Izabely Liberado
“Quando a música toca, histórias ganham movimento e a alegria encontra novas formas de florescer”. Foi nesse ritmo que o Teatro Municipal de Santos recebeu o 6º Festival de Dança das Vilas Criativas, que trouxe ao palco uma viagem pelas novelas mais marcantes da TV brasileira, reunindo participantes de diferentes idades em uma celebração de talento, inclusão e superação.
O evento reuniu mais de 200 alunos em apresentações inspiradas nas trilhas sonoras de novelas que marcaram gerações. Enquanto o público revivia essas lembranças, os participantes escreviam suas próprias histórias, mostrando que a dança também é uma forma de cuidar de si, criar laços e descobrir novas possibilidades em qualquer idade.
VILAS
Atualmente, Santos conta com 12 Vilas Criativas, cada uma com suas características, mas todas oferecendo atividades de dança. Com correalização das secretarias de Comunicação e Economia Criativa (Secom) e de Cultura (Secult), o festival reúne diferentes modalidades, como balé adulto e da terceira idade, dança do ventre, ioga, ritmos, dança de salão, zumba e danças urbanas, todas embaladas por trilhas sonoras de novelas.
“O Festival de Dança das Vilas Criativas representa muito mais do que uma apresentação artística. É a celebração do talento, da inclusão e da transformação que acontece diariamente em nossos equipamentos. Cada participante traz consigo uma história única, e ver essas pessoas ocupando o palco com tanta alegria e confiança mostra a importância de oferecer espaços de convivência e valorização humana”, afirmou a secretária de Comunicação e Economia Criativa, Selley Storino.
O festival continua nesta quarta-feira (28), com novas apresentações às 16h e às 20h, no Teatro Municipal.
DANÇA QUE TRANSFORMA VIDAS
Aos 65 anos, as irmãs gêmeas Eliana e Elenir Souza, da Vila Criativa do Campo Grande, subiram ao palco com a alegria de quem encontrou na dança uma nova maneira de viver. No terceiro ano consecutivo em que participam do festival, a empolgação continua a mesma. Cada apresentação é também uma oportunidade de celebrar a amizade, o acolhimento e as conquistas compartilhadas.
A história das duas começou depois da aposentadoria. Com mais tempo livre, passaram a frequentar as atividades e descobriram novas possibilidades. Eliana, porém, enfrentava um período difícil, marcado pela depressão, até receber o incentivo da irmã para participar das aulas.
“Eu estava mais querendo ficar parada em casa. Quando minha irmã me chamou, falou: ‘Você vai melhorar’. E melhorei mesmo. Não falto por nada. Se eu estiver aqui no médico, marco só depois da dança”, contou Eliana, emocionada.
A mudança, segundo ela, foi profunda. “Eu sou outra pessoa depois da dança. Tenho mais alegria, disposição. A gente se sente mais nova do que a idade que tem. Queria fazer dança todos os dias! Só faço três vezes por semana, e ainda não está bom”, brincou.
Para Elenir, dividir o palco com a irmã e os colegas torna a experiência ainda mais especial. “É uma alegria muito grande fazer parte da dança e da inclusão. A gente se sente acolhida pelas colegas, e a professora é muito profissional, sabe ensinar muito. A gente aprende e fica feliz”, afirmou.
MUITO ALÉM DO PALCO
O impacto das atividades também se reflete no bem-estar emocional dos participantes. Segundo André Falchi, diretor do Departamento de Economia Criativa, as Vilas Criativas acumulam histórias de pessoas que chegaram enfrentando períodos de depressão e encontraram nas atividades oportunidades de recuperar a disposição e fortalecer os vínculos sociais.
“Agora estão em outro momento. Esse é um papel fundamental: fazer com que as pessoas se sintam bem, estejam em comunidade, com colegas e amigos, e se sintam acolhidas”, explicou.
Esta iniciativa contempla o item 4 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Educação de Qualidade. Conheça os outros artigos dos ODS
Fotos: Carlos Nogueira
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Com informações da Prefeitura de Santos



