Após cumprirem a agenda de atividades pela manhã, os vereadores jovens retomaram o trabalho na parte da tarde. A etapa final da edição do Parlamento Jovem Ensino Médio – Vereador Dr. Farhat deste ano contou com a discussão e votação das propostas apresentadas pelos estudantes no Plenário 1° de Maio.
Assim como acontece nos debates oficiais da Câmara Municipal de São Paulo, alunos do ensino médio de escolas públicas e particulares da capital paulista vivenciaram a rotina dos parlamentares da Casa. O trabalho dos adolescentes recebeu o apoio da assessoria legislativa dos vereadores.
Da tribuna do Plenário, vereadores jovens puderam discutir os projetos de lei elaborados por eles. As matérias propuseram políticas públicas para diferentes áreas da cidade de São Paulo, como saúde, educação, cultura, segurança pública, assistência social, esportes e planejamento urbano. Das 53 propostas protocoladas, 50 foram aprovadas e 3 rejeitadas.
Os estudantes foram divididos por partidos fictícios. Sofia Gondim Akamine, do 1° ano do ensino médio da Etec Getúlio Vargas, compôs a bancada “Saúde”. Ela sugeriu o projeto que cria o Programa Vacina Segura Digital no Município de São Paulo. O texto do PL 91/2026 foi aprovado com 49 votos favoráveis, 3 contrários e 1 abstenção.
Sofia defendeu a proposta e explicou como surgiu a ideia do Projeto de Lei. “Pensei em como a saúde pode andar com a tecnologia, lado a lado, em equilíbrio. Como as pessoas perdem suas cadernetas físicas seja por enchentes , deslizamentos e incêndios”
Fernanda Medeiros Gondim Akamine é professora e mãe da Sofia. Ela a orientou na elaboração da proposta. “O fato de ela ter essa consciência de apresentar um projeto pensando na maioria, no bem-estar de todos, é importante.”
Na justificativa da matéria, a jovem parlamentar cita que a proteção da vida e da saúde da população precisa de ampla rede de UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e de sistemas digitais que auxiliem no registro das imunizações.
De acordo com o texto, há falhas de comunicação relacionadas à liberação de vacinas, divergências de informações entre profissionais, atrasos na identificação de vacinas pendentes e dificuldades de acesso rápido ao histórico vacinal dos pacientes. O objetivo central do projeto é garantir a cobertura vacinal em toda a cidade.
A vereadora jovem Julia Mubarack Vital, estudante do 2° ano do ensino médio do Colégio Divina Pastora, do partido “Esportes, Lazer e Recreação”, apoiou o projeto. “Há várias doenças retornando para a nossa sociedade porque as pessoas não estão se vacinando. Então, acho que é um projeto extremamente válido, relevante”.
Já o aluno do 1° ano do ensino médio da Escola Miguel Martins Souza, do partido “Emprego”, votou contra o projeto. “Quando você coloca a responsabilidade da vacinação do ser humano em um simples robô, você abre muita margem para que o erro dele seja livre de punições. Isso pode custar vidas”.
Outro projeto discutido em Plenário foi o PL 108/2026 – da estudante do 1° ano do ensino médio do Colégio Suller Garcia. A vereadora jovem Vitória Rosa Mouret, do partido “Planejamento Urbano”, propôs o fortalecimento das ações de fiscalização e manutenção da fiação aérea urbana na cidade de São Paulo. A proposta foi rejeitada com 27 contrários, 13 votos favoráveis e 13 abstenções.
“Acho que melhorar a questão de explicar melhor de como vai ser feito o planejamento e quais medidas a serem tomadas e qual o orçamento público vai ser necessário”, disse Vitória
Antonio Bernardo Lee, vereador jovem do 2° ano do ensino médio da Escola Nossa Senhora das Graças se posicionou contrariamente ao Projeto de Lei. “O projeto, na minha opinião, tinha seus problemas orçamentários e com o caráter técnico do projeto”. O estudante também compartilhou o sentimento de ser parlamentar por dia na maior Casa legislativa da América Latina. “É legal estar na pele deles (vereadores), entender um pouco mais, para ser a próxima geração”.
O professor de Sociologia Rodrigo Falcão foi o responsável pela orientação de Antonio Bernardo. Ele explicou como foi a estratégia para prepará-lo para discursar na tribuna. “Não apenas olhar o projeto pelo caráter técnico, mas ter um olhar político e ter uma capacidade de argumentar e se apresentar ali no Plenário para convencer os seus colegas a votarem contra, que era o que ele queria e que surtiu resultado. Estou super satisfeito, sim”.
Outra proposta debatida foi o PL 9/2026, da vereadora jovem Giovanna Paulino de Souza, do partido “Assistência Social”, da Escola Estadual Júlio Ribeiro. A matéria sugere a criação do Programa Viver um Recomeço na cidade de São Paulo. O projeto foi rejeitado com 31 votos contrários, 8 favoráveis e 8 abstenções.
A parlamentar jovem Rafaela Dias, do partido “Assistência Social”, se manifestou a favor da proposta. A estudante do Colégio Santo Agostinho falou que projetos sociais são importantes para a sociedade. “Esse projeto ajuda as pessoas que vemos frequentemente nas ruas. Isso é um problema social muito grande na cidade de São Paulo. Com essa lei, essas pessoas poderiam ter um recomeço, poderiam ter mais dignidade”.
Já a vereadora jovem Marjorie Lucas, também do partido “Assistência Social”, foi contrária ao projeto. A aluna da EMEFM Darcy Ribeiro falou que a proposta é “inconsistente”. “Políticas públicas não podem ser baseadas em boas intenções. O projeto apresenta problemas reais, mas não apresenta soluções”.
Apesar de o Projeto de Lei ter sido rejeitado, a autora defendeu a matéria. Ela lamentou o resultado da votação. “Na minha visão, meu projeto era muito bom. Eu queria abranger os moradores de rua, as mulheres que sofrem violência, a população LGBTQIA+. Eu queria ajudar essas pessoas, mas não deu. De qualquer forma, é uma experiência que eu vou levar para a vida”.
O último projeto que entrou em debate no Plenário foi o PL 57/2026. O texto da vereadora jovem Luiza Biz Maestri, do partido “Defesa do Consumidor”, aluna do Colégio Fraciscano Pio XII, propôs a Política Municipal de Transparência Algorítmica na capital. O projeto também prevê deveres de informação sobre sistemas automatizados utilizados por plataformas digitais. A matéria foi aprovada com 43 votos favoráveis, 4 contrários e 5 abstenções.
A vereadora jovem Rebeca Gimenez, do partido “Meio Ambiente”, votou favoravelmente. A estudante da Escola Estadual Professor Américo de Moura afirmou que a proposta dá transparência aos algoritmos. “A nossa geração, a Z, nascidos de 1997 a 2012, ficou com o QI abaixo da geração anterior. Isso mostra que ficamos enfurnados nos algoritmos, somos dependentes de informações que a internet nos dá, diminui nosso senso crítico e a nossa personalidade”.
Contrária ao PL, a jovem vereadora Luiza Novais, do partido “Esportes, Lazer e Recreação” destacou que “o projeto esbarra em competências que não são do município. Ele acaba reiterando o que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, uma lei nacional já diz. Eu me posicionei contrária, mas achei uma ideia ótima, mas tem esse problema de competências”, comentou a aluna da Escola Estadual João Amos Comenius.
“Essa transparência algorítmica vai fazer com que as pessoas tenham maior senso crítico, maior visão de mundo e para que as nossas decisões sejam menos polarizadas. Eu fiquei muito feliz com a aprovação. Não achei que seria com tantos votos favoráveis, porque no Colégio de Líderes muitos se colocaram contrários”, falou Luiza.
Presidente da Sessão Plenária Jovem, a estudante Anna Júlia Rocha, do partido “Educação”, contou como foi estar à frente dos trabalhos. “Os vereadores confiaram em mim para ser a presidente do Parlamento que eles participaram. Todos têm as melhores intenções possíveis. Houve momentos em que eu precisei pedir silêncio, mas mesmo com essas intercorrências, tudo foi tranquilo e todos ficaram felizes em participar”.
Para a supervisora de Eventos da Câmara Municipal de São Paulo, Lívia Karasawa, a 6ª edição do Parlamento Jovem Ensino Médio foi “emocionante”. “O que sentimos este ano é que os jovens voltaram dispostos ao debate. Se em algumas edições anteriores os projetos para serem debatidos não eram tão polêmicos, desta vez deu polêmica. Eles fizeram questão de escolher propostas para debater”.
Lívia também falou sobre a mudança de alguns vereadores jovens, que chegaram tímidos nas atividades anteriores e voltaram com outra postura. “No dia 5 de outubro, na apresentação dos projetos, eles estavam tímidos, não conseguiram argumentar tão bem. Hoje, voltaram preparados e muito envolvidos. Foi interessante ver essa superação que cada um conseguiu desenvolver”.
Os trabalhos da tarde estão disponíveis na íntegra no canal da Câmara de SP no YouTube. O material está dividido em dois vídeos:
Confira também as fotos da edição do Parlamento Jovem Ensino Médio 2026 no Flickr da Câmara de SP.
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Com informações da Câmara de São Paulo





