.
Mais de 20 mil crianças e adolescentes chegaram por rotas migratórias na Europa sem a companhia dos responsáveis no ano passado. 

A informação é de um relatório divulgado pela Organização Internacional para as Migrações, OIM, a Agência da ONU para os Refugiados, Acnur, e o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Rotas nos países de língua portuguesa 

De acordo com a análise, as redes de tráfico e o crime organizado exploram essas rotas para expor menores à violência, à exploração e aos abusos.

Países como Angola, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde estão na Rota do Atlântico Africano Ocidental, caminho utilizado por jovens e famílias para chegar nas Ilhas Canárias.

Em Moçambique e Guiné Equatorial, registram-se também fluxos migratórios e pedidos de proteção internacional.

O Brasil é apontado como um dos principais países de destino nos programas de Retorno Voluntário Assistido e Reintegração para menores e jovens que deixam a Europa após o indeferimento dos seus processos. 

OIM/Alexander Bee
Um grupo de migrantes passa pelo Djibuti

Crise nas rotas europeias

Itália e Espanha registaram as maiores proporções de chegadas solitárias, em que 86% dos menores desembarcaram sem qualquer acompanhante. 

O número total de chegadas de crianças por terra e mar a países como Bulgária, Chipre, Grécia, Itália, Malta e Espanha caiu 25% em relação a 2024.

Na Itália, porém, o número subiu 12%, atingindo mais de 14 mil chegadas de pessoas oriundas do Egito, da Eritreia, da Somália, do Bangladesh e da Etiópia.

A diretora-geral da OIM, Amy Pope, reforçou a necessidade da cooperação entre as nações europeias e os países de trânsito e origem para proteger os menores desacompanhados. Ele pede ainda ação para garantir os seus direitos e combater o modelo de negócio dos traficantes.

Violência no percurso

Segundo o relatório, dos mais de 4,5 mil jovens entrevistados, 47% relataram ter sofrido violência física durante a viagem.

Na rota do Mediterrâneo Central, 28% afirmaram ter sido detidos arbitrariamente ou mantidos em cativeiro contra a sua vontade e 17% foram submetidos a trabalho forçado.

A Líbia é apontada como o local onde ocorre a grande maioria dos abusos e violações dos direitos humanos.

Em resposta, as agências da ONU pedem à União Europeia para priorizar a causa em suas decisões, garantindo apoio jurídico, proibindo a detenção de menores para fins migratórios e promovendo opções seguras de recolocação.

source
Com informações da ONU

Share.

Deixe uma respostaCancelar resposta

.
Exit mobile version