no turno da área de Santana, onde está localizado o Distrito Anhembi. Embora já pudesse ter encerrado a carreira, decidiu continuar. “Hoje o sentimento é de orgulho imenso em fazer parte ainda dessa corporação. Poderia já estar aposentado, mas continuo na Guarda porque gosto do que faço”, afirma.

No caso de Batista, o vínculo com a instituição também atravessou gerações. Sua filha, Laís Viveiros, formada em Direito, seguiu os passos do pai e está há quase três anos na corporação. Ela atua no Canil da GCM e cursa pós-graduação em comportamento animal, com o objetivo de também trabalhar na defesa dos direitos dos animais.

“Quando eu pertencia àquela unidade, ela frequentava a unidade comigo e sempre se dedicou ao trabalho com os cachorros”, conta. “Hoje, formada em Direito, abraçou a carreira do pai.”

Para o veterano, ver a filha construir a própria trajetória dentro da GCM amplia o significado dos seus 40 anos de trabalho. “Ela hoje faz o que gosta e ela se dedica ao trabalho com os cachorros.”

As lembranças de Barbosa e Sérgio revelam a dimensão da transformação da GCM: uma instituição que começou com alunos dividindo dinheiro para que os colegas pudessem chegar à academia e hoje reúne diferentes gerações de profissionais em torno da mesma vocação.

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Com informações da Prefeitura de São Paulo

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